Virada Cultural deve gerar R$ 90 milhões para economia de São Paulo

Dados são da SPTuris, empresa municipal para promoção de turismo em São Paulo

Evento deve movimentar R$ 90 milhões e já é um dos mais lucrativos do município. Este ano, 150 operadores de turismo estrangeiros vão conhecer o festival

A expectativa da SPTuris (empresa municipal para promoção de turismo em São Paulo), é que sejam movimentados para economia da cidade aproximadamente R$ 90 milhões. Se a expectativa se confirmar, o festival entra para o grupo dos eventos mais lucrativos do município, que inclui o campeonato de Fórmula 1, a Parada GLBT e a SP Fashion Week. O festival confirma a tendência de crescimento da Cultura na economia do país. Segundo estima o governo, a participação do setor responde por 4% a 5% do PIB nacional.

Na sua quarta edição, espera-se que a Virada atraia um público superior a 3 milhões de pessoas. Boa parte deste contingente será formado por turistas, que vêem sobretudo das cidades do entorno metropolitano e do interior do Estado. Dada a grande oferta de atrações de qualidade, o evento chama cada vez mais atenção de outras regiões do país e até do exterior. Este ano, SPTuris vai trazer 150 operadores de turismo, do Brasil e América do Sul, para conhecerem o evento, que já se transforma num importante produto turístico da cidade.

"A Virada já é um evento consolidado, que ganhou a cara de São Paulo, como acontece com o Carnaval no Rio e na Bahia", explica Caio Carvalho, presidente da SPTuris. "Hoje, sol e praia são commodities. São Paulo não tem praia, mas nós temos o que o turista moderno mais deseja, que é a cultura. Grande parte do valor que podemos agregar à nossa economia de turismo vem da Cultura", explica. Segundo Carvalho, a cultura é um elemento essencial no planejamento de políticas do turismo para a Copa de 2014.

Apesar da grande movimentação econômica, a Virada Cultural não recebe nenhum tipo de patrocínio privado."Foi uma decisão que tomamos, de que a Virada é um evento da cidade e de todos os cidadãos", afirma Carvalho. Ele explica que o montante de R$ 90 milhões é calculado a partir das sondagens feitas na edição passada, quando foram pesquisados os gastos per capita e o tempo de permanência dos turistas na cidade em função do evento.

A Fórmula 1 e a Parada GLBT são os dois eventos são os mais lucrativos da cidade e movimentam um montante de R$ 200 milhões e R$ 150 milhões, respectivamente. Também superlativos são a SP Fashion Week (R$ 85 milhões), o Salão do Automóvel (R$ 55 milhões) e o Carnaval (R$ 40 milhões), que esquentam o setor de turismo, com grande ocupação da grade hoteleira.

Cultura e Economia

Seguindo uma tendência internacional, a participação da cultura é cada vez mais importante no PIB brasileiro. O Ministério da Cultura, Minc, estima que o setor movimente de 4% a 5% da economia do país. Tanto que o IBGE começou, ano passado, a apurar a amplitude desta participação.

Em reportagem publicada pelo jornal Valor Econômico (Participação da cultura no PIB começa a ser apurada pelo IBGE em 2007, 11/01/2007, por Azelma Rodrigues), a assessora especial do ministro Gilberto Gil, Paula Porta, desconfia que o setor tenha um peso ainda maior na economia, que passa desapercebido, dada a grande informalidade da área. "A economia da cultura tem potencial para ser um vetor de desenvolvimento do país, e precisa ser entendida como setor estratégico", diz.

A mesma reportagem traz os números de um levantamento feito pelo Banco Mundial, Bird, em 2003, que apontam a Cultura como responsável por 7% do PIB do planeta. Só na Grã-Bretanha, o setor gerou naquele ano 8,2% da riqueza do país. Além disso, a criação, produção, difusão e consumo de bens culturais registraram crescimento médio de 6,3% em 2003, acima da média do conjunto da economia, de 5,7%.

Sobre a Virada Cultural

Música, dança e espetáculos de rua de vários estilos vão mobilizar o centro de São Paulo, na quarta edição da Virada Cultural. O evento, terá mais de 800 apresentações voltadas a todas as faixas etárias, das 18h de sábado às 18h de domingo, com destaque para os shows de  Gal Costa, Cesária Évora, Fernanda Takai, Jorge Ben Jor, Marcelo D2, Zé Ramalho, Jair Rodrigues, Luís Melodia e Orquestra Imperial. Dos 26 palcos do centro, 24 funcionarão durante as 24 horas da Virada. As unidades do Sesc, CEUs (Centros Urbanos Educacionais) e Centros Culturais também vão sediar apresentações em outros bairros da cidade.  A Virada Cultural foi inspirada em eventos europeus como a Nuit Blanche parisiense, que agita anualmente a capital francesa, com atrações que seguem madrugada adentro. (JA)

Serviço
www.viradacultural.org