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CONECTA FÓRUM EVENTOS
publicado em 28 de maio de 2020 -  6h 8

CONECTA FORUM EVENTOS: Secretários de Turismo debateram ações para a retomada dos Eventos em seus destinos

Ancorado pelo CEO da Eventos Expo Editora, Sérgio Junqueira, participaram da Live os secretários Arialdo Pinho (Ceará), Bruno Wendling (Mato Grosso do Sul), Dorval Uliana (Espírito Santo), Gilmar Piolla (Foz do Iguaçu, Otávio Leite (Rio de Janeiro), Pablo Barrozo (Salvador), Rafael Carniel (Gramado), Rodrigo Novaes (Pernambuco), Vanessa Mendonça (Brasília) e Vinícius Lummertz (São Paulo).

Álvaro Arantes


Ancorada por Sérgio Junqueira Arantes, CEO da Eventos Expo Editora e publisher do Portal Eventos, nesta quarta-feira (27/5) a LIVE do Conecta Fórum Eventos recebeu sete Secretários Estaduais de Turismo e três Secretários Municipais, além do empresário Guilherme Paulus (CVC), membro do Conselho Nacional de Turismo. Na pauta, as ações que os destinos brasileiros estão implementando para a retomada dos eventos no pós-Covid-19.

Entre os Secretários Estaduais, participaram Arialdo Pinho (Ceará), Bruno Wendling (Mato Grosso do Sul), Dorval Uliana (Espírito Santo), Otávio Leite (Rio de Janeiro), Rodrigo Novaes (Pernambuco), Vanessa Mendonça (Brasília) e Vinícius Lummertz (São Paulo). Já representando os municipios, participaram os Secretários Gilmar Piolla (Foz do Iguaçu), Pablo Barrozo (Salvador) e Rafael Carniel (Gramado).

Para a plateia da conferência, além dos representantes dos destinos, a Eventos Expo Editora convidou diversos gestores de eventos, dirigentes de entidades associativas e influenciadores do mercado MICE.

Com representantes dos principais destinos para eventos do país, e todas as dúvidas com a elaboração de protocolos regionais e nacionais, ações de implementação e prazos para retomada para cada setor, a LIVE atraiu grande audiência na página do Portal Eventos e em seus canais nas mídias sociais, como Youtube e Facebook, para onde o debate estava sendo transmitido ao vivo. Milhares de espectadores e centenas de perguntas esquentaram bastante a LIVE.

Confira abaixo um resumo do que cada secretário abordou durante a LIVE, e no final desta matéria, o vídeo com a íntegra da LIVE.

Arialdo Pinho: Nós vínhamos muito bem, com crescimento de 35% no internacional e em torno de 14% no nacional. Ou seja, nós paramos o trem com muita velocidade, crescendo muito forte há uns 5 anos, então ainda não tem ninguém quebrando. Estavam todos muito saudáveis.

Bruno Wendling: Nossa situação não difere da dos outros estados, é muito grave, praticamente todos os destinos com zero fluxo, zero receita. Alguns já ensaiam a reabertura, como Bonito. A gente finalizou uma pesquisa que apontou que 50% das empresas já demitiram ou pretendem demitir. Nós acreditamos que este é um ano de sobrevivência do setor.

Dorval Uliana: Temos uma realidade muito dura em relação à Covid-19, mas o trade vem resistindo. Nossa hotelaria está mantendo uma ocupação entre 8% a 12%, em função do peso do setor de negócios. Nosso Turismo é 50% lazer, 50% negócios. Bares e restaurantes estão funcionando, porque foram considerados essenciais, colocando toda a sua criatividade para atuar com delivery. O setor de Eventos foi duramente atingido, até porque foi proibido por decreto. Há uma enorme pressão do nosso agroturismo, que tem um apelo no nosso público interno muito forte, convidando os capixabas a visitar as montanhas. Estamos otimistas com a retomada.

