Live Marketing e a Vida ao Vivo
Tony Coelho
"As melhores coisas da vida são invisíveis. É por isso que nós fechamos nossos olhos quando nos beijamos, dormimos e sonhamos."
Cazuza
28
julho
2016

Nunca tão perto... mas tão longe.

escrito por Tony Coelho

O mundo vive um momento estranho e nós nunca fomos tão estranhos. Ainda há quem pense e vocifere ser de direita ou de esquerda, quando em gestos ou ações se perca na contramão, ora sendo direita, ora sendo esquerda, ora sendo centro, ora sendo nada.

No mundo, esse estranho, de atentados, mortes em nome de Deus, intolerância sexual, racial e religiosa pululam nomes que se dizem de cá e de lá e, em nome de nomes, se elejam ou se tornem candidatos do apocalipse humano.

Aqui, entre festas e eventos, a saúde fraqueja, a violência campeia e as manifestações manifestam mais o ódio que o amor. Gritam, irracionais, por nomes, como se as escolhas fossem nossas e não de máquinas, algumas humanas e falíveis.

A justiça que nunca foi confiável, a partir de um homem negro de coragem e honradez deu esperança, menos para os políticos de sempre, populistas ou capitalistas, filhos dos “istas”, alguns vigaristas, que ainda enganam com seus discursos ferozes e nunca na história desse País fomos tão confusos.

A humana presença deu lugar aos likes falsos, seguidores de fantasmas guiados por youtubers idiotas e criando ídolos e heróis de papel. Não há abraços, só postagens, não há sorrisos, só imagens, não há gente, há avatares, não há personalidade, há perfis, não há amor, só há encontros desmarcados e palavras não lidas.

Ainda assim, somos Live, estamos ao vivo, no mundo morto, pois, em essência, só a experiência que envolve os sentidos faz sentido. Então, por que a má vontade com o nome como se ele fosse algo incerto, indevido, fora do contexto e a comunicação não pudesse, ou devesse, ser totalmente Live sempre.

As palavras nem sequer tem etimologia faz tempo. Parecem que surgem do nada. As boas palavras sumiram na desconstrução dos idiomas, como no Português, onde as regras nada falam a quem devia dar o exemplo de mantê-las como referência.

É claro que entre a Língua viva, no campo da Linguística, deve-se assimilar o dia-a-dia na Comunicação com o outro, mas também devia ser claro que a tal Norma Culta tem sua função de igualar tudo. Mas ser igual não era uma premissa de governo direito da esquerda?

Taí, não há mais lógica nenhuma. Nem nas palavras, nem nas pessoas. Ninguém mais defende ideais, defende ideias, como se elas fossem ideais. E aí, a defesa só cabe no que lhes diz respeito ou interessa.

O “todo mundo faz” vira defesa de quem dizia que esse fazer não tinha desculpa. O “tem coisa pior” justifica o menos pior? “O exemplo tem que vir de cima”, desde que nós não estejamos em cima.

O politicamente correto engessou as mentes livres. A frase de Dias Gomes nos explica tudo: “Quem não veio para incomodar não devia ter nascido”.

E não incomodamos ninguém, sabe. Se não nos deletam, em ato fascista, do Face.

Mas fascismo não é ...  aquilo que faz prevalecer os conceitos de nação e raça sobre os valores individuais e que é representado por um governo autocrático, centralizado na figura de um ditador...? Quem é o ditador? Quem dita?

Nós? Quando nós somos nós?

Amar é um verbo que vem de amare, e amar é... O quê? No mundo de digitais temas, palavras, pessoas e conceitos... Amar é...

O que somos? O que nos tornamos?

Emitimos opiniões de todo tipo... no Face, no Twitter, até no Snapchat, mas não emitimos o que pensamos para quem está perto de nós, mesmo no Chopp. Isso porque estamos emitindo nossas opiniões e conversando com outros no WhatsApp e no Telegram.

Não mais somos, estamos. Nem sabemos mais a cor dos olhos das pessoas com quem falamos. Nem sabemos se tem olhos ou se ensaiam sua cegueira. Se sorriem ao nos ler, se nos levam a sério, se nos leem mesmo. Porra, ninguém lê, já disse!

Estamos perto. Há menos de dois passos do paraíso... e perdemos a chance da conversa, do abraço, da humana relação que nos deixou legados tecnológicos, isso é certo, mas gerou a distância que não se pode medir da ausência na presença.

Enquanto isso, sempre certos, ainda discutimos quem tem o quê. Quem tem mais sabedoria, talento e competência, no País dos incompetentes e sem noção.

E a ave que ainda insiste em voar no céu nublado não mais nos inspira o voo. E voa só, somente só. Como nós.

E você aí doido para compartilhar o texto no Face e, na dúvida.

Doido pra deletar o texto e na dúvida.

Doido pra mostrar o teto e...

Tanto faz. Não existe palavra alguma, texto algum, que um dia não tenha merecido o lixo. Não há texto nem palavra que possa ser censurada e, ainda que contra nossas ideias e ideais, não mereça ser compartilhada.

E nada, nada mesmo que não possa ser mostrado, ou lido para um cego.

É por isso que nunca estivemos tão perto... mas tão longe. Porque viver como ser humano pensante é sempre uma longa distância entre nós e os outros.

E olha que os outros somos nós sempre.

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