Canais
CONECTA FORUM EVENTOS
publicado em 26 de junho de 2020 -  5h37

Conecta Fórum Eventos debateu a retomada das Feiras, motor da economia brasileira

LIVE do Conecta Fórum Eventos reuniu executivos de empresas promotoras de feiras para debater os passos que estão sendo tomados visando à retomada.

Álvaro Arantes

A pandemia da Covid-19 trouxe uma nova realidade para o mundo e para a economia global. Junto com ela veio uma crise sem precedentes, e a indústria de Eventos e Turismo foi uma das mais afetadas.

Diante disso, como o setor de Feiras está se preparando para retomada? Quais medidas foram tomadas para mitigar os efeitos para as próprias empresas, seus colaboradores e clientes?

Para debater o tema, a LIVE do Conecta Fórum Eventos desta última quarta-feira (24) convidou executivos das principais empresas promotoras de feiras do país.

Ancorada por Sérgio Junqueira Arantes, CEO da Eventos Expo Editora e Publisher do Portal Eventos, e mediada por Armando Campos Mello, presidente executivo da Ubrafe, e Marcos Araújo, diretor executivo da Eventos Expo Editora.

Participaram da LIVE Carlos Correa, da APAS; Eduardo Zorzanello, do Festuris Gramado; Hélvio Madeira, do Grupo Febratex; João Paulo Picolo, da Nürenberg Messe Brasil; Jorge Souza, da Couromoda; Marcelo Ribeiro, da Reed Exbitions; Marco Basso, da Informa Markets; Maurício Macedo, da Cipa Fiera Milano, e Renato Orensztejn, da ABCasa.

Na plateia, participaram diversos convidados VIP, como Abdala Jamil Abdala, presidente do Conselho da Ubrafe, Leila Bueno, presidente da Abrace, Ricardo Dias, presidente da Abrafesta, Paulo Ventura, diretor executivo do Expo Center Norte, Ana Luísa Diniz Cintra, diretora do Centro de Convenções Rebouças, Daniel Galante, diretor do São Paulo Expo, Cesar Tsukuda, da feira Beaty Fair, e Antonio Carlos Polentini, diretor executivo da Associação Catarinense de Supermercados, promotores da maior feira de varejo de Santa Catarina, além de diversos gestores de eventos, de empresas contratantes de eventos.

Transmitida ao vivo para o site www.PortalEventos.com.br e nos canais do Portal Eventos no Youtube e Facebook, a LIVE foi dividida em dois blocos: no primeiro os convidados responderam a uma rodada de perguntas formuladas pela equipe do Conecta Fórum Eventos. No segundo bloco, Sergio Junqueira abriu para as perguntas da plateia presente na plataforma de videoconferência e da audiência nas mídias sociais. Confira abaixo um resumo do primeiro bloco.

Por que os alemães chamam as feiras de “motor da economia” de um país?

Hélvio Madeira (Grupo Febratex): Porque depois da II Guerra Mundial foram as feiras que reativaram a economia da Alemanha, suas cidades e suas indústrias. Nós, promotores de feiras, aproximamos quem tem de quem precisa. E quando realizamos isso trazemos resultados para as cidades, para as regiões, para a geração de impostos nos municípios, além da importância das feiras na questão intelectual, no desenvolvimento cultural, industrial, comercial. Nós sabemos quantas pessoas dependem do setor feiras e congressos, envolvendo hotelaria, gastronomia, mobilidade, toda a prestação de serviços ligados à execução de uma feira. Quando se projeta uma feira, inicia-se uma onda de geração de negócios e é por isso que temos que voltar às atividades o quanto antes.

Qual a semelhança entre um shopping e uma feira?

Jorge Souza (Couromoda): São muito semelhantes. Assim como uma feira montada, um shopping é também uma estrutura predial, esta feita para lojas físicas, mas ambos seguem a mesma lógica, o mesmo caminho. Numa feira nós temos os pavilhões com estacionamento, entradas, rotas de circulação e rotas de fuga, hidrantes, praças de alimentação, pronto-socorro, ambulâncias, ou seja, é um conjunto muito semelhante. A grande diferença é que o shopping recebe um público não identificável, diverso, enquanto a feira recebe um público qualificado, identificável, com o controle da visitação. Nós sabemos quem vem, são pré-credenciados. No fundo, são complexos muito assemelhados, só que um se movimenta, de acordo com a característica da feira, e o outro é fixo.

Sérgio Junqueira observou que "Tem outra diferença muito importante: no shopping Center Norte circulam 2 milhões de pessoas por mês e nos seus pavilhões 2 milhões por ano. Ou seja, pela lógica, as feiras deveriam ter voltado antes dos shoppings".

Você poderia nos dar um exemplo do impacto de uma feira em um segmento econômico?