Gilmar Piolla: Foz do Iguaçu tem uma situação relativamente tranquila em relação à Covid-19. São 122 casos positivos, 7 pessoas internadas em enfermarias e UTIs e 3 óbitos. Fizemos um isolamento de 30 dias, o comércio retomou as atividades há mais de 40 dias e construímos um protocolo de segurança sanitária para cada segmento do Turismo. Dia 8 de maio o prefeito Chico Brasileiro assinou um decreto instituindo esses protocolos, um plano de retomada do Turismo, com ações de curto, médio e longo prazos e também um cronograma de retomada. Dia 11 de maio os hotéis executivos que se adequaram aos protocolos foram autorizados a voltar, eles assinaram termos de responsabilidade sanitária. E agora, no próximo dia 10 de junho, nós temos previsto o reinício dos passeios turístico nos atrativos e também o funcionamento dos resorts. No dia 28 de julho temos prevista a reativação dos eventos de pequeno porte, até 400 pessoas. Foz foi uma das cidades que mais fez testagem no Paraná, mais de 2100 testes nos dois laboratórios habilitados na cidade. Fomos a primeira cidade a tornar obrigatório o uso de máscaras, ou seja, a cidade se cuidou, inclusive com fronteiras fechadas. Agora, a partir do dia 10, vamos instalar barreiras sanitárias em todos os pontos de entrada. Nessas barreiras haverá uma busca ativa de casos sintomáticos. Quem apresentar algum sintoma será convidado a fazer um teste, em caso positivo segue o isolamento.

Otávio Leite: Fomos todos abatidos em pleno voo. O Rio vinha numa retomada muito satisfatória. Eu fico imaginando o Ceará, depois de muito trabalho do Arialdo, que, justiça seja feita, saiu do zero para colocar o estado rodando o mundo todo. Todos nós voltamos para a estaca zero. O que interessa é a retomada, que será pelo turismo de proximidade, num primeiro momento, depois o turismo doméstico, que será um desafio para todos nós: o Brasil para os brasileiros, o Brasil não conhece o Brasil como cantava Elis Regina. Há muito a fazer em função do bloqueio dos fluxos ao exterior. Mas para esse trabalho são necessários certos apoios. Temos que contar com mecanismos de promoção interna, porque as portas vão se abrir e a gente tem que estar preparado. O que Foz já está fazendo em termos de medidas profiláticas todos nós teremos de fazer. Nós aqui no Rio estamos findando essa titulação. Mas para tudo isso são necessários recursos. Houve a migração da velha para a nova Embratur, bandeira içada pelo Vinícius, mas sem recursos. Deveria haver recursos do Fundo Nacional da Aviação Civil, da tarifa de embarque (20 dólares). Seriam S$ 200 milhões para a nova Embratur. Mas o presidente vetou, o que é lamentável. Temos que recuperar essa fonte para a Embratur, para que ela invista nessa retomada, primeiro com o turismo de proximidade, depois o regional e o nacional.

Pablo Barrozo: Aqui em Salvador nós temos 5% dos hotéis ocupados. Eles não fecharam, mas não há ocupação. Mas cada cidade e estado tem uma realidade diferente. A nossa realidade é de crescimento da doença, apesar de todos os esforços. Mas nós estamos preparados para a retomada, com várias obras em andamento em plena Covid. Nós ficamos muito tristes porque nós ficamos muito tempo sem um Centro de Convenções e nós inauguramos o nosso em janeiro, com agenda lotada. Mas a minha mensagem é de otimismo, apesar de toda essa dificuldade.

Rafael Carniel: Em Gramado nós temos 8 casos confirmados e nenhuma morte, por isso acabamos de reabrir a cidade no dia 8 de maio. Nós vínhamos numa crescente muito interessante, inclusive no internacional e latino-americano de forma expressiva. Nós iniciamos este ano muito bem, com crescimento de 21% do Natal Luz. Nós fechamos de forma antecipada no dia 20 de março e ficamos dois meses em quarentena. Na metade de abril reabrimos os restaurantes, com uma série de restrições, e uma reabertura parcial do comércio. No dia 8 de maio reabrimos nossa hotelaria com 50% da capacidade, seguindo uma série de protocolos, da OMS, outras boas práticas observadas ao redor do mundo e orientações da Vigilância Sanitária e do ministério. Na hotelaria temos restrições a brinquedotecas, piscinas, saunas, café da manhã apenas nos quartos. Os restaurantes exigem distanciamento. Estamos investindo em barreiras sanitárias, medição de temperatura, aderimos ao smart tracking, que rastreia casos de covid, uso obrigatório de máscaras, e estamos trabalhando desde abril nos selos de certificação. Nós iniciamos um trabalho junto às instituições financeiras para viabilizar linhas de giro para as empresas, com carência para após o Natal Luz, através do Sebrae oferecemos a todo o trade consultoria online, com palestras sobre gestão de crises, cursos e webinars gratuitos. Estamos trabalhando agora nos protocolos do Festival de Cinema e do Natal Luz. Nós vamos ter o Fórum Gramado de Estudos Turísticos, em agosto, que pretende discutir toda a situação do novo Turismo, nacional e mundial, com versão online.

