Feiras & Exposições
Paulo Passos
"Não olhe para o ciclo de vida do produto: olhe para o ciclo de vida do mercado"
Philip Kotler
06
maio
2020

Podemos neutralizar os efeitos do vírus na retomada das feiras?

escrito por Paulo Passos

Somos reféns do vírus?

Nos últimos dias, os principais players do mercado têm debatido temas de suma importância, não só, por nossa sobrevivência, mas para retomada da economia brasileira.

Sim, retomada da economia, pois fatalmente passará pelas feiras. Não esqueçam que estamos falando da principal ferramenta de fomento do comércio brasileiro e mundial.

As grandes feiras brasileiras, tendo como precursora a FENIT, realizada no Parque Ibirapuera em 1957, nestes aproximadamente 60 anos, impactaram diversos setores econômicos e, sem dúvida, colaboraram para moldar a economia e o turismo da cidade de São Paulo e do Brasil. Desta forma, contribuíram com o fomento de diversos setores econômicos e geraram, em seus stands, milhões em negócios entre compradores e vendedores.

A participação em feiras foi, neste período “A.C.” (Antes da Covid-19), de tal importância, que se tornou a principal ferramenta de impulso à exportação, utilizada pelas maiores potências mundiais. China e EUA, por exemplo, adotam a participação em feiras como ação indispensável, não só para divulgação, mas no comércio de seus produtos.

Alemanha, como dito sabiamente estes dias, utilizou-se das feiras, não só para renascer do período pós guerra, mas para tornar-se umas das principais economias no mundo.

O impacto

Seguramente, econômico e social. Milhares de empresas pararam de forma abrupta. Eventos cancelados, diversos na véspera e vários ainda no meio da montagem.

Prejuízos incalculáveis, não só pelo volume de negócios gerados, mas por toda economia que orbita neste universo. A participação das empresas de montagem e cenografia, por exemplo, responsável pela construção de milhares e milhares de m2, montando, locando e materializando projetos e ideias, estagnou por completo. São empresas que geram postos, oportunidades de trabalho e fonte direta e indireta de arrecadação tributária. Todos parados!

A preocupação

Voltando ao início, o trade de uma forma geral tem se preocupado com temas relevantes tais como:

• Quando voltamos?

• Como voltamos?

• Quais os protocolos necessários?

• Como sobreviver até lá?

A procura por protocolos, em especial, tem sido ampla e fonte de diversas discussões.

O que temos de analisar e o que representam estes protocolos?

O que sei, é que estamos reféns!

Reféns do vírus e como todo refém, estamos presos!

Estamos em casa e nossos pavilhões e centros de convenções, fechados.

Nossos palcos fechados.

Como todo refém, não somos donos de nossas vontades. Estamos reféns.


Feiras

Agora, ao analisarmos uma feira, tipologia de eventos com a qual tenho um pouco mais de familiaridade, vemos o conceito básico de um tripé para sua realização.

As feiras são o ponto de encontro entre a oferta e a procura e, permitam-me a simplicidade da minha análise, conceitualmente, necessitam de 3 coisas básicas:

• Local

• Quem vende

• Quem compra


Em algum momento e espero que seja logo, ainda utilizando-me da analogia do refém, seremos libertos do nosso cativeiro. Pavilhões e centros de convenções serão liberados com as devidas ressalvas oficiais, fruto dos diversos estudos que estão sendo realizados e encaminhados aos órgãos competentes.

Tão importante quanto a abertura dos espaços para eventos, é termos expositores e visitantes. Vendedores e compradores!

Meu medo? O medo que nossos protagonistas podem sentir nesta retomada.

Estaremos reféns mesmo fora do cativeiro.


Protocolos

A principal função dos inúmeros protocolos que estão sendo elaborados, não é ser o maior, o melhor ou mesmo o primeiro. É passar segurança para todos os envolvidos.

Protocolos são sinônimos de segurança!

É garantir aos diversos patrocinadores, sejam expositores ou não, que suas marcas serão atreladas ao sucesso e não à pandemia.

É garantir que visitantes poderão se sentir seguros, pois tudo, literalmente tudo, será feito para isto.

Não podemos e não devemos continuar reféns do vírus!


Como não continuar?

Conheço suficiente o mercado para afirmar que todos os protagonistas desta gigantesca máquina, que responde pelo nome de feira, estão neste momento trabalhando e estudando técnicas e ações para proteção de todos os envolvidos. Os protocolos e a utilização correta de equipamentos e tecnologias de proteção, são parte crucial neste movimento.

Cabe a nós, acima de tudo, propagar esta tranquilidade. Que visitantes e expositores saibam que nossa motivação é a sua segurança!

Se assim não o fizermos, se não divulgarmos estas ações, receio que o medo de expor, o medo de visitar, possa ser nosso maior inimigo.

Como dito acima, não tenho dúvidas e afirmo com todas as letras: FEIRAS SERÃO A GRANDE FERRAMENTA DE FOMENTO na retomada.

Lógico, não se abrirá a porteira e tudo voltará ao tamanho e forma de antes no dia seguinte.

O início será gradual, mas consistente com novas realidades e tecnologias.

Eventos são organismos vivos em permanente mutação, com vários órgãos trabalhando juntos.

Devemos e podemos trabalhar juntos

E principalmente, não sejamos reféns do medo!

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