Marcelo Ribeiro (Reed Exhibitions): O exemplo que eu vou dar é da Fenatran, que reúne todas as montadoras de caminhão e fabricantes de implementos. No final dessa feira a gente costuma ouvir dos executivos das montadoras que elas venderam de 10 a 11 meses de produção durante a feira. Os implementadores chegaram a vender na feira de 2019 mais de um ano de produção. Ou seja, é um impacto muito grande. Alguns setores se utilizam quase exclusivamente das feiras para realizar os seus negócios.

As feiras também podem ser consideradas pelo seu valor educacional para aqueles que as frequentam?

Carlos Correa (APAS): O setor de supermercados é menos profissionalizado do que a indústria. Até por conta de muitas multinacionais, que, ao longo do processo de industrialização brasileira, nos deixaram aquém do necessário desenvolvimento profissional. O conteúdo que é levado para um evento - e nós já chegamos a realizar 150 palestras em um único congresso da Apas, com mais de 4 mil participantes -, é a forma que a Apas encontra para praticar a missão institucional da entidade dentro de um evento. Isso é fundamental porque um congresso se desenvolve em cima das melhores práticas, das tendências e da inovação. Mas é durante as visitas aos estandes que acontece a troca, que faz com que aquele conhecimento seja multiplicado em todos os níveis hierárquicos. O Centro de Convenções da Apas já foi premiado diversas vezes pelo Prêmio Caio, o que demonstra o quanto nós estamos preocupados com a educação e com o conteúdo. Não existe momento melhor para isso do que numa feira, num congresso.

Junqueira explicou que a pergunta foi elaborada em função da afirmação feita no Fórum Eventos de 2019, por David Dubois, presidente da International Association of Exhibitions and Events – IAEE: o nosso setor é a maior universidade do mundo. "As pessoas saem mal preparadas das escolas e universidades e vem complementar o seu aprendizado nos eventos, continuando a aprender pelo resto da vida", disse o âncora do Conecta Fórum Eventos.

Quais protocolos estão previstos para as feiras voltarem com segurança para os participantes e os que nelas trabalham?

Marco Basso (Informa Markets): Todo o setor está preparado. O protocolo que a Ubrafe entregou para o governo engloba todos os aspectos de segurança necessários para garantir um bom ambiente dentro dos pavilhões. Assim como já foi dito, os shoppings são feiras permanentes, enquanto as feiras são itinerantes. E tudo que é necessário está programado para quando as feiras voltarem: teste de temperatura nas entradas, máscaras para todo mundo, posto de saúde, álcool em gel, alimentação em lugares reservados, com recipientes descartáveis. Ou seja, tudo que já foi apresentado pelo mercado como protocolo de segurança será utilizado pelas feiras, garantindo um ambiente seguro. Como limitação de altura dos estandes para facilitar montagem e desmontagem, proibição de alimentação nos estandes, limitação da densidade de pessoas, credenciamento online para evitar filas, e muitas outras medidas já aceitas pelo governo. Nós só estamos esperando que o governo permita a volta das feiras. Na nossa avaliação, as feiras são um ambiente mais controlável do que um shopping, que já puderam reabrir. A cada semana que passa sem a volta dos trabalhos, o setor corre um risco exponencial, na minha opinião.

Os protocolos de segurança devem ser iguais numa feira B2B e numa B2C?

Eduardo Zorzanello (Festuris): Em linhas gerais o regramento vai ser muito parecido para ambas. O que eu acho que vai ser um pouco diferente será o comportamento dos participantes de uma e de outra. Uma feira com foco no B2B atrai profissionais acostumados com ambientes controlados, com organização, muito mais critério e regramentos. Quando se fala em eventos B2C, com foco no consumidor final, estamos falando de um público acostumado com um pouco mais de aglomeração, a não ter tanto distanciamento controlado. Neste último caso, creio que os promotores poderão ter um pouco mais de dificuldade de administrar as situações.

Dada a vedação de comercialização de alimentos e bebidas nos estandes, isso acarretará prejuízo aos expositores pela diminuição do tempo de permanência no estande e na feira, além do fato de as pessoas que trabalham nos estandes não poderem tomar água?

Renato Orensztejn (ABCasa): Eu acho que a maior qualidade dos brasileiros é a sua criatividade e a capacidade de achar soluções alternativas dentro das opções seguras que nos serão exigidas por algum tempo. É evidente que nenhum expositor vai deixar seu funcionário sem acesso a uma água. Mas também para os visitantes nós vamos ter que achar a fórmula correta e aceitável de fazer isso com qualidade, porque se não for possível nenhum tipo de alimentação e água, seja no estande ou na feira, o prejuízo será gigantesco na visitação, porque as pessoas têm as suas necessidades fisiológicas - fome, sede -, durante horas a fio durante um evento. Com certeza, deverá haver alguma coisa em termos de delivery, o que ainda não está claro é aonde as pessoas vão poder se alimentar, com a questão de distanciamento de mesas. É importante que se resolva logo as questões de regras e datas, está tudo muito nebuloso ainda. Se não houver uma boa dose de criatividade para contornar as limitações necessárias, haverá um enorme prejuízo, mas não acredito que não sejamos capazes de criar soluções criativas para isso. A gente precisa de regras claras para que possamos nos adaptar a elas. Nós somos otimistas por natureza, por isso não jogamos a toalha e mantemos a data do nosso evento no segundo semestre.