Rodrigo Novaes: Pernambuco ocupa a infeliz quinta colocação em número de casos de covid. A boa notícia é que parece que o lockdown, que acabará no final desta semana, gerou bons resultados, com uma diminuição importante no número de casos, o que nos leva a crer que possamos ter atingido o pico, se é que só existe um pico nessa doença. A gente vem mantendo contato com todos os parceiros da iniciativa privada, desde os grandes empregadores até os mais vulneráveis. Em relação a estes últimos, nós fizemos um trabalho de assistência aos guias e condutores de turismo através da Agência de Fomento Estadual, com uma linha de crédito de R$ 3 milhões, com juro reduzido e estendido, porque eles não estão faturando nada, e fazem parte da nossa cadeia e da estruturação da atividade. Estamos discutindo com todas as entidades os protocolos necessários, além do nacional. Como todos, nós fomos feridos de morte. Nós temos uma agenda cultural muito forte e neste ano não houve Semana Santa, a Paixão de Cristo, de Nova Jerusalém, o maior teatro ao ar livre do mundo, teve que ser cancelada. Agora em junho, nós, como quase todo o Nordeste, teríamos grandes eventos juninos, mas pela primeira vez não haverá festa de São João em Pernambuco. Os turistas irão voltar, porque nossa cultura continua forte, nossas paisagens, nossas praias, nossas belezas, mas a preocupação é quando os eventos poderão voltar. Estamos muito dependentes das autoridades sanitárias, o que gera muita angústia, por não termos as rédeas dos nossos destinos. A gente só vai retomar quando as autoridades sanitárias disserem que pode. Nessa retomada, a preocupação que fica é como ficará o apoio do Governo Federal, porque os orçamentos dos estados foram todos concentrados no combate à covid. Portanto, é preciso que o Governo Federal tenha essa sensibilidade para ajudar nessa retomada, com qualidade e celeridade.

Vanessa Mendonça: A situação que estamos vivendo acho que nem em filme eu já havia visto. O turismo nunca precisou tanto de ação, providências e união. Em Brasília, desde o ano passado nós começamos um trabalho de reestruturação, qualificação e promoção. Brasília, a capital do país, ficava absolutamente fora de todas as ações de promoção e participação de posicionamento de destino turístico e tivemos uma evolução e conquistas muito importantes este ano. Tivemos um incremento de turistas internacionais de 40%, novos voos internacionais. Em novembro e dezembro fizemos encontros com 350 empresários nacionais e locais para celebrar o aniversário de 60 anos de Brasília, que foi no dia 21 de abril. Fomos a primeira cidade a decretar o fechamento, no dia 13 de março, o que foi muito bom, pois hoje temos a menor taxa de letalidade, 123 óbitos. Nós abrimos uma linha de crédito com o Banco Regional de Brasília, especialmente para o Turismo, de mais de R$ 1 bilhão, que já superou R$ 2 bilhões. Nós criamos um movimento “Juntos por Brasília, Juntos pelo Turismo”, com 19 entidades. Na semana passada, eu lancei, junto com o setor hoteleiro, o Programa Acolher, em que a Secretaria de Turismo contrata milhares de diárias para que os profissionais de saúde se hospedem. Ontem eu lancei um Programa para os profissionais de execução penal, que atuam na Papuda. São mais de 400 profissionais que terão a oportunidade de sair de seu local de trabalho e se hospedar com recursos oficiais e com uma modelagem criada pela secretaria de Saúde. Com isso, conseguimos dar um fôlego para os hotéis. É um momento muito difícil, mas eu vejo na iniciativa privada, nos nossos pares do setor uma vontade como eu nunca vi, de realizar junto com a gente. A minha fala também é de muito otimismo, de ação.

