Trip & Soul
Marco Aurélio Moura
Costumo responder, normalmente, a quem me pergunta a razão das minhas viagens: que sei muito bem daquilo que fujo, e não aquilo que procuro
Michel de Montaigne
06
setembro
2014

Estou em Tehran e amando tudo.

Diferente das grandes capitais, o aeroporto de Teerã parece mais uma grande rodoviária no meio do nada. Entre terras e terras de um longo deserto árido, com poucos pontos de área verde, percebe-se ao desembarcar que os anúncios nos corredores do avião, até dentro do aeroporto, são simples e sem nenhuma produção como vemos no ocidente e, até mesmo Turquia, Israel e Líbano.

No controle de passaporte outra curiosidade - a fila dos estrangeiros, que normalmente é gigante em grandes centros - aqui é pequena, cerca de meia dúzia de estrangeiros, enquanto a fila de iranianos, que vieram no mesmo avião que eu, vindos de Istambul era enorme. Ainda no avião, quando ele estava taxiando em solo iraniano, a movimentação entre todas as mulheres, sem exceção,era gigante para arrumar o chador que aqui é obrigatório. Aliás, umas ficam até mais bonitas cobertas.

Quando entreguei o passaporte esperei inúmeras perguntas sobre a minha viagem e, nada. Acredito que, como o policial mal falava inglês, não quis se arriscar comigo. Realmente, estar aqui no Irã me faz muito feliz, pois este era um sonho antigo e, finalmente, está sendo realizado. Estou aqui reparando em tudo e com a sensação de estar sendo vigiado pela polícia de costumes.

Um calor de quase 40 graus e, usar bermuda está fora de cogitação. Bom, assim não fico parecendo um simples turista.

Benvindo ao Irã. Assumo que estou ansioso por conhecer cada detalhe deste país e fico me policiando para não me comportar e estar fora dos padrões locais, como camiseta muito justa ou mesmo mostrar tatuagens. Assumo, também, que na minha ignorância, ei procurei pelas usinas nucleares quando o avião estava chegando e não encontrei nada. Que alívio. Agora 16 dias em solo iraniano, sem cartão de crédito/débito devido às sanções econômicas. Marcas americanas por aqui não há. Agora,só dinheiro para tudo. A saída do aeroporto é bem tranqüila e sem milhares de taxistas tentando te levar. Reparando nos detalhes senti que os iranianos bem honestos e muito amáveis. A maioria, sempre com um sorriso. Quero muito gostar daqui e, até agora, meus olhos só viram o melhor de tudo.

Entre turcos, libaneses, sírios e jordanianos, os iranianos têm uma beleza mais tranquila. Ok. Só estou aqui há 15 minutos e não paro de elogiar. Mesmo que eles não falem muito bem inglês, são agradáveis e pedem, sorrindo, apenas para você falar mais devagar. O calor dá pistas de que você chegou no meio de um deserto pois é preciso fechar a janela do taxi para fugir do vento muito quente. Por todo o caminho, até o hotel, outdoors antigos com propagandas pouco criativas e sem muitos personagens. Pinturas de fotos de heróis espalhadas pelas grandes avenidas também. Carros velhos e poluição devido às sanções contra as grandes montadoras. Só as chinesas e coreanas se firmaram.Poluição é outro problema. Um país rico em petróleo não tem estrutura, nem equipamentos para tratar a qualidade do combustível que acaba causando uma das piores poluição que já vi. A cidade, cercada por montanhas, contribui para espetáculo horrível.

Ao chegar ao hotel, outra surpresa. Ele é administrado pelo governo, mais motivos para me comportar, mesmo tendo sido mais fácil do que imaginei esta chegada ao Irã. Devido ao levante Sunita aqui perto, no norte do Iraque, pensei que o Irã estivesse em alerta, já que a maioria da sua população é xiita. Depois de um bom descanso, fui conhecer a noite de Teerã. Aqui é quinta-feira (o sábado deles), ruas e restaurantes lotados. Uma maravilha e, eu cada vez mais apaixonado pelo Irã.











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