Live Marketing e a Vida ao Vivo
Tony Coelho
"As melhores coisas da vida são invisíveis. É por isso que nós fechamos nossos olhos quando nos beijamos, dormimos e sonhamos."
Cazuza
07
agosto
2019

Po..., ninguém lê

escrito por Tony Coelho

Po..., ninguém lê!

Estava sentado no Cervantes, famoso Bar em Copacabana, no Rio, numa daquelas noites de fim de festa, quando existia o Noites Cariocas no Morro da Urca.

Vínhamos de um show da Fernandinha Abreu, num ritmo Rio 40 Graus.

Minha galera, eu e mais 4 ou 5 pessoas, falávamos de letras de música e lindos textos, como de canções do Chico, Caetano, Ivan Lins e muitos outros, quando ouvi, na mesa ao lado, a seguinte pérola de dois amigos, de uns 21, 22 anos, cada um, por aí:

- Cara, esse restaurante é muito show.

- Num é?

- Só tem um lance muito doido aqui.

- Qual é?

- O cara que fez ele não sabe nada de história.

- Ah é, por quê?

- Olha bem. O nome do restaurante é Cervantes, mas só tem quadro do Dom Quixote, pode?

E riram da burrice do “cara” que fez.

Minha vontade foi dar uma de professor de Literatura e dizer o óbvio, mas me aquietei quando pensei que estamos no País em que ninguém (sei que é exagero, mas é pra ser enfático e dramático) lê.

Enfim, fiquei eu com o Dom Quixote na cabeça e o Cervantes no estômago e a certeza de que temos uma geração que não encontra nas palavras o caminho de sua libertação e cidadania. Que não conhece Cervantes, Shakespeare, Pessoa, Drummond, Bandeira, Castro Alves, Machado de Assis ou mesmo Paulo Coelho, vá lá.

A geração que espera os filmes para falar dos livros como se a visão de um único leitor pudesse transformar em imagens a emoção de um texto, com suas múltiplas interpretações e viagens.

Aí decidi escrever uma novela, um livro, e pô-lo no Faceboock, na vã esperança de que o texto digital resgate a emoção da leitura. Sou bobo e cheio de esperanças!

Porque sei que a verdade é que vai ter muita gente, ainda, olhando pra os Cervantes e vendo os Dons Quixote, brigando com seus moinhos de vento, mas lendo e se aprofundando? Quem?

Enquanto isso, os sonhos e as realidades que os livros nos ajudam a construir estão morrendo... Cadê Alice, Bentinho, Dona Benta, o Príncipe, Peter Pan...

Porra (ia falar pombas, mas não resisti, desculpem o mau jeito), ninguém lê de verdade. Que ruim!

Ai. Tô me sentindo o Cervantes.... ou o Dom Quixote?


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