Trip & Soul
Marco Aurélio Moura
Costumo responder, normalmente, a quem me pergunta a razão das minhas viagens: que sei muito bem daquilo que fujo, e não aquilo que procuro
Michel de Montaigne
21
outubro
2014

Brasileiro babaca em NY

         

Repórter de turismo do "New York Times", o jornalista norte-americano Seth Kugel acaba de estrear no Youtube o canal "Amigo Gringo", que, semanalmente, trará dicas bem-humoradas para os brasileiros que planejam visitar a cidade de Nova York.

O objetivo da série é mostrar aos brasileiros como não ser um turista "babaca" (nas palavras do próprio Seth) na Big Apple. Sentiu-se ofendido com isso? Teve vontade de fazer uma reclamação formal ao Itamaraty e pedir a proibição dele de entrar no Brasil? Teve a vontade pegar ele lá fora e mostrar quem é babaca? Pois é, digo que algumas dessas coisas pensei e tive vontade. Mas depois que eu comecei pensar melhor a respeito, desisti.

Não que opinião de americanos para mim seja assim tão importantes. Porque já ouvi deles mesmos que o povo mais limitado do mundo moram naquela região. Que sequer tentam falar uma segunda lingua, pois são acomodados em ter o idioma usado em todo o mundo. Palavras de próprios americanos eu apenas fiquei em silêncio com a idéia de que  quem cala concorda.

Mas infelizmente para quem viaja por ai a fora, realmente encontra uns brasileiros bem babacas. A começar no avião de ida e muito mais no avião de volta. Pois na volta você já esta acostumado com o estilo de vida alheio e quando se depara com a sua própria realidade é pior. Eu assumo aqui e assino embaixo que não falo em português perto de brasileiros em viagem para não saberem que sou brasileiro.

Numa viagem você sai do seu mundo. Aquele mundo que você construiu por anos em sua vida. Escolhendo as pessoas para serem seus amigos. E complementa com os que você não escolheu para serem família. Mas isso é um assunto mais profundo e não aberto a todos... Então você se depara sentado já no avião com algumas pessoas que você não tem empatia e nada em comum. Já viajei ao lado do apresentador Gugu para a Espanha e sequer trocamos uma só palavra. Somente ele deve ter se interessado em saber quem era eu porque o comissário da cabine vinha a cada hora me perguntar se eu estava bem, porque ele era apenas amigo de uma amiga. E essa amiga havia lhe falado da minha falta de gosto por voar. Gugu deve ter se questionado quem era a pessoa ao lado por eu estar sendo tanto paparicado pela tripulação de cabine.

Também quando viajo de companhias internacionais, a tendência é ter um pouco menos brasileiros para prosear durante as varias horas de viagem. Mas ultimamente mesmo viajando para México ou Turquia, a maioria eram brasileiros. Mas me alimento bem,  tomo uma pílula e durmo ate o destino final. Pouca conversa.

Metido eu? não me importo com que pessoas estranhas achem de mim. Sò quero um pouco de paz a qual estou pagando para ter.

Fiquei indiganado com esse jornalista americano que tira sarro de nossa cara assim descaradamente. Nos chamando de babaca e nos dando dica de como se comportar em NY.

Mas você já encontrou aqueles grupos de brasileiros sacoleiros em NY? Sentiu orgulho disto? Nada contra ser desesperado por compra. Faz parte e realmente tem muita coisa interessante para se comprar la fora. Mas brasileiros são um pouco exagerados. Mas tudo bem. Não serei eu que irei discutir conceitos disto ou aquilo sobre o povo daqui.

Americanos e brasleiros por exemplo tem culturas diferentes. Ainda bem. Porém quando você vai numa loja em NY eles querem que você já chegue com as informações sobre os aparelhos que você quer comprar e não querem conversar. Brasileiro adora conversar. É so ver nas lojas daqui. Se conversa mais e se compra menos.

Na minha ultima vez em NY fui comprar um sitema novo para o meu Ipod com caixas de som Bose e outros. Cheguei na loja me achando porque gastaria alguns bons dólares. Mas quando perguntei ao atendente sobre o que o aparelho me ofereceria de melhor, ele simplesmente me mandou entrar no site e me informar. Claro que baixei bola e fui fazer o que ele mandou e sai carregado ainda com os produtos.

Mas brasileiro é difícil mesmo. É só conversar com amigos que moram fora do Brasil e encontrarm constantemente seus conterrâneos. Se ainda forem de alguns Estados especiais que eu não direi aqui, são ainda piores.

Eu mesmo já assisti uma família brasileira brigando com uma atendente numa das mais chiques docerias de Paris. Pior que hoje as pessoas já sabem diferenciar que aquela pessoa não é de Portugal e nem esta falando espanhol da Argentina. Sim, estão escutando o português brasileiro.

Outra vez eu estava no aeroporto de Amsterdam numa sala de embarque não se ouvia nem a respiração alheia, de repente chega a seleção brasileira de futebol feminino fazendo a maior algazarra. E pior, no agasalho delas estava escrito Brasil.

Já voei de balão com dois casais de brasileiros, em Luxor no Egito e não abri a boca para conversar em português para que não me identificassem. POis eu tinha falado ainda no traslado ate o balão para um casal de japoneses em núpcias que eu era do Brasil. Fiquei tenso que esse casal me entregasse no barco sobre o Nilo em direção ao embarque dos balões.

infelizmente o que este jornalista americano esta fazendo é a nossa realidade. E não estamos falando de classe social. Pois essa família que gritava na doceria francesa era de família bem abastarda. Porem não em educação.

O mais interessante que existem lugares que amam o Brasil. Amar o Brasil não eh necessariamente amar os brasileiros. Em especial o Oriente Medio que tem uma paixão absurda sobre o nosso Brasil baseado no nosso futebol antigo.

Ainda sinto que moro no melhor pais do Mundo e somos o povo mais receptivo e simpático também. Mas realmente a nossa realidade anda muito escancarada para muitos rirem...

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