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publicado em 20 de maio de 2018 - 20h33

Morre Armindo Dias

Dono do 'The Royal Palm Plaza' foi incansável empreendedor e teve vida de dedicação a Deus, à família e ao trabalho.

Da Redação
 Armindo Dias, fundandor do Royal Palm Plaza

Faleceu neste domingo (20), de causas naturais, o empresário português Armindo Dias, fundador do Grupo Arcel (holding que detém o Royal Palm Hotels & Resorts, concessionárias de veículos do Grupo Tempo, agência MKT Contemporâneo e empreendimentos imobiliários). Aos 86 anos, ele deixa a esposa Célia Dias, 4 filhos e 10 netos.

"É com profundo pesar que a família Dias comunica o falecimento do sr. Armindo Dias. Ele chegou ao Brasil em 1956, quando iniciou sua trajetória empreendedora no país e na cidade de Campinas, onde deixa um grande legado", diz a nota do Royal Palm Hotels & Resorts.

"Ele estava feliz na manhã de hoje e teve parada cardiorrespiratória às 14h. Foi em paz ao lado de pessoas que o amavam muito. Deus certamente acolherá esse homem de tanto valor e que fez tanto por tantas pessoas. Obrigado a todos pelo carinho", escreveu o filho Antonio Dias em seu Facebook.

“Antes de tudo, um grande ser humano. Pai e esposo amoroso, soube preparar seus filhos para dar continuidade à sua obra. Empreendedor em série, desde que chegou ao Brasil desenvolveu inúmeros negócios, todos plenos de sucesso. Armindo, aos 86 anos, teve oportunidade de ver em funcionamento seu último sonho, o Royal Palm Hall, o maior centro de convenções do Brasil”, diz o acadêmico Sérgio Junqueira de Arantes, publisher da Revista Eventos e criador do Prêmio Caio. "É uma perda irreparável para todos aqueles que acreditam no valor trabalho, especialmente para nós do setor de eventos", lamenta.

"Sem dúvida um grande exemplo de trabalho honesto, dedicado e perseverante. A indústria do Brasil, os comerciantes e nós hoteleiros devemos muito ao teu pai. Vocês acreditam no nosso país e a despeito dos difíceis períodos que nação passou e passa, nunca pararam de investir, inovar e proporcionar ao país uma das melhores infraestruturas hoteleiras e de eventos. Que o exemplo do senhor Armindo se eternize e se propague para as próximas gerações". Eraldo Alves, secretário executivo do Conselho Empresarial de Turismo da CNC. 

"O Sr. Armindo Dias é um brasileiro que orgulha nossa terra! Veio para o Brasil e muito contribuiu para construção da Nação Brasileira!" Anita Pires, ex presidente da Abeoc Nacional e diretora da Pires & Associados Assessoria.

"Foi um dos mais importantes empreendedores da história de Campinas. Visionário, sempre acreditou no potencial da cidade e aqui investiu, gerando emprego e renda para a população. Vai fazer muita falta. Meus sentimentos à família, aos amigos e a todos os seus admiradores", disse o prefeito de Campinas Jonas Donizette (PSB).

"A família do sr. Armindo foi pioneira na transformação de Campinas em um destino forte no ramo de hotelaria e turismo. A aquisição do Royal Palm Hotels & Resorts, em 1998, fez toda a diferença na cidade. É muito triste perder alguém com tanto valor, mas, ao mesmo tempo, é motivo de celebração saber que ele deixa um legado. Só nos resta gratidão", reforçou a diretora de turismo de Campinas, Alexandra Caprioli.

O sepultamento acontece amanhã, às 11h, no cemitério Flamboyant - Alameda dos Flamboyants, s/n - Bairro das Palmeiras, Campinas.

Em 2015, foi lançado o livro “Armindo Dias – Uma Vida de Dedicação a Deus, à Família e ao Trabalho”, de autoria de Elias Awad. O livro permite que milhares de pessoas possam conhecer a história de sucesso desse vitorioso imigrante português, do jovem que, em 1956, abriu mão do trabalho na lavoura no pequeno pedaço de terra da família no interior de Portugal, em nome da vontade de prosperar em outro país. Conseguiu US$ 250 emprestados para comprar uma passagem de navio rumo ao porto de Santos.

Dias iniciou sua trajetória no Brasil com uma representação de produtos alimentícios na Bahia, onde dormia no carro para economizar dinheiro. De trabalho em trabalho, de recurso em recurso, ele vislumbrou a possibilidade de fixar-se no interior paulista, onde acreditava estar um celeiro de oportunidades. Em 1964, escolheu Campinas para fixar residência e fazer a vida, assumindo a Doces Campineira. Três décadas mais tarde, em 1992, a companhia tornou-se líder nacional do segmento com a marca Triunfo, gerando 2.400 empregos diretos.

“Quando comprei a fábrica, a produção era de 10 toneladas de biscoitos por dia. No início dos anos 90, saíam dos fornos 300 toneladas de biscoitos diariamente, o que nos levou à primeira colocação do setor”, lembrava o empresário. Em 1997, aos 65 anos, Armindo Dias decide vender a Triunfo. Mas quem disse que era o momento de descansar? Afinal, o que sempre o moveu foi a possibilidade de empreender e criar empregos.

REINVENÇÃO

Abrir mão de um case de sucesso foi só o pontapé inicial para um novo desafio – o investimento no segmento de serviços, com a compra do Royal Palm Plaza; e no varejo, com a aquisição da concessionária de veículos Tempo. Nascia, então, a holding Arcel S.A. Empreendimentos e Participações, que traduz no nome, fruto da junção de Armindo e Célia, o seu comprometimento com o trabalho e a família.

“O mais admirável é constatar que Armindo Dias continuava a ser um homem com sonhos, metas e perspectivas, acompanhando a evolução das suas empresas. Um especialista na arte de cultivar oportunidades”, ressalta Sérgio Junqueira.

Do alto de mais de oito décadas de experiência de vida, o senhor Armindo, como sempre foi chamado, dizia com orgulho que não existe idade para começar ou recomeçar um negócio. “É tudo uma questão de querer vencer na vida. A idade não influencia”. Para ele, o empreendedor é um homem que acredita no que faz. “Os riscos sempre existem, mas quando se trabalha com objetivos claros, as chances de vencer são muito grandes”, ensinava.

Armindo sempre teve um incrível respeito pela individualidade dos filhos e, como recompensa, recebeu um carinho impressionante dos filhos.

No prefácio do livro, há a palavra de seus filhos: “Pai, sua vida foi sempre pautada pelo trabalho, pela ética e pelo respeito ao ser humano. O que você não disse com palavras, suas ações explicavam. Nada é mais forte do que a força do exemplo”.

Armindo Dias cultivou uma importante teoria que compartilhava com as pessoas: “Sejam coqueiros, não grama”. Lendo a biografia do empresário, será possível descobrir o verdadeiro sentido da frase – engana-se quem imaginou que a grande vantagem de ser coqueiro é poder usufruir da sombra que dele se projeta.

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