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CONECTA FORUM EVENTOS
publicado em 22 de maio de 2020 -  2h33

Conecta Fórum Eventos: Ron Davidson falou nesta quinta-feira sobre o futuro dos eventos no Brasil

Ancorado pelo publisher Sérgio Junqueira e com moderação de Vanessa Martin, o Conecta Fórum Eventos recebeu Rob Davidson, MICE Education com mais de 50 anos no mercado MICE, diretamente de Londres.

Da Redação

Nesta quinta-feira (21), a edição semanal do Conecta Fórum Eventos Internacional recebeu o speaker inglês Ron Davidson, um dos maiores especialistas na indústria MICE do mundo.

Ancorada por Sergio Junqueira Arantes, CEO da Eventos Expo Editora e publisher do Portal Eventos, e moderada por Vanessa Martin, diretora da VM Consultoria, esta é quarta LIVE internacional do Conecta Fórum Eventos. Com patrocínio da Midiacode e pela Vice Versa Tradução Simultânea, as três primeiras LIVEs internacionais do Conecta Fórum Eventos recebeu Shawna Suckow, Linda Pereira e Corbin Ball.

Em 2013, Rob Davidson participou da edição inaugural do Fórum Eventos, realizado pela Eventos Expo Editora. Desta vez, Davidson retornou, de forma virtual para falar do Covid-19 e o futuro do mercado de eventos, com um foco no Brasil.

Seu estudo, que é muito extenso e foi resumido durante a LIVE, pode ser acessado nas mídias sociais através da #miceknowledge.

"Vou falar um pouco sobre o que está acontecendo no mundo hoje e também sobre o futuro dos eventos. Se pensarmos a médio e longo prazos eu sou bastante otimista", afirmou na abertura.

Davidson abriu falando do curto prazo. Diante do inesperado da pandemia do Covid-19, temos que prever o que faremos a seguir.

A pergunta que todos querem ver respondida é: quando será a retomada? Quando as feiras, exposições, conferências, viagens de incentivo poderão retornar? Davidson afirmou não ter a resposta, e que estamos todos nas mãos dos cientistas e especialistas. "Mas é fácil imaginar que nós temos 3 estágios diferentes".

No momento, boa parte de nós está ainda no primeiro estágio, dos cancelamentos: adiamentos dos eventos, alguns para 2021, em que boa parte dos governos proibiram os eventos e reuniões.

O próximo estágio será o da realização de alguns eventos, assim que forem permitidos. Entretanto, certamente haverá a limitação das medidas de distanciamento social. Quem trabalhar nesses eventos terá que se paramentar com vestimentas específicas e equipamentos de proteção individual, os EPI´s. Ou seja, não será uma época normal, será apenas o princípio da retomada.

Já no estágio três, que todos esperamos com ansiedade, será quando eventos retornarão à sua forma pré-Covid, da forma que conhecemos e com a qual nos acostumamos. Sobre esta fase eu gostaria de dizer que as coisas nunca mais retornarão ao antigo normal. Algumas mudanças serão permanentes. Essa pandemia, infelizmente, mudou para sempre o nosso setor.

Eventos corporativos - Ron Davidson afirmou que, em sua opinião, a retomada desses eventos corporativos vai depender muito da confiança no setor de negócios. O nível de confiança dessas empresas na retomada, nos investimentos em eventos, vai depender das suas margens, pois todas foram brutalmente afetadas. "Elas retomarão as suas atividades, mas estarão mais empobrecidas. Não irão fazer nada extravagante, dependendo de suas finanças e do que esperam para o futuro".

Davidson destacou que, neste momento, claramente muitas empresas estão migrando para as eventos virtuais. "Honestamente, eu acho que boa parte dessas empresas irão continuar a usar essas ferramentas, porque vão descobrir que muitas dessas reuniões correm bem nesse ambiente virtual". Reuniões menores, mais curtas, com 10 participantes que já se conhecem, sem necessidade de networking. "Portanto, sejamos honestos: alguns eventos nunca serão retomados, mas boa parte será. Estou falando de um tipo muito específico de evento: aqueles curtos, em que todas as pessoas já se conhecem. Estas continuarão a ser virtuais, pois as empresas descobriram esse modelo é viável".

