Diversidade e Turismo
Bayard Boiteux
"Turismo é aprender a conhecer outras culturas, respeitá-las e sobretudo fazer de cada morador um aliado no desenvolvimento turistico"
Bayard Boiteux
28
abril
2014

O Sonho de um Rio Turístico

escrito por Bayard Boiteux

O sonho de uma cidade verdadeiramente turística não parece ser a realidade carioca. Sentimos diariamente que a cidade passa por uma crise de identidade e de segurança. O projeto pioneiro das UPPs, que se traduz num modelo de redução da criminalidade em comunidades, não veio acompanhado de serviços públicos eficazes para a população e assim vai perdendo aos poucos sua verdadeira função, já que os criminosos estão retornando aos seus quartéis e ajudando os moradores, na ausência do Estado. É lamentável, pois se trata de uma forma de melhoria da imagem institucional do Rio, no âmbito turístico, que muito nos ajudou, quando da sua implantação.

O recente episódio de Copacabana, na comunidade Pavão–Pavãozinho, foi manchete de vários jornais, sites, emissoras de televisão, em mais de 50 países, sendo que pelo menos sete estão entre os principais emissores para a Cidade Maravilhosa. As notícias veiculadas mostravam uma Copacabana em plena guerra urbana. Turistas deixavam hostels nas proximidades e corriam pelas ruas.

Enfim, com a proximidade da Copa, só não haverá grandes cancelamentos porque os pacotes foram vendidos com muita antecedência. Trata-se do principal bairro turístico da cidade, que concentra mais de 60% dos meios de hospedagem, hoje repleto de mendigos nas rua, pequenos delitos, além de uma limpeza sofrível e vendedores ambulantes. No entanto, cancelamentos começam a pipocar em agências de receptivo do Rio e travel advisories já mencionam a insegurança de Copacabana.

Porém, o que mais me entristece é a falta de uma política eficaz de turismo em situações como a ocorrida. Não vi, mais uma vez, nenhuma ação dos órgãos públicos de turismo e lamento a descontinuidade dos programas de relações públicas, que eram desenvolvidos com o corpo consular e correspondentes estrangeiros, que tinham como função buscar justamente uma interação com duas fontes importantes de disseminação de informações.

Sentimos-nos impotentes, pois não sabemos muito bem como atuar sobretudo na forma de lidar com tais situações sem uma verdadeira cooperação do Poder Público. O trade turístico, com raras exceções, não se pronuncia e não demonstra sua insatisfação e preocupação.

A omissão pode custar caro, e sabemos que o episódio de Copacabana vem sendo acompanhado de situações semelhantes em todo o país, sobretudo com constantes destruições de ônibus e carros, que são incendiados. Cabe frisar, no entanto, que a cidade do Rio, como principal produto turístico do país, enseja uma divulgação negativa para o Brasil, como um todo.

Não devemos culpar as forças de segurança, mas sim as políticas de integração das comunidades aos serviços básicos, que não ocorrem. Sem urbanização e verdadeira cidadania, nenhuma UPP poderá salvar a cidade, que precisa sobreviver do turismo. Talvez fosse o momento de acabar com tantos subsídios para a população carente e definir uma política de habitação, saúde e educação que criasse verdadeiras oportunidades e não paliativos.

Não desisto e continuarei, como acadêmico, buscando soluções e as externando em artigos, redes sociais, palestras e livros como contribuição espontânea. Conclamo que todos os interessados com o turismo o façam também. Vamos salvar o Rio.

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