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publicado em 22 de fevereiro de 2018 - 17h 9

Altino João de Barros vai fazer falta, não só à propaganda e ao turismo

Aristides de La Plata Cury*

Da Redação
 Aristides Cury e Altino João de Barros

Quero aqui registrar um lado do Altino que não é tão famoso: sua participação decisiva no desenvolvimento do turismo, por meio do São Paulo Convention & Visitors Bureau, onde atuou como presidente, diretor e vice-presidente, atualmente denominado Visite São Paulo, uma fundação de direito privado, Fundação 25 de Janeiro, sem fins lucrativos, responsável pela atração de turistas e visitantes, mormente por meio da captação de eventos.

Altino foi um dos primeiros a perceber que a constituição da Fundação 25 de Janeiro, em novembro de 1983, está fundamentada em dois argumentos: primeiro, embora não seja filantrópica, os benefícios sociais advindos do sucesso da empreitada são consideráveis. Afinal, uma cidade que se aprimora a bem receber visitantes, torna-se ainda melhor para quem nela reside. E segundo, embora o patrimônio próprio da instituição seja muito pequeno, o resultado de seu trabalho, ao fim e ao cabo, movimenta a capacidade instalada da cidade.

Cabe lembrar que o visitante no destino conjuga os verbos dormir, comer, comprar e visitar. E que, ao conjugá-los, o turista se desloca pela cidade, experimenta os serviços públicos e privados de transporte e mobilidade urbana, avalia aspectos ligados à segurança, sinalização e limpeza, entre outros. Trava contatos com a população e acaba por se misturar com ela. Por decorrência, impacta o patrimônio da cidade.

Tal fundamentação é moderna ainda hoje, imagine na década de 1980, quando Altino, vice-presidente da McCann Erickson, ingressou na diretoria do Visite São Paulo, pelas mãos de João Dória, então seu presidente.

Altino viabilizou a articulação entre trade publicitário e turístico, com sucesso, em diversas ocasiões, mas atingiu o ponto alto no projeto de abertura do Comércio aos domingos, prioritário dada a sua implicação na demanda de turistas para os fins de semana na cidade de São Paulo. No início dos anos de 1990, não havia consenso de que abrir o comércio aos domingos seria um bom negócio.

A estratégia encontrada pelo Visite São Paulo, sob coordenação de seu diretor Raul Souza Sulzbacher, consistiu na autorização preliminar, da abertura do comércio, em princípio, apenas nos domingos que antecediam às datas notáveis, dia das mães, dos pais, natal, etc.

A solução passava por envolver a população e tornar inquestionáveis as vantagens da liberação de todos aos domingos. Como? Quem conhece o Altino, sabe que em situações complexas como essa, ele usava a expressão “Vamos usar o bundinhas”, brincando com o personagem alemão do Jô Soares.

Altino desenhou o projeto. Os shopping centers arcavam com os custos de produção e mídia e a veiculação era praticamente de graça nas revistas da Editora Abril, de Thomaz Souto Correa, e nos jornais, como o Estadão, de Chico e Roberto Mesquita. Também as emissoras de televisão, a começar pela Rede Globo, de Octávio Florisbal, José Luiz Franchini e Willy Haas, e todas de São Paulo, sem exceção, veicularam, gratuitamente, comerciais criados pro bono pela McCann.

Cinco anos depois, o comércio aos domingos foi liberado em São Paulo e em todo Brasil, com benefícios econômicos e sociais incomensuráveis.

Além desse projeto, as parcerias construídas por Altino foram responsáveis por campanhas que deram impulso decisivo à transformação da imagem de São Paulo, além de maior cidade do país no turismo de negócios e eventos profissionais, como um destino cultural, de entretenimento, enfim, em todos os 13 segmentos, que lhe valeram a condição hors concours no prêmio Top Destinos Turísticos, desenvolvido em 2017 pela ADVB, do presidente Latif Abrão Jr., e SKÅL São Paulo. E claro, por causa da atratividade turística das compras todos os dias, inclusive aos domingos.

Aprendi muito com Altino, nos 10 anos em que exerci função executiva na Fundação 25 de Janeiro, onde convivi quase diariamente com ele.

E, tenho certeza, seriam incontáveis os testemunhos pessoais como esse meu, entre colaboradores, clientes e fornecedores, nos 70 anos dedicados por Altino à propaganda, e quase 30, ao turismo.

Mas o legado do Altino, posso afirmar sem medo de errar, não é apenas profissional. Seu exemplo de vida, além de funcionário, chefe e líder empresarial, como marido, pai e avô, cidadão carioca, brasileiro e do mundo, inspirou muita gente. Graças a Altino João de Barros, eu sou uma pessoa melhor!

Dizem que ninguém é insubstituível, mas Altino, querido amigo e irmão, você vai fazer muita falta!

*Aristides de La Plata Cury é presidente do Skål Internacional São Paulo e vice-presidente do Núcleo de Turismo da ADVB – Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil

Fonte: assessoria

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