Vinícius Lummertz: Se juntarmos tudo o que já foi falado aqui, é um mosaico, nós estamos juntando todas as nossas experiências. No ano passado, em um trabalho que fizemos em São Paulo, nós chegamos a um crescimento de 5,4%. Nós só não ganhamos do Arialdo, mas a nossa base é consideravelmente maior. Então foi um resultado muito grande, 50 mil empregos. Nesse quadro, a covid foi um balde de água fria. Mas a vida é feita dessas coisas. Assim como o Ceará está sofrendo, por ter uma ligação com o mundo, São Paulo sofre por ter uma conurbação grande – cidade, metrópole, macrometrópole -, com um movimento pendular muito grande de ida e volta, e mais, superestradas para o interior que levam e disseminam a doença. O front que foi montado em São Paulo é muito técnico, são 18 infectologistas, 3 consultorias internacionais, toda a USP envolvida e chegamos, hoje, a esse modelo de saída, com cinco níveis diferentes e todas as regiões com cores diferentes e suas metas. Prefeitos e regiões poderão gerenciar esse caminho, enquanto o vírus não está domado. A multiplicação em São Paulo está em 1,4 e nós deveríamos estar em 1. No entorno de São Paulo ainda há muitos municípios com problema, enquanto na cidade de São Paulo caiu muito já. O retorno virá e as taxas de crescimento – e isso é um paradoxo, até uma contradição – serão muito altas. Porque quem caiu a 5% do que era, evidentemente que quando crescer vai crescer a 20%,30%, 40%, 100%, porque o capital bruto existe, o Turismo não desapareceu, o que desapareceu foi a tração, o capital de giro, mas o hotel está lá, os ativos não foram destruídos por uma guerra, eles existem. Quanto mais tempo demorar o processo como um todo, e nós temos até a fase azul, e mais rapidamente nós sairmos, mais robusto será o nosso retorno para dentro desse “novo normal” que vai ter as precauções todas. Eu queria fazer uma observação que é sobre oportunidade. Nós temos que nos conscientizar que o nosso Turismo tem um dos piores ambientes de trabalho do planeta. A oportunidade que nós temos agora é, se nos juntarmos para fazer as dezenas de reformas e conseguirmos sobreviver na saída, poderemos estar bem melhores daqui a 3 ou 4 anos do que estaríamos se não houvesse uma crise que viabilizasse as reformas. Esta para mim é a segunda parte da novela. A primeira é sair bem disso tudo. Mas existe uma grande oportunidade de modernizar o ambiente de negócios para marinas, parques naturais, parques temáticos, privatização de aeroportos, resorts integrados. Não temos que ter timidez sobre uma agenda corajosa. Medo nós temnos do coronavírus, do crime organizado, do desemprego, não devemos ter medo do investimento em marinas, parques naturais, parques temáticos, privatização de aeroportos, resorts integrados, pousadas. Eu estou tentando alertar aqui para a grande oportunidade que só as crises permitem, que é derrubar o conservadorismo atávico, tinhoso, que diz que quer mudar, mas não muda e fica tudo como estava.

Guilherme Paulus: Na Crise eu sempre digo que a gente deve cortar o S e ficar com o Crie. O que eu escutei de todos os secretários foi uma coisa fantástica, todos estão muito motivados em criar um novo ambiente. Uma pergunta que a gente faz é quando voltará a normalidade. Só depois da vacina. Mas a partir de setembro, outubro, novembro ou dezembro nós estaremos vivendo uma nova vida. Além do desafio de resgatar a confiança do consumidor, a volta das viagens vai exigir uma nova forma de atendimento, de receber o cliente de uma forma mais humanizada. O digital avança de uma forma muito importante no processo de multicanalidade. Pós vacina nós vamos ter um novo mundo e nós vamos ter que descobrir o tamanho do bolso do nosso consumidor.

Após os depoimentos de todos os secretários sobre a situação vivida pelos seus estados e municípios, o Sergio Junqueira passou para as perguntas da audiência das mídias sociais. Confira abaixo a íntegra da LIVE.


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