Canais
Transporte
publicado em 17 de março de 2017 - 10h 9

Governo privatiza quatro aeroportos por R$ 3,7 bilhões

O prazo de concessão será de 30 anos, com exceção de Porto Alegre, que será de 25.

Da Redação
 Aeroporto de Salvador

Em leilão realizado na manhã desta quinta-feira na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o governo conseguiu leiloar, com ágio de 23% sobre o valor inicial esperado de R$ 3 bilhões, os aeroportos de Porto Alegre, Salvador, Florianópolis e Fortaleza. Três grupos europeus arremataram os quatro aeroportos.

- FRAPORT AG FRANKFURT AIRPORT SERVICES – ALEMANHA

Fortaleza: R$ 425 milhões; Porto Alegre: R$ 290,5 milhões

- VINCI AIRPORTS – FRANÇA

Salvador: R$ 660,9 milhões

- ZURICH INTERNATIONAL AIRPORT AG – SUÍÇA

Florianópolis: R$ 83,3 milhões

O governo vai receber R$ 1,46 bilhão, à vista, a ser pago pelos vencedores na assinatura do contrato em agosto. O número equivale a um ágio de mais de 90% em relação aos R$ 750 milhões definidos pelo governo como lances mínimos para o leilão.

O aeroporto de Fortaleza foi arrematado pela alemã Fraport por R$ 425 milhões, a oferta mínima era de R$ 360 milhões. A concorrente neste ativo era a francesa Vinci e, no total, foram dados seis lances pelo terminal. A Fraport também levou o terminal de Porto Alegre com lance de R$ 290,512 milhões, a oferta inicial mínima era de R$ 31 milhões. O ágio foi de 837%. Neste caso, a alemã disputou com Zurich. No total, foram dados oito lances para Porto Alegre.

Já o terminal de Salvador ficou com a francesa Vinci por R$ 660,943 milhões. A Vinci foi a única proponente interessada no aeroporto baiano e, portanto, não houve concorrência.

O aeroporto de Florianópolis foi o mais disputado pelas empresas Zurich e Fraport, com onze lances feitos ao longo da 1h30 de leilão. Ao final a vitoriosa foi a Zurich, com lance de R$ 83,3 milhões, contra valor inicial de R$ 53 milhões.

O maior ágio (852%) aconteceu em Porto Alegre. O projeto de Salvador teve um ágio de 113%. Fortaleza (18%) e Florianópolis (58%) tiveram ágios menores.

Segundo cálculos da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), por esses aeroportos passarão 12% do total de passageiros de companhias aéreas no Brasil. Com isso, 59% dos passageiros do país serão atendidos por aeroportos concedidos, somando-se os que já foram leiloados anteriormente.

O evento marcou a abertura da primeira rodada de concessões do governo de Michel Temer e funciona como um grande teste para o modelo de privatizações deste governo, que esticou prazos para análise dos projetos, mudou a forma de pagamento das outorgas e criou uma espécie de "seguro cambial" para evitar perdas com desvalorização do real.

A forte presença de estrangeiros entre os competidores deste novo leilão é um resquício da Operação Lava Jato, porque a maioria das grandes construtoras nacionais que dominava as rodadas anteriores está hoje envolvida nas investigações e tem problemas para gerir as atuais concessões.

Diferentemente das rodadas anteriores, o leilão atual não trouxe mais a Infraero como sócia, o que muda a governança das futuras concessionárias. No entanto, disse o ministro dos Transportes, Maurício Quintella, “a Infraero vai continuar existindo por uma questão estratégica, mas tem que voltar a ter lucro. Pode ser adotado um modelo híbrido”.

OS GANHADORES

A Fraport, que perdeu a disputa pelo Galeão em 2013, administra aeroportos em todos os continentes: cinco na Europa, sendo o de Franfkurt, um dos mais modernos do mundo, um deles – cinco na Ásia , dois na África e um na América Latina e registra um tráfego anual de mais de 99 milhões de passageiros.

A Zurich International Airport AG hoje administra o maior aeroporto da Suíça, em Zurique e registra circulação de 25 milhões de passageiros por ano, com quase 270 mil voos ao ano e 400 mil toneladas de carga transportada. Também faz parte do consórcio que administra o aeroporto de Confins, em Minas Gerais.

Já a francesa Vinci opera 35 aeroportos ao redor do mundo.

INVESTIMENTOS

Os investimentos esperados ao longo do prazo de concessão totalizam R$ 6,6 bilhões ao longo do prazo da concessão, que é de 30 anos, prorrogáveis por mais cinco, com exceção do aeroporto de Porto Alegre, em que o período é de 25 anos, extensíveis por mais cinco.

Entre os principais investimentos que deverão ser realizados pelos futuros operadores estão a ampliação dos terminais de passageiros, dos pátios de aeronaves e das pistas de pouso e decolagem. Também estão previstos o aumento do número de pontes de embarque, ampliação dos estacionamentos de veículos.

No aeroporto de Salvador, há exigência de construção de uma nova pista de pouso e decolagem e, no de Florianópolis, será preciso construir um novo terminal de passageiros e um estacionamento.

GOVERNO VENDERÁ MAIS DEZ TERMINAIS DE AEROPORTOS EM 2017

Concessões serão em lotes que reúnem operações lucrativas e deficitárias.

O governo tem pronta uma lista de dez aeroportos para serem concedidos ao setor privado na nova rodada de privatização do setor, a partir do segundo semestre de 2017. Os próximos serão Curitiba, Recife, Belém, Vitória, Goiânia, Cuiabá, Manaus, Maceió, São Luís e Foz do Iguaçu.

A novidade dessa vez será a licitação em blocos: quem arrematar o filé terá de ficar também com o osso, na proporção de um lucrativo para até três deficitários. Podem ser incluídos, neste caso, Jacarepaguá, Pampulha e Juiz de Fora, por exemplo. A nova modelagem trata também do futuro da Infraero, que seria transformada numa holding — com a criação de uma subsidiária de capital aberto, juntando os principais ativos da estatal, que são os terminais de Santos Dumont e Congonhas.

Fonte: assessoria

Veja também:

06/04/2017
Avianca Brasil anuncia voos internacionais diretos de São Paulo para Miami e Santiago
Companhia terá operações diárias para os dois destinos, oferecendo duas classes de serviço; vendas para os Estados Unidos já começaram
06/04/2017
Emirates passa a operar dois voos diários para Bali, na Indonésia
O novo voo sustentará a crescente demanda de viagens de e para Bali, oferecendo aos viajantes mais opções e conectividade convenientes.
05/04/2017
Aéreas brasileiras querem dobrar número de passageiros em dez anos
Empresas aéreas brasileiras querem dobrar número de passageiros em dez anos Durante WTM Latin América, em São Paulo, presidente da Abear expôs desafios do setor, que inclui diminuição de impostos e nova regulamentação
03/04/2017
Cia. Aérea TAP com estrelas Michelin a bordo
Seis Chefs levam o melhor da gastronomia portuguesa ao mundo.
Newsletter
Receba as novidades