DIVERSIDADE CRIATIVA
Ronaldo Ferreira Júnior
O final feliz vem depois que você fez o seu trabalho
Viola Davis
28
junho
2021

Home Office - Vantagens e Desvantagens

Home-office X Voltar para o escritório!

Home Office Vantagens e Desvantagens
O home-office é uma das muitas formas de trabalho remoto. E trabalhar fora dos escritórios é uma tendência que veio para ficar. Faz parte das transformações da era digital que estamos vivendo. O formato mostra-se mais econômico para todos e inclusive para o planeta, estando super em sintonia com as boas práticas ESG. Mas a questão é que somos seres sociais, nos complementamos a partir do olhar e da presença das outras pessoas. Então, como viver sem o bom clima organizacional, cercado de gente interessante, que podemos encontrar facilmente logo ali no cafezinho do escritório? Como decidir a nossa relação com o trabalho somente pela razão?

Este não é um texto de respostas e sim de provocações, de apresentação dos dois lados da moeda. De argumentos trazidos a partir de leituras, pesquisas e entrevistas diversas, para que possamos nos preparar para lidar com este desafio da volta parcial, total ou da “não volta” rotineira e presencial aos escritórios.

Tem muita gente que se sente angustiada em ficar em casa, atuando em improvisados e solitários espaços de trabalho, sem trocas e sem o momento descompressão com os colegas na hora do café. Já outros sentem que opressor mesmo é ficar feito máquina, 8 horas por dia, todos os dias, das 9h às 18h, fisicamente dentro de um mesmo espaço corporativo.

Estamos experimentando juntos uma nova jornada. O nosso jeito de trabalhar e de nos relacionar no mundo corporativo está mudando. Mas nem tudo está sendo digerido de forma positiva. Há um processo de empatia e gentileza que precisa ser desenvolvido, pois estamos adoecidos. O Brasil já é o primeiro país no ranking de ansiedade e depressão do mundo, segundo pesquisa recente da USP. Isso é assunto sério.

É certo que, trabalhar onde se vive e viver onde se trabalha não é nada fácil. Tanto que, ansiedade e home-office são assuntos que têm surgido fortemente nos últimos anos e que por isso, tem se tornado desafios urgentes das organizações.

Então, vamos falar sobre isso. Pois é a partir do diálogo, que podemos resolver mais este desafio corporativo. E vamos começar com os argumentos positivos em relação ao home-office ou ao “anywhere office” – afinal, não há obrigatoriedade de ser em casa. É muito legal poder configurar nosso ambiente de trabalho para que ele fique da forma mais confortável para nós. Em um ambiente assim, sem interrupções, é possível focar nas tarefas, produzir mais e com melhor qualidade.

O trabalho remoto confere uma liberdade e uma flexibilidade interessantes de gerenciamento de tempo. As pessoas são diferentes, cada uma funciona melhor em horários diferentes. Por isso, exercer o equilíbrio entre vida pessoal e profissional é um fator muito importante para este grupo que prefere o home-office, que entende que quando não está produzindo, pode parar um pouco, caminhar, fazer exercícios, ler e depois voltar ao trabalho, renovado para produzir melhor. Atividades que não pegariam bem no ambiente corporativo.

O trabalho remoto também é positivo quando exercita nossa responsabilidade e autonomia. Nele, praticamos a disciplina e entendemos que nosso reconhecimento vem do resultado do trabalho. Percebemos que esforço sem resultado não vale a pena. Ou seja: sem a pressão do ambiente corporativo podemos focar no trabalho. Dados da Workana, publicado no Portal iPlaceCorp, mostram que 35,2% dos CLTs acreditam que, no futuro, o trabalho será mais flexível e o sucesso será medido pelo resultado oferecido, e não pelas horas trabalhadas.

E por falar em resultados do trabalho remoto, o estudo citado acima também mostrou que 42,6% dos colaboradores CLT consideraram sua produtividade excelente, 39,3% muito boa, 14,8% boa e apenas 3,3% acharam regular ou ruim. Já 63,2% dos gestores disseram ter notado que os funcionários tiveram a mesma performance de quando estavam no escritório, ou aumentaram a produtividade a partir de suas casas.

Para finalizar os aspectos positivos do modelo home-office, quem vive nos grandes centros urbanos ainda conta com a vantagem de evitar transporte coletivo lotado nos horários de pico, trânsito congestionado e a insegurança e violência a que são expostos quando estão nas ruas.

Já os argumentos de quem não vê a hora de voltar a se aglomerar de forma calorosa em um escritório são os seguintes: primeiro de tudo - a necessidade de ver gente, de se conectar, falar, trocar. Este grupo sofre muito com o isolamento social. Depois de um longo período de reclusão, as pessoas alegam ter perdido um pouco da capacidade de interação rápida. A comunicação parece ter ficado abalada.

Outro argumento forte é que com tantas distrações no lar é difícil gerenciar o tempo, é fácil se atrapalhar com as interferências de assuntos domésticos nas pautas profissionais, assim como é fácil extrapolar as horas trabalhadas para a empresa. O trabalho está sempre por perto, sendo difícil se desligar completamente. No ambiente corporativo não, basta descer de elevador, sair do escritório e deixar a vida profissional no trabalho.

Para este grupo que não vê a hora de voltar ao escritório, existe também uma percepção de falta de atualização profissional e de atraso no desenvolvimento da carreira quando o profissional fica muito longe da empresa. E ainda, quando falamos das relações trabalhistas mais informais, os profissionais relatam lidar com um certo preconceito por estarem longos períodos em casa. Eles temem ser julgados como preguiçosos ou desocupados. Tudo isso passa pela cabeça. Por isso, este grupo entende que muita flexibilidade e liberdade em casa também atrapalha. No escritório é mais fácil criar e seguir rotinas que ajudam a desenvolver habilidades essenciais para o trabalho, como foco e disciplina.

Expostos os argumentos de ambos os lados, parece consenso que ampliamos nosso leque de opções, que estamos evoluindo para um resultado ganha-ganha. E por isso mesmo, torna-se desafio das empresas, colaborar para encontrar caminhos que facilitem a vida ou as escolhas de seus colaboradores. Segundo a publicação do iPlaceCorp, há maneiras de tornar o home-office mais eficiente; e as empresas podem e devem ajudar criando políticas, processos e ações para:

• Melhorar a tecnologia e a conectividade;

• Flexibilizar horários para assegurar o equilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho;

• Oferecer mais cursos sobre trabalho remoto;

• Propor soluções para ajudar os funcionários com filhos;

• Melhorar equipamentos e servidores (para uso em casa).

Estamos vivendo juntos pela primeira vez uma pandemia global. Mas ainda não temos a experiência de uma pós-pandemia. E muitos de nós ainda não se adaptou ou parou para pensar com mais atenção neste futuro que já está batendo na porta. Tudo é muito novo e a solução parece caminhar para um meio termo. Mas, se desejamos avançar e evoluir, temos que, construir rituais e processos que nos ajudem a investir o tempo e a liberdade que ganhamos nos últimos meses, ocupando este espaço com coisas positivas que transformem para melhor nossa relação com o trabalho.

E para alertar ainda mais, o interesse e uma ativa participação das empresas neste processo, 96,7% dos profissionais afirmam que o benefício do home-office será um diferencial no momento de escolher a empresa onde querem trabalhar e 94,2% afirmam que gostariam de continuar trabalhando remoto depois da pandemia.

Fica a dica.

Fonte: um.a Diversidade Criativa

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