Diversidade e Turismo
Bayard Boiteux
"Turismo é aprender a conhecer outras culturas, respeitá-las e sobretudo fazer de cada morador um aliado no desenvolvimento turistico"
Bayard Boiteux
24
outubro
2017

O Rio e o Turismo nas comunidades

escrito por Bayard Boiteux

Hoje,quero conversar com você sobre os tours oferecidos nas comunidades no Rio.


O perfil do novo turista que viaja é de ter cada vez mais experiências culturais.Tal fato significa poder melhor conhecer o modus vivendi dos países que visita e assim se apropriar um pouco e viver comportamentos e atividades que os locais incluem em seu dia a dia.O airbnb ,por exemplo,vem crescendo por dar a possibilidade de um contato maior com famílias e sobretudo viver como um membro daquele grupo.

No caso do Rio de Janeiro,sempre houve uma vontade muito grande de turistas estrangeiros de conhecerem favelas e entenderem sua importância no contexto da cidade.A ideia não é apenas de um tour mas de contato com moradores,através por exemplo de visitas as lajes,onde se tem uma visão primorosa das belezas cariocas e um café,um almoço,um lanche e muita interação.As comunidades foram assim se preparando para receber turistas,organizando feiras de artesanato,dando oportunidades de empregos para os moradores nas diversas atividades realizadas e permitindo uma vivência “social”.Devo lembrar que não é algo tipicamente carioca.A Africa do Sul conseguiu com muito êxito implantar visitas guiadas com mini palestras e possibilidade inclusive de pernoite.Aqui,nasceram pousadas,hotéis,restaurantes com comida caseira,entre outras ações.Foi importante para que os moradores entendessem a importância do turismo.Os “Favela Tour” foram se estruturando com transporte especifico,guias qualificados e uma ação social dentro dos bairros visitados.Há inclusive monitoramento,em alguns casos,de períodos onde podem ou não ocorrer as experiências.Sempre fui e continuo sendo favorável a tal produto,embora discorde,por exemplo,da utilização de jeeps e colaboradores vestidos como se fosse um safari.

Ocorre,no entanto,que no momento,o Rio vive uma guerra.Tal guerra que vem sendo noticiada diariamente no Brasil e no mundo tem hoje um foco:as comunidades ,sobretudo a Rocinha que iniciou o trabalho de visitação.O Alemão,com o fechamento do teleférico quase que saiu da rota turística.E assim,hoje as visitas se concentram na zona sul do RIO.O grande problema e que nas ruas das comunidades,a situação é de perigo eminente,com confrontos entre traficantes e autoridades constituídas ou entre inclusive facções rivais.Assim,o momento é de muita cautela e as visitas precisam ser suspensas,com a maior urgência.O Rio não pode ter mais nenhum caso de turista morto,quando usufruía da cidade,em suas férias.O ocorrido com a turista espanhola mostrou despreparo na condução de protocolos de segurança ,que demandam um treinamento talvez mais direcionado para as tropas,embora devamos confessar que vivem um estresse e uma falta de apoio,que acabam gerando comportamentos inadequados.

O trade turístico que vive sua pior crise dos últimos anos deve se manter coeso e não se deixar levar por falsas promessas do setor publico,que tem demonstrado falta de foco,de gestão e deixado os atores perdidos e atirando para todos os lados para sobreviver.Um sacrifício precisa ser colocado em pratica enquanto a guerra estiver acontecendo dentro das comunidades,com bastante cautela,para que os possíveis turistas interessados,ainda não se aproveitem da suspensão temporária,para escrever em redes sociais e blogs que a violência é tanta,que foram “proibidos de visitar favelas”...

São algumas reflexões...

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