Outras reuniões serão híbridas, com algum volume presencial e muita gente acompanhando nos quartos dos hotéis ou de casa.

NA visão do speaker, os primeiros eventos serão locais. Uma empresa de São Paulo não irá para muito longe. Realizará um evento fora da empresa, mas em um hotel da cidade. Um pouco depois atingiremos uma escala nacional, num mesmo país.

Já os eventos internacionais irão demorar mais a voltar a acontecer normalmente. Seja por questões econômicas, pois é mais barato realizar um encontro no seu próprio país, seja por questões sanitárias, com a imposição de quarentenas de duas semanas por alguns países antes de aceitar a entrada de turistas. "Sob esta perspectiva, os eventos nacionais irão crescer primeiro".

E aí virá o estágio final: ampliação da escala internacional.

A boa notícia é que, depois da pandemia, os eventos corporativos terão uma grande demanda, como treinamento de novos colaboradores. Além disso, depois de um tempo longo em que os colaboradores estiveram separados, eles precisam ser reunidos novamente. Haverá um grande investimento para retomar o trabalho em equipe.

Outra questão importante a se avaliar é se as pessoas estarão monetizadas para desembolsar 500 euros para participar de um evento de sua associação profissional. Creio que muitos desses eventos serão mais híbridos. "Infelizmente para a indústria de eventos, muitas pessoas esperarão algum tempo para participar dos eventos ou o farão à distância".

Ron Davidson explicou que alguns países foram muito eficazes no controle da pandemia, como Portugal, Dinamarca e Alemanha, e poderão se tornar mais atrativos para a realização de eventos. "Mas será que eles vão querer atrair gente de países, como o meu, que não foram tão competentes no controle?"

Uma boa notícia é que, certamente, haverá uma enorme demanda por conferências sobre saúde e questões sanitárias por um bom tempo.

Outra boa notícia é que, a exemplo da Alemanha, muitos países estão considerando as feiras comerciais de uma forma mais flexível do que os grandes shows de rock, por exemplo. As feiras já estão sendo autorizadas, com limitações.

Na avaliação do especialista, as viagens de incentivo serão o último setor a se recuperar da paralisação gerada pela Covid-19. Ele não vai se recuperar enquanto essa experiência não for prazerosa, sem as limitações impostas pela pandemia.

Algumas coisas mudarão de forma permanente. Algumas tendências que já existiam antes da pandemia foram exacerbadas por ela, como a questão ambiental. "No caso dos eventos, creio que haverá muito mais demanda por respeito ao meio ambiente", avalia Davidson.

Também a questão da responsabilidade social corporativa. Não é algo novo, mas será intensificado como resultado da pandemia. "Nunca ficou tão evidente como dependemos de médicos, enfermeiros, motoristas de ônibus, atendentes de supermercados, lixeiros".

"Creio que também haverá menos extravagâncias, seja por limitação financeira, seja porque esses tempos de pandemia mostraram que as extravagâncias não são algo desejável. Haverá muito menos disto", pondera.

Ao mesmo tempo em que haverá uma grande valorização da tecnologia para substituir as reuniões presenciais, caberá ao mercado criar um business case muito forte para valorizar as reuniões presenciais. "Há muitas limitações com os eventos tecnológicos, e mesmo quando tudo dá certo, nunca há o mesmo nível de engajamento numa reunião online".

No encerramento da palestra, Rob Davidson recomendou leitura de dois livros para quem quiser saber mais a respeito de business events: o primeiro, de sua autoria, em inglês. O segundo, em português, de autoria de Vanessa Martin.

Confira a LIVE completa de Ron Davidson, incluindo o debate da parte final e o bloco de perguntas e respostas que vieram através das redes sociais. O Conecta Fórum Eventos disponibilizou duas versões da LIVE: uma com o áudio original do palestrante em inglês, e uma segunda versão, com tradução simultânea da profissional Marly Moro, patrocinado pela Vice Versa Tradução Simultânea. Confira as duas versões abaixo.



Fonte: assessoria

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