Reflexões & Aprendizados
Andréa Nakane
Você pode sonhar, criar e construir a idéia mais maravilhosa do mundo, mas são necessárias pessoas para fazer o sonho virar realidade
Walt Disney
29
agosto
2016

Fenômeno de Público em um País de poucos Leitores

escrito por Andréa Nakane

Com o tema, “Histórias em Todos os Sentidos”, a Bienal Internacional do Livro, em sua 24º edição, apresenta uma programação multicultural com 12 espaços e 280 expositores entre as principais editoras, livrarias e distribuidoras, além da presença de autores nacionais e internacionais.

Em seu primeiro fim de semana de abertura, o evento já demonstrou toda a sua força de atratividade de público, por meio de eventos paralelos, que permitem o contato de autores e seus leitores, sobretudo nas relações envolvendo vlogers, chefs de cozinha e próceres da literatura infanto-juvenil.

Entre as diversas tipologias de eventos presentes nessa edição, há uma maior ênfase, além é claro, das manhãs/tardes e noites de autógrafo, aos debates e palestras, sobretudo com os chamados influenciadores, aqueles que contam na mídia digital com uma legião de seguidores e que foram alvos de incentivos do mercado editorial, para reproduzir em uma outra linguagem, a do livro, seus pensamentos e estórias.

Outro ambiente inédito é o espaço Ignácio de Loyola Brandão, em homenagem ao escritor, com debates sobre direitos autorais, políticas públicas de incentivo à leitura e o setor editorial. No sábado, inclusive, nesse espaço, foi lançada, pelo Instituto Pró Livro, a obra Retratos da Leitura no Brasil 4, uma coletânea de autores que baseados no maior e mais importante levantamento sobre o comportamento e hábitos dos leitores do país, apresentaram reflexões sobre a atual conjuntura.

A seção Cordel e Repente apresenta ao público os movimentos artísticos e culturais do Nordeste e representa um dos espaços de cunho de maior brasilidade da feira e que atraiu muitos curiosos, justamente pelo discurso musical, letrados de forma original e bastante representativa.

Caravanas de cidades do interior e de outros estados, das regiões sudeste, sul e centro oeste marcaram presença demonstrando todo o vigor do evento em ser um acontecimento de calendário nacional, que movimenta deslocamentos para abastecer-se de novidades referente ao universo dos livros.

Apesar de ter o desafio de uma gestão de megaevento, a Bienal Internacional do Livro apresenta uma proximidade real com os visitantes, buscando propiciar uma experiência agradável e motivadora para a leitura. Nitidamente percebe-se com um olhar mais aguçado que alguns espaços reservados para comercialização ficaram ociosos, mas que rapidamente foram transformados em lounges de leituras, se não estruturados, por uso funcional por parte do próprio público.

Vale ressaltar a necessidade de um maior investimento no que diz respeito à segurança, sobretudo pelo dimensionamento da multidão e a vulnerabilidade de furtos em maior número.

O investimento em conforto também foi fruto de planeamento e a área de circulação tem ruas mais largas com até 10 metros, incluindo rampas de acesso em todo o pavilhão, enfatizando a inclusão social. A área de alimentação cresceu 30% e tem grande variedade de opções desde lanches até refeições completas.

Os ingressos custam entre R$20 e R$25, com opções de pacotes para amigos e família. A promotora do evento, Câmara Brasileira do Livro, CBL, afirma que a atual edição demandou um investimento aproximado de R$ 34 milhões, e que a estimativa de público é de 700 mil pessoas durante todo evento, que irá até o dia 04 de setembro, no pavilhão do Anhembi, que aguarda ansiosamente, pelos investimentos de refrigeração, prometidos, mas ainda não reais, o que nos faz torcer para que a temperatura não atinja elevados picos para não atrapalhar a visitação.

Uma dica bacana é ir com o tempo a seu favor, sem pressa, pois o garimpo nos estandes irá lhe proporcionar achados preciosos, com excelente custo x benefício. E se for com crianças, para quem as tem, uma obrigação para incentivar um gosto maior pela leitura, não esqueça de providenciar pulseiras ou crachás de identificação, para que se possa evitar transtornos em caso de perdas momentâneas.

Bom passeio e uma leitura melhor ainda para atuais, novos e futuros leitores, que poderão transformar o Brasil realmente em uma nação de grande intimidade com os livros e todo o seu rico universo.

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