Reflexões & Aprendizados
Andréa Nakane
Você pode sonhar, criar e construir a idéia mais maravilhosa do mundo, mas são necessárias pessoas para fazer o sonho virar realidade
Walt Disney
14
abril
2020

Eventos Fúnebres e a Pandemia

escrito por Andréa Nakane

A Pandemia do Coronavírus interrompeu a vida frenética de boa parte do planeta, atingindo todos os setores econômicos e demandando sua reinvenção ou busca de significados mais produtivos e coerentes com o momento vivido.

Porém a situação mais dolorosa e irreversível que a humanidade atravessa é justamente não ter a oportunidade digna e visceral de se despedir de um familiar ou amigo que veio a falecer no meio de todo o caos que nos assola.

As cerimônias de despedida, conhecidas como funerais, inclui desde o velório, o sepultamento ou cremação e posteriormente outros ritos, como missas, cultos e solenidades de entrega de cinzas.

Sejam elas concebidas por qualquer crença, demonstram uma simbologia de muitas emoções, na tangência da morte, ainda considerada um tabu repleto de medos e anseios, sobretudo na lógica ocidental.

A realização de um funeral permite um conforto aos que ficam, pois encontram porto seguro para extravasar seus sentimentos de tristeza, melancolia, angústia, solidão, vazio, desamparo e incertezas. É como fosse uma referência de início de cura da alma, do coração e da mente, em função da morte.

É, portanto, uma verdadeira materialização, do findar de um ciclo de vida e, para muitos o começo em outra dimensão espiritual. Presenciar e velar o corpo daquele que não tem mais vida, prestando sua última homenagem colabora para um luto transformador, no qual será possível compartilhar as dores e receber afagos solidários.

Essa prática fomenta uma vivência de luto mais saudável, um protocolo narrativo que permite enquadrar-se em uma aliança de pertencimento social, no qual todos, sem exceção, terão passagens similares em suas vidas.

Há dois anos, após inúmeras pesquisas, não só no território brasileiro, mas em outros países do ocidente e oriente, decidimos, eu e minha sócia, Shirley Salazar, abrir em São Paulo, a Anjos da Hospitalidade. www.anjosdahospitalidade.com.br

Seu escopo é oferecer serviços diferenciados na assessoria de velórios, sepultamentos e ritos posteriores, como missas, cultos, cerimônias de despedida das cinzas e leituras de testamento, possibilitando que os familiares e amigos tenham tempo totalmente dedicado a prestar as últimas homenagens aos seus entes queridos, sem a preocupação em lidar com toda a logística e operacionalidade desses eventos.

O serviço pode ser contratado imediatamente após o falecimento ou de forma inédita poderá ser planejado pela própria pessoa, que terá um roteiro personalizado para seu “último evento”.

Porém, como toda a indústria de eventos, nosso negócio também paralisou-se... e na verdade estamos nos reinventando... buscando novos procedimentos... mas que de imediato não atendem as premissas de colaborar com essa ocasião.

Os velórios que estão ocorrendo em plena pandemia do Covid-19, têm sido realizados em, no máximo, dez minutos. Agrupam, quando muito, oito, dez pessoas, todas de máscaras, afastadas dois metros uma das outras e perplexas diante de caixões lacrados, que impedem um último olhar ou um toque carinhoso.

Além de orientar um funeral ágil e sem público, a Anvisa recomenda uma série de precauções, como passar álcool a 70% no caixão e no carro funerário, além de não trocar a roupa do morto. Até o uniforme dos coveiros mudou. Agora, além das costumeiras luvas e botas, todos devem usar máscaras e macacões de proteção individual e devem seguir as instruções de higienização e de descarte dos equipamentos de segurança.

Com mais essa especificidade, a devastação do Coronavirus denota ser, então, ainda maior, trazendo consequências que abalam ainda mais todo o coletivo.

Nos resta manter nossa fé e buscar apaziguar as consternações, na esperança de que em um futuro breve possamos retomar nossa civilidade e humanidade, com espaços para os tradicionais ritos e quiçá novos.

Por enquanto cabe a nós, por meio dos meios eletrônicos, emitir nossos sentimentos e abraços virtuais para consolar todos... principalmente os que ficaram com a saudade de seus entes amados.

#FiqueemCasa

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