Trip & Soul
Marco Aurélio Moura
Costumo responder, normalmente, a quem me pergunta a razão das minhas viagens: que sei muito bem daquilo que fujo, e não aquilo que procuro
Michel de Montaigne
19
agosto
2014

A caminho do Irã

        Dias atrás, deixei um amigo português meio incomodado com um comentário que fiz no facebook e que dizia: adoro comprar livros, só tenho que aprender a ler.

Imediatamente, expliquei a ele que era somente uma expressão, mas que no meu caso, fazia sentido pois adoro comprar livros, presentear com livros – inclusive, com amigos mais próximos costumo até fazer uma dedicatória como se estivesse autografando a contra capa, mas não tenho costume de ler livros.

E, foi depois desse “post” que percebi que não é bem assim. Agora, por exemplo, estou me preparando para viajar ao Irã e fui levado a comprar e ler vários livros sobre este País. Claro que sempre que viajo procuro saber sobre os países que visito, seus costumes, cidades que devem ser conhecidas, enfim, ter conhecimento básico para aproveitar bem as férias. E, sempre acabei fazendo uso da internet, jornais, revistas e, algumas vezes acabava tendo limitações e dificuldades por não ter lido nada a respeito de onde estava, somente os guias locais e, que, agora vejo que só os livros são capazes de suprir. Um erro fatal.

Na verdade, ninguém precisa se especializar em história e locais. Desde Miami até Mongólia, sempre tem algo interessante que vai engrandecer a sua história quando voltar para casa e poder contar aos amigos.

E, com essa ideia, que ainda não aprimorei e estou sendo obrigado a pesquisar muito sobre o meu próximo roteiro de férias, cheguei a este interessante livro chamado Iranianos do escritor Samy Adghirni . Não, não foi chegando numa boa livraria que achei este livro, até porque conheci Samy antes da ideia do livro. Este escritor, filho de mãe brasileira e pai marroquino, já tinha uma coluna na Folha de São Paulo, chamada “Um brasileiro no Irã. E boa parte do meu interesse e felicidade em poder conhecer o Irã se firmou nas palavras do escritor ainda em seu blog.


O interessante dos textos de Samy (no blog), é que falavam de um Irã atual com algumas referências e histórias recentes, de no máximo um século atrás. Assumo que historias muito mais antigas me fazem desanimar sobre um livro, por que não tenho a veia um historiador. Tanto no livro como no blog ele fala de situações muito próximas de nossa realidade, desde a preparação dos iranianos mais abastados para virem à Copa do Mundo, aqui no Brasil, até o caso do primeiro ministro israelense fazer uma campanha para informar aos iranianos que eles poderiam usar calças jeans.

Sim, a falta de informação sobre o país quase vizinho e, seu quase pior inimigo, esse ministro israelense  tentava informar o povo iraniano que se eles não seguissem as pressões da república islâmica teriam uma vida melhor com alguns conceitos do mundo ocidental e um deles era calça jeans. Inclusive essa parte da história recente, inspirou a capa do livro, onde se vê jovens estudantes usando suas roupas mais tradicionais e com calças jeans e tênis por baixo. Esse absurdo gerou uma campanha inversa aonde quase toda e instruída população iraniana debochou e muito do mal informado vizinho.

Estou viajando para o Irã agora em setembro e já sinto como se conhecesse cada rua das principais cidades. Na minha bagagem não mais o livro que já terminei, mas as lembranças de cada comentário positivo e interessante sobre este lado persa da história e do mundo.

Para quem quer conhecer um pouco mais sobre este difícil e inacessível Irã, separe um momento para ler este livro da coleção intitulada Iranianos, que sugere outras leituras, de outros povos. Garanto, que logo no final você vai querer arrumar as suas malas e partir.

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