Live Marketing e a Vida ao Vivo
Tony Coelho
"As melhores coisas da vida são invisíveis. É por isso que nós fechamos nossos olhos quando nos beijamos, dormimos e sonhamos."
Cazuza
20
junho
2016

O Rio quebrou... Como fica o futuro?

escrito por Tony Coelho

Sei que vão me cobrar, então, antes que cobrem, vou falar sobre o que acho que vai acontecer com o mercado carioca de eventos.

Muito se falou do Rio de Janeiro nos últimos 10 anos. A Cidade virou o diamante dos grandes eventos brasileiros, o oásis das possibilidades da ativação, eventos corporativos, ações promocionais etc.

Os megaeventos seguidos - Jogos Militares, Jornada Mundial da Juventude, Copa das Confederações, Copa do Mundo, Rock in Rio e os Jogos Olímpicos - preconizavam uma reestruturação, aquecimento e aumeto da rede hoteleira, construção de novos espaços para eventos – não só esportivos – que tornariam a cidade lugar ideal para a volta de sedes de grandes marcas e empresas e gerariam a afluência de novos eventos nacionais e internacionais, no âmbito do Incentivo, só por exemplo.

E seria assim mesmo não fossem os políticos.

O primeiro baque do Rio vem com o esfacelamento da Petrobras e as empresas que a ela se conjugam. Com os escândalos, oriundos da Lava a Jato, a Petrobras, responsável seguramente por quase 50% do mercado de ações e eventos do Rio, parou totalmente de fazê-los.

Os escândalos não pararam por aí e a cidade passou a ser vista como o lugar de onde vieram personagens como Cunha, Sergio Machado e Paulo Roberto Costa. O governo federal, que sustentou os caras daqui, parou de dar benesses e dinheiro para os políticos e governantes locais e mesmo o que já estava pactuado correu, talvez até corra, risco de ser paralisado na cidade (alguns pararam mesmo).

O legado da Copa nunca se apresentou. Na verdade, parte significativa das obras de mobilidade não ficou pronta e as que ficaram não eram confiáveis.

Da Jornada Mundial da Juventude, ficou a grande fé na paz que a cidade teve nos dias em que aqui esteve o Papa. Paz que nunca mais voltou, pela insegurança total que campeia na cidade. A ponto de conquistas, mostradas na TV, como a expulsão de bandidos do Alemão e a política das UPPs terem ruído com ataques massivos dos bandidos em toda cidade, em especial nos locais com UPPs.

O Rock in Rio veio e salvou o ano com qualidade e excelente espetáculo, como sempre. Uma aula de organização, ativações, ações e eventos decorrentes do próprio evento.

Aí, muitos pensaram: as Agências cariocas ressurgiram, estão trabalhando, mostrando criatividade, inovação ousadia...

Não. Infelizmente, não. Quem mostrou isso tudo, na grande maioria das ações, foram as Agências de São Paulo.

“Useiras e vezeiras” de mostrarem seu alento estratégico e criativo, ocuparam o território livre, deixado por Agências do Rio criativas da cidade que fecharam, desistiram ou não podiam ousar. E se tornaram mão de obra de excução, brigando pelo preço

Essa triste constatação mostrou a presença de um grupo enorme de agências de São Paulo, Bahia, Paraná e outros estados aqui, ocupando esse espaço vago com talento e força... e grana.

Trabalhos dignos de orgulho apareceram. Mas, e o legado?

Os Jogos Olímpicos estão chegando. O Rio vai ressurgir. Vamos inaugurar obras maravilhosas e.... Ufa! Mais problemas que assustam aqueles que queriam e podiam vir à cidade e desfrutar de toda inegável beleza que ela tem nos eventos que se anunciam.

Não bastassem as seguidas notícias policiais, exagerada às vezes, fato, que mostram a enorme insegurança do Rio, o mosquito era nossa “zica”, mas perdeu força e, pum, cai a Ciclovia recém-inaugurada, o Museu do Amanhã mostra rachaduras, a estrada que chega à Barra como opção de melhora de trânsito está cheia de buracos, dois dias depois de inaugurada, e o VLT para, ainda em teste, no primeiro dia.

Notícias nada boas para o nosso paraíso dos eventos.

Mas, tudo bem, tudo se conserta, tudo some, tudo cai, dá pra quebrar um galho, irmão, profissionalismo pra quê? Vai no papo, coisa de amigo, vai no jeitinho carioca, sexta é na quinta, segunda é na terça e... a gente quebra essa...

Quebrou o Rio. O governo assumiu a incompetência e a cidade é que sofre. Nossos sonhos é que sofrem. Nosso mercado sofre, pois somos os caras dos sorrisos, do entretenimento, das alegrias...

Como vai ficar o mercado?

Hoje, diria, muito mal. O que se esperava para depois dos Jogos, com uma cidade cheia de legados, quartos, espaços para eventos maravilhosos está prejudicado pela percepção dos investidores e marcas de que aqui a coisa não é séria nunca.

Mas, a verdade, é que eu ainda acredito no Rio. Acredito que o profissionalismo das Agências de São Paulo fique nos cariocas, que os gestores ruins não sejam eleitos ou reeleitos e que os que entrem respeitem a cidade e seu povo.

Acredito nos donos de Agências que resistem. Num Conceito novo, porque aqui tudo é À Vera, em letras como VZA, numa Pimenta nativa, num X-TUDO, numa 11:21, numa Camisa 10, a gente tem Fino Trato para eventos num Rio 360que vai ressurgir..

Acredito mais que até quem tem coragem de dizer que não gosta daqui não vai querer perder essa infraestrutura maravilhosa que nos permitirá um recomeço duplo.

Isso mesmo. Enquanto todo mundo espera o recomeço do Brasil, nos vamos ter que esperar também o do nosso Estado. Mas, tudo bem.

O resto eu deixo ao mar, à Lagoa, ao céu de luz, às montanhas, à Barra, à Copa, Ipanema e Leblon, à Urca, à Lapa, à Floresta da Tijuca e à canção que diz...

Rio de Janeiro, gosto de você, gosto de quem gosta desse céu, desse mar dessa gente feliz. Bem que eu quis escrever esse texto de amor e o amor

Estava em tudo que eu quis, em tudo quanto eu amei e no poema que eu fiz tinha alguém mais feliz que eu...

Quem? Respondam aí.

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