Feiras & Exposições
Paulo Passos
"Não olhe para o ciclo de vida do produto: olhe para o ciclo de vida do mercado"
Philip Kotler
16
abril
2018

A evolução da tecnologia e a mudança de comportamento interno nos eventos

escrito por Paulo Passos

Imaginem organizar eventos sem computadores, sem celulares, Autocad, tablets, whatsapp ou redes sociais.

Há alguns bons anos, uma empresa inovou ao criar um CRM digno de prêmio. Um sistema de gestão de clientes tão eficiente que, na época, eliminava toda e qualquer agenda ou controle paralelo. Um sistema que colaborou - e muito - para que a companhia, em pouco tempo, viesse a se tornar líder de mercado, ajudando a organizar e gerenciar cadastro, finanças e relacionamento com clientes.

Na época, o cadastro de possíveis expositores era feito utilizando-se dados oriundos de parcerias com as entidades representativas, além de pesquisas nas páginas amarelas (lista telefônica de empresas e serviços, internacionalmente conhecido pela cor amarela do diretório comercial, que surgiu em 1883).

Na realidade, até pesquisas de mercado eram feitas utilizando-se essas duas fontes. Quantas e quais empresas, quais setores eram identificados manualmente e o cadastro, por sua vez, feito em cartões de papel e colocados em pequenos arquivos de mesa possibilitando, desta forma, que os executivos comerciais tivessem material para trabalhar. Nessas fichas, anotávamos as interações com clientes e, em agenda, anotávamos quando retornar uma ligação, entre outros importantes apontamentos.

Poucas promotoras tinham modernidades como Fax ou TELEX...

E a comunicação nos pavilhões? Bem, nisto éramos modernos pois podíamos contar com o fantástico sistema de som do pavilhão do Anhembi.

-Atenção, Sr. Fulano de tal. Comparecer à direção da Feira!

Rádios? Muito tempo depois!

Pager (aparelho eletrônico portátil capaz de receber mensagens codificadas de uma central de recados e exibi-las em texto numa pequena tela, também conhecido como bipe) ? Poucos os tinham no início. Invariavelmente, o tempo que demorava para chegar a msg, a situação já tinha sido resolvida.

E o visitante das feiras?

Temos de lembrar que a oferta era limitada se comparada aos dias atuais. Em São Paulo, por exemplo, se quiséssemos comprar uma geladeira, por exemplo, deveríamos preferencialmente ir ao shopping Iguatemi - inaugurado em 1966, ao Mappin, Mesbla ou à UD, feira de utilidades domesticas. Feiras? Contávamos nos dedos. Live MKT? Não tínhamos a menor ideia do que era, por mais que já o fizéssemos.

A comunicação com os diversos players e consumidores era feita por meio de: rádio, TV (quando havia verba), muito correio e outdoor.

Acredite se quiser: a TV tinha tanta força que chegávamos a ter queda de público nos horários da novela. “Plin Plin”.

A mala direta via correio era o principal meio utilizado para comunicação com os possíveis clientes e compradores em eventos B2B. Não raro, o material era desenvolvido de tal forma a ter a parte de baixo destacável, com a ficha de inscrição que deveria ser entregue na entrada (credenciamento) para pegar o crachá que não era impresso e sim nome escrito à mão.

Greves no correio? Nosso pesadelo!

O mundo mudou, o mercado mudou, as feiras mudaram.

O cliente ficou mais exigente e, acima de tudo, tem fácil acesso tanto a uma gama gigantesca de informações quanto a produtos e serviços de seu interesse.

Mudança de lado!

O cliente passa a ser o mandatário na escolha de suas experiências e o advento das redes sociais possibilita o fortalecimento da network e da união de pessoas por assuntos em comum.

Um exemplo contemporâneo é a campanha presidencial de BARACK OBAMA, em 2007 e 2008. Foi a primeira a utilizar as redes sociais e dependeu de jovens de 20 e poucos anos que compartilhavam informações e se comunicavam basicamente por redes sociais. Ele e seu time construíram a mais eficiente campanha da história política moderna.

Uma piada recente conta a história de uma pizzaria que foi comprada pelo Google. O atendente sabia não só o que o cliente pediu nos últimos meses, mas até que não deveria pedir pois de acordo com o cruzamento de dados seu colesterol estava alto. Business Intelligence (BI)

Chegamos ao mundo do big data, do estreitamento de relações e da necessidade de digitalização total de documentos.

O concavo e o convexo: o aumento vertiginoso de informações e possibilidades x necessidade de criarmos experiências para nossos públicos.

E o mundo das Feiras?

Os eventos mudaram totalmente com o crescimento digital. Temos de ser mais criativos e pensarmos “fora da caixa” (out of the box). A rota foi alterada com o crescimento digital.

Passamos por um período onde torna-se imperativo trabalharmos com formatos de mais relevância a todos os envolvidos. Devemos promover mais interações entre os diversos públicos envolvidos e proporcionarmos mais experiências, interações e resultados. O caminho para este novo formato, onde o aumento do volume de dados é gigantesco e a necessidade de interação diretamente com o cliente é complexa, passa pelo digital.

Se, há 25 anos não tínhamos condições de fazer uma feira sem a figura de um diretor comercial, hoje vislumbramos profissionais especializados tais como o CTO (Chief Technology Officer) – diretor de tecnologia - profissional que comanda a área de tecnologia, pesquisa e desenvolvimento. O CIO (Chief Information Officer) – diretor de TI é o responsável pela área de informática da empresa. Temos ainda o que cuida da análise de big data, que tem responsabilidade sobre a segurança administrativa digital - o CMIO (Chief Marketing Information Officer).

O fato é que, independentemente das siglas, o mundo digital veio para ficar e somar. Chegou para ser uma ferramenta imprescindível para o sucesso de nossos eventos, sendo que novos profissionais passam a dominar a cena.

Como conseguimos trilhar este caminho? Inovando, apoiando o crescimento, estimulando a aprendizagem constante e recompensando a as iniciativas, além de aliar experiência, conhecimento, bagagem com visão moderna, antenada e criativa.

Os eventos mudaram, as feiras mudaram.

Se fizermos da mesma maneira, ficamos obsoletos.

A velha máxima que “em time que está ganhando não se mexe” ficou para trás. Hoje se mexe cada vez mais para se atualizar e se adaptar às mudanças que estão cada vez mais rápidas. Não mexer em time que está ganhando cada vez mais é ficar para trás...

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