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Diversidade e Turismo
Bayard Boiteux
"Turismo é aprender a conhecer outras culturas, respeitá-las e sobretudo fazer de cada morador um aliado no desenvolvimento turistico"
Bayard Boiteux
28
março
2016

Os atentados terroristas na Europa

escrito por Bayard Boiteux

Boa tarde


Hoje,convido vc que me segue e que me acompanha a uma reflexão sobre os atentados e a falta de integração...

Os atentados terroristas me preocupam muito e sobretudo quando vejo o crescimento,a cada dia que passa dos guetos nos países europeus,mostrando uma total falta de dialogo e sobretudo uma miopia enorme para a diversidade.

Passei parte de minha infância e adolescência na Argelia,onde meus pais estiveram exilados.Como estudei no liceu Descartes,em Argel,que tinha uma população de alunos majoritariamente oriunda da França,filhos dos chamados cooperantes técnicos e de diplomatas de outros países,conheci de perto os conflitos internos da relação com o Islamismo,religião que sempre estudei,para entender um pouco mais o que ocorria no nosso dia a dia.Fiz inúmeras viagens a França naquela época e ainda viajo frequentemente agora.Eram dois momentos diferentes:uma França que precisava de imigrantes para fazer o trabalho operacional que os franceses não queriam e hoje uma França com uma população islâmica,que foi ali nascendo ,se fixando e se tornando francesa,com os nomes de Mohamed,Toufik,Karim,Leila,Fatima,Fatiha,para citar alguns exemplos.

Durante todos estes anos,vi nascer no entorno de Paris,bairros marginais com seus hlm(habitation à loyer modere),habitações voltadas para a população mais carente,onde foram se concentrando os imigrantes ,sobretudo do Maghreb e ali crescendo,com um olhar sempre distante do povo francês e das autoridades.

A França,assim como a Bélgica viram aos poucos nascer um perigoso caldo de cultura,que foi gritando e gritando e que suas vozes não foram escutadas.Molenbeek é um exemplo na periferia de Bruxelas,assim como o subúrbio de Argenteuil,por exemplo,nos arredores de Paris.Com pouco poder de integração,foram se distanciando do moudus vivendi do país e ali criando verdadeiros guetos,onde outras ex colônias foram se inserindo.A França tem mais de 100 Molenbeek ,para nossa tristeza e precisa de uma vez por todas,entender que o xenofobismo ainda presente em parte dos nativos vai aumentar a cada dia que passa a possibilidade de dialogo.

E triste ouvir líderes de extrema direita,com discursos de que a AIDS nasceu na África ,que os estrangeiros devem retornar a seus países e olha que não estou falando da recente onda migratória que chegou,com um peso ainda desconhecido para uma vida de sobrevivência globalizada.

O Papa vem apelando,em todos seus pronunciamentos,para uma convivência pacífica das religiões.Acredito que o grande problema da humanidade está na dificuldade de aceitar o outro,com seus padrões de cultura e escolhas distintas das nossas.Os governos francês e o belga   precisam não só se unir na caça de terroristas e no policiamento ostensivo mas na busca de soluções,que passam pelo emprego,educação e saúde de tais populações.

Sinto muito,pelo que aconteceu em Paris e em Bruxelas e sou solidário aos moradores daquelas cidades mas vamos conclamar a todos que abram suas cabeças e eduquem seus filhos para o mundo da diversidade.Que as fronteiras hoje existentes nos diversos bairros europeus se abram,como aconteceu com o tratado de Schengen,que hoje corre sérios riscos de ser interrompido.

A frança já adotou controle rígido em suas fronteiras e aeroportos,controlando passaportes,o que não deixa de ser uma retirada momentânea do Mundo Schengen,e deve ser seguida por outros países nos próximos meses.

Vamos ,devagar ,entender que o mundo europeu hoje é um conjunto de religiões,padrões culturais diversos capazes de formar indivíduos pensantes e prontos para um mundo melhor,o que infelizmente não tem acontecido.Não vamos deixar que por falta de politicas publicas jovens europeus resolvam lutar ao lado das forças terroristas,muitas vezes por falta de opção e apoio em momentos críticos.

E preciso discutir....