Trip & Soul
Marco Aurélio Moura
Costumo responder, normalmente, a quem me pergunta a razão das minhas viagens: que sei muito bem daquilo que fujo, e não aquilo que procuro
Michel de Montaigne
07
outubro
2015

A tão curiosa Etiopia desvendada um pouco

De volta das férias, vou me acostumando à vida do trabalho, social e ao dia a dia normal. Apesar de difícil, estar em São Paulo é sempre muito bom. E, como escrevi no post anterior, depois de tanta curiosidade, resolvi apostar em mais um destino improvável – Etiópia. Apostei e gostei, mesmo ficando apenas três noites na capital, Addis Abeba ou Addis Ababa.

Foi um voo tranquilo de 12 horas, em um moderno Boeing da Ethiopian Airlines e, finalmente, cheguei na tão curiosa capital desse País africano. Impressionante ver como o aeroporto de Addis Abeba é movimentado, serve de ponto de partida para várias outras partes do mundo mas, são poucas as pessoas que descem na cidade. Do meu voo, que saiu aqui de SP, apenas eu e um europeu desembarcamos, o restante fez conexão para Israel, China, Europa etc. É um aeroporto que está se adaptando aos novos tempos. Vê-se que muita coisa ainda está em reforma e falta infraestrutura para atender tanta gente no básico – restaurantes, lojas e toaletes.

Brasileiros precisam de visto para entrar na Etiópia e, é bem simples, compra-se no próprio aeroporto por US$20, pagos em espécie, nada de cartão de crédito. Em seguida, antes da alfândega, todo cidadão é abordado por médicos que, dependendo de que País é (principalmente africanos), seguem para uma breve entrevista, preenchem um formulário para controle de doenças locais.

A maioria da população é negra e, já na fila de estrangeiros, não se consegue passar despercebido. Até eu, que sempre sou confundido com como descendente do Oriente Médio acabei dando pinta de turista. A distância entre o aeroporto e o centro da cidade é pequena, quase dá para ir a pé, mas a bagagem impede e o calor também.

Enfim, vamos começar a viagem. Este ano, o roteiro incluiu Etiópia e Palestina, pela primeira vez e Egito e Israel, pela quarta vez. Addis Abeba não tem muita coisa para visitar e, não é uma cidade turística. Mas, para matar a curiosidade, reservei apenas 3 noites e, mesmo assim, já sei que nas próximas férias voltarei e ficarei mais tempo, o bastante para conhecer os vilarejos e tribos locais que se espalham pelo Norte e Sul do País e, que merecem ser visitadas segundo informações de um italiano que estava por lá há 20 dias conhecendo estes pequenos povoados e tinha se deslumbrando com tudo.

E, como sempre acontece, só o fato de ser brasileiro já encontra uma receptividade impara. Sorrisos e gentilezas sem fim. E, eu me pergunto: o que o Brasil fez ou tem de tão bom que o mundo sempre lhe sorri? Fico feliz, claro, com estas demonstrações de afeto e, viajando sozinho isto ajuda sempre.

Na Etiópia não foi diferente. Que povo bom, atencioso e amável que encontrei. Além da simpatia, outra coisa que chama atenção é a beleza das mulheres, que mesmo vivendo, algumas em extrema pobreza, em zonas áridas cercadas por lixões, estão sempre com roupas coloridas e adornadas com inúmeras pulseiras e colares. Como rainhas de filmes que assistimos na televisão ou cinema. São lindas por natureza, com traços muito delicados, cabelos quase sempre atrevidos e, sempre, com roupas coloridas.

Infelizmente, a pobreza é perceptível pelas calçadas com mulheres e crianças pedintes. Entretanto, a limpeza dos lugares é um fato que chama atenção. Passeando pelos bairros da periferia, deparei com casas em ruas de terra, ou lama, já que tinha chovido, me impressionei com as donas de casa varrendo e limpando suas portas, mesmo que dentro suas casas nem sejam tão confortáveis.

PREÇOS DE EUROPA

Como sempre faço, procuro estar próximo da população local e, como sou hoteleiro, não procuro hotéis caros, afinal, eu viajo para conhecer pessoas, lugares e culturas. Mas, constatei que a Etiópia é cara. Restaurantes e hotéis têm preços de Europa sem a qualidade e sem a infraestrutura necessárias. Claro que as grandes redes hoteleiras estão lá, como Hilton e Sheraton e, os preços, estes sim, absurdos. Os taxis também são caros e, alguns motoristas, para não generalizar, não são os mais honestos.

Enfim, fui e paguei para ver. Gostei do que vi e me aguçou ainda mais o interesse em conhecer a Etiópia. Minha curiosidade me leva sempre a lugares impensáveis para a maioria dos meus amigos, afinal, a imagem que temos é de um País muito pobre, com crianças a beira da desnutrição. Infelizmente, é uma realidade que não posso negar, mas o pouco que vi me deixou com mais vontade, ainda, de conhecer e, por isso mesmo já está no topo da minha lista de viagem do próximo ano. E, para finalizar, não esqueça de experimentar o café etíope, é realmente muito bom.

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