Arquitetura, Cenografia e Design
Leila Malvezzi Bueno
A real viagem do descobrimento não consiste em procurar novas paisagens, mas em ter um novo olhar
Marcel Proust
11
julho
2017

Eventos provocam experiências

Será que o meu evento desperta alguma reação? Há muito tempo tem se discutido sobre o fato de um evento não ser mais efêmero. Precisa fazer sentido. Precisa despertar sensações. Eu, particularmente sempre acreditei e pratiquei isso no meu dia a dia de trabalho. Dentro do mercado de live marketing, cenografia e arquitetura, temos avançado em conceitos, inspirações e novas tecnologias para promover experiências dentro dos eventos.

Uma pesquisa realizada em 2016 pela AMCHAM Brasil apontou os eventos de experiências como uma nova tendência. Mas faz um tempo que eu já venho pensando e aplicando isso. A experiência é inerente aos eventos, pois junta pessoas com interesses em determinados espaços para vivenciar algo. Ninguém está ali por acaso. Negócios e networking à parte, as pessoas realmente querem experimentar, sentir, vivenciar uma experiência que os conduzam a um mundo diferente.

Acho que esse é o maior dos desafios. Um autor toca seu leitor com palavras. Um artista plástico com sua obra. Um cantor com sua música. Nesse universo do qual tanto gosto de fazer parte, nós tocamos as pessoas com a arquitetura cenográfica. Não importa qual for a reação, assim como as palavras podem tocar, a cenografia também tem esse poder. É capaz de criar caminhos, direcionar os fluxos, provocar sensações que impactam a vivência no espaço físico.

Quando falamos de novidades desse segmento, as referências são muito irregulares e instáveis. O que agrada hoje pode não agradar amanhã. Porém, diversos especialistas quando opinaram sobre as tendências para 2017, não citam o canal digital, somente espaços presenciais. Ou seja, a economia da experiência já é uma realidade para a maioria das pessoas. Ao meu ver, parece que tem se procurado muito por experiências memoráveis. Todo mundo quer ter uma história para contar.

Imaginem os pavilhões de exposições e espaços de eventos vazios. Quanto espaço não é mesmo? Como será que vamos transformar tantos espaços sem nada em eventos inesquecíveis? Aqui a cenografia se faz indispensável. É ela que cria caminhos, direciona fluxos, passa mensagens, provoca as sensações que impactam a vivência de quem passa por aquele espaço físico.

Promover o conhecimento através da experiência utilizando todos os sentidos, mobiliza e gera aprendizado intelectual, artístico, emocional e sensoriais, estimulando nossos bancos de memória e gerando criatividade. É tempo de sentir intensamente cada momento. O ser humano está buscando por novas experiências e, nos eventos corporativos, não poderia ser diferente.

Leila Bueno é arquiteta e sócia-diretora na BUENO Arquitetura Cenográfica

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