Reflexões & Aprendizados
Andréa Nakane
Você pode sonhar, criar e construir a idéia mais maravilhosa do mundo, mas são necessárias pessoas para fazer o sonho virar realidade
Walt Disney
05
maio
2013

Em Eventos, em vez de ajudar, tem gente que só atrapalha!

escrito por Andréa Nakane

Em 2010, o mundo conheceu a sonoridade das vuvuzelas, que tornaram-se um ícone dessa edição da Copa do Mundo, na África do Sul.

A vuvuzela é uma espécie de corneta grande. É um aerofone cilíndrico de cerca de um metro de comprimento, usada por torcedores em jogos de futebol.

E desde o seu uso maciço para a comemoração do gol ou durante uma partida gerou uma série de polêmicas, fazendo com que alguns países já tenham até mesmo proibido seu uso em função de possíveis danos auditivos por meio de seus zumbidos ensurdecedores e até mesmo de transmissão de vírus, principalmente da gripe, quando o instrumento musical é o mesmo, tendo um rodízio da torcida para sua execução.

No Brasil, na tentativa de aplacar também um instrumento com características locais e talvez para ocupar o lugar da máxima que sempre é possível piorar uma situação, o ritmista baiano Carlinhos Brown, tem se intitulado como mentor da caxirola - um chocalho em formato de uma mistura plástica de granada com soco inglês – atendendo a uma encomenda do Ministério dos Desportes brasileiros.

Pois bem, em uma pequena demonstração de sua potencialidade para transtornos, em um jogo realizado nas terras de Jorge Amado, os torcedores foram contemplados gratuitamente com uma peça desse instrumento apelativo do marketing e não da cultura brasileira e após o segundo gol do Vitória contra o Bahia, os torcedores encontraram uma finalidade alternativa para a caxirola: arremessá-la contra os jogadores cuja a performance estava envergonhando a torcida.

As vibrações na hora dos jogos caracterizam-se como os principais componentes do torcedor, mas, por outro lado, podem revelar muito mais do que uma simples admiração. Ao mesmo tempo, que mobiliza a população a uma espécie de patriotismo, o futebol, nos terrenos particulares de seus clubes, faz emergir entre muitos torcedores emoções de posse, egoísmo e intolerância gerando atos de violência, totalitarismo, induzindo a destruição da comunidade social e do direito de escolha de outros torcedores.

Este mecanismo orientado pelo fanatismo já é considerado em alguns países um problema social, cultural, psíquico e, muitas vezes, até fisiológico. O fanatismo é degradante em qualquer aspecto que toma forma, pois ele por si só destrói, se não os outros, o próprio sujeito, que deixa de se relacionar com outros objetos do mundo para contemplar um único objeto de forma uníssona, sem enxergar e respeitar outras opiniões e gostos.

É essa a imagem que queremos transmitir ao mundo? Será essa a conhecida hospitalidade brasileira?

Sem dúvida alguma é melhor que os gestores públicos não sejam hipócritas e proíbam o uso dessa geringonça que pode literalmente manchar de sangue diversas camisas. Há muito mais que oferecer... não é necessário atiçar ainda mais a emoção descontrolada com um instrumento pra lá de esquisito e que pode ferir toda uma nação.

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