Reflexões & Aprendizados
Andréa Nakane
Você pode sonhar, criar e construir a idéia mais maravilhosa do mundo, mas são necessárias pessoas para fazer o sonho virar realidade
Walt Disney
01
abril
2018

BVs, Superfaturamentos, Extras, Propinas

escrito por Andréa Nakane

Com a estreia da série produzida pela Netflix, intitulada O Mecanismo, a limpidez do tema corrupção mais uma vez vem a tona de forma visceral, já que a obra de ficção é baseada em fatos reais oriundos da mais recente história brasileira.

Independente de atuação partidária e convicção ideológica, esse tipo de produto, focado no entretenimento, tem um papel que precisa ser estimulado, que é justamente do debate e apontamentos de ordem a buscar soluções para que a sociedade brasileira consiga extirpar essa especificidade que tornou-se marca registrada latente da nossa pátria.

E em nosso segmento, essa abordagem também merece toda a atenção e busca de condutas mais íntegras e transparentes.

Quem trabalha com eventos, sobretudo, os grandes e megaeventos, certamente tem histórias relacionadas a imposições fora de contextos, não só de valores estratosféricos para agilidade em processos de licenças e alvarás, mas também de particulares que teimam ter vantagens, muito além da classificação de convidado VIP, e não medem esforços para tal benesse.

Outra questão que circula perifericamente pela questão da corrupção, que apesar de ser considerada comum na dinâmica do mercado, particularmente sempre me incomodou, por não perceber a limpidez de seu uso, trata-se do “famoso” BV – bonificação de valores – quanto os fornecedores acabam por oferecer percentuais repassados aos organizadores de eventos, quando ganham a predileção em oferecer seus serviços a um determinado projeto.

O fato em si já consumado na cadeia produtiva dos eventos, com ares de normalidade, muitas vezes ganha o apoio de seu principal interessado: o promotor/cliente primário, que leiloa o trabalho dos organizadores a patamares mínimos, evocando que os mesmos completem seus honorários com esses percentuais oriundos das comissões de terceiros.

Ora temos que demonstrar nosso valor e não ficar mendigando recursos, e estamos mencionando aquilo que é justo e nada além do que isso. Porque nosso cliente não reconhece isso? Por que muitos tem que fazer girar toda essa engrenagem para que ao final tenha seu expertise recompensado.

E com essa relação doentia, só reforçamos o mau uso da expressão “Jeitinho Brasileiro”, já que sua conotação, não é de sua competência de flexibilidade em fazer algo acontecer, mas sim de levar vantagem, mesmo com a anuência de outros.

A transparência e integridade como valores que solidificam o caráter humano, de algumas pessoas, fique bem claro, não encontram nessas conexões morada para seu desenvolvimento.

Cada cabeça realmente é uma sentença, mas é preciso, antes de apontar dedos para outros meios, como a própria política, não esquecer que pisamos também em um solo frágil e contaminado.

Discussões e posicionamento de profissionais respeitados, com reputação e imagem irretocáveis devem ser estimuladas para que possamos ter uma voz uníssona, forte e que consiga realizar transformações, benéficas para todos, realçando diálogos e não gerando situações escabrosas, de algo feito, em muitas vezes, por baixo dos panos, com ar de ilegalidade, superfaturando valores e transformando todo o processo – que deveria ser digno e profissional – em algo que remete a ratificação que a corrupção é um “câncer”, e que na atualidade tornou-se uma metástase sistêmica, e que tem como principal recurso de cura, nossa própria conscientização e atitude honrosa de não compactuar com tudo isso.

Vamos pensar e agir!

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