O prazo para retorno para os eventos B2B e B2C serão os mesmos?

João Paulo Picolo (Nürenberg Messe Brasil): Muita gente pode achar que não, por uma razão óbvia, a quantidade de público do B2C é muito maior, mas eu me atrevo a responder de uma forma diferente. Não é tão simples assim considerar que é a mesma coisa ou não. O evento B2B, pela sua natureza, tem ambiente controlado, é um evento restrito, mais exclusivo, só para convidados, enquanto no B2C a audiência é sempre maior, mas será que não conseguimos trabalhar de uma forma diferente com o B2C, com um número reduzido de participantes, ou mesmo um evento exclusivo. Aí entra o aspecto financeiro e comercial, seria interessante um evento com esse perfil? É uma resposta muito difícil, pois é um cenário novo, bastante complexo. Tem que avaliar perfil, mercado, público.

Haverá mudanças na sua relação com os fornecedores, em especial com as montadoras de estandes?

Maurício Macedo (Cipa Fiera Milano): Com certeza haverá mudanças. Não dá para precisar ainda com qual profundidade, porque, como já foi dito, é fundamental ter regras claras para que possamos nos adaptar a elas. Mas o setor vem se organizando de uma forma muito rápida, ágil, com muita adaptabilidade, o que demonstra o nosso interesse em voltar o mais rápido possível. Essa analogia com os shoppings acho perfeita. Mas deverá haver algumas alterações, a própria configuração dos estandes, período de montagem, aglomeração de profissionais das montadoras, o que pode levar a uma simplificação nas montagens, otimizando prazos, mas também uma dilatação do tempo de montagem para evitar aglomeração. Tudo ainda está em análise e validação. O que a gente precisa é um alinhamento mais definitivo com o poder público para poder se planejar com base na validação das regras.

Qual o prejuízo para o setor e para a economia desde que a quarentena foi estabelecida?

Jorge Souza (Couromoda): Este prejuízo é incalculável, pois envolve toda uma cadeia que precisa ser recuperada. É preciso levar em conta que uma boa parte das empresas expositoras, clientes preciosos, se perdeu pelo meio do caminho, com difícil recuperação. E este é o momento em que as feiras serão um fator preponderante de impulso aos negócios, como porta de entrada para o novo normal. Um balanço à luz dos números não irá quantificar toda a perda. Pode ser qualquer número. Quanto tempo? Quanto dinheiro? Não é possível calcular, pois para muitos houve a perda do trabalho de toda uma vida de sonhos e oportunidades. Impactou o moral da tropa. Todos teremos que retornar e reconstruir. É preciso um novo protocolo de processos, cooperação e uma visão maior do que números. Desde combinar respeito à natureza, e as pessoas e os negócios.

No segundo bloco, Sérgio Junqueira Arantes abriu para as perguntas da plateia presente na LIVE e da audiência do Youtube e Facebook.

Ao final da LIVE, Armando Campos Mello, presidente executivo da Ubrafe, fez um over view do segmento, e dos esforços que a entidade e seus associados estão fazendo de conscientização das autoridades públicas da importância do setor e da urgência da retomada das atividades. Após a LIVE, Mello disponibilizou um documento com um resumo das atividades da entidade nos últimos meses, e a proposta de um protocolo enviada pela Ubrafe e outras entidades para as autoridades públicas, como base para a elaboração de um protocolo oficial para todo o setor. Os dois documentos podem ser baixados logo abaixo desta matéria, em ANEXOS.

Confira abaixo a íntegra da LIVE Conecta Fórum Eventos | Feiras: a retomada do motor da economia no Brasil.


Veja também:

03/07/2020
Conecta Fórum Eventos: Promotores de shows debateram retomada dos grandes shows, inclusive Carnaval
LIVE do Conecta Fórum Eventos reuniu executivos de empresas promotoras de shows para debater os passos que estão sendo tomados visando à retomada.
02/07/2020
3a Live Happy Hour Musical Conecta Fórum Eventos
Fique em casa. Conectado!
23/06/2020
Setor de mobilidade corporativa apresenta tendências para o pós-Covid-19
LIVE do Conecta Fórum Eventos reuniu executivos das principais redes do segmento rent a car do país (Localiza, Movida e Unidas), de mobilidade corporativa (CEP e Shift) e prestadores de serviços para o setor (April e GTA), além do SindLoc-SP.
19/06/2020
Conecta Fórum Eventos: Principais Hotéis de Luxo do país debateram a importância das Viagens de Incentivo
A Live recebeu Carolina Mogames (Belmond); Celso do Valle (Palácio Tangará); Melissa Fernandes (Unique); Guilherme Paulus (Saint Andrews Gramado); Michael Nagy (Fairmont); Rodrigo Lins (Nannai); Simone Mariote (Preferred).
Newsletter
Receba as novidades