Trip & Soul
Marco Aurélio Moura
Costumo responder, normalmente, a quem me pergunta a razão das minhas viagens: que sei muito bem daquilo que fujo, e não aquilo que procuro
Michel de Montaigne
16
março
2015

Inhotim um paraiso das artes em jardins mineiros

Viajar é sempre um prazer e, assumo, sim, que viajar para fora do Brasil é muitas vezes  mais barato. Neste momento, infelizmente, estou revendo este conceito pois com o dólar, a quase 4 reais, fica impossível sair de casa, nem mesmo para viajarmos pelo Brasil.

É certo, também, que em algumas épocas do ano como réveillon, carnaval ou feriados prolongados os preços chegam a triplicar. No mês passado, por exemplo, no carnaval, uma passagem São Paulo-Recife chegou a custar 3 mil reais. Fiquei indignado, pois era o mesmo valor que paguei para ir a Turquia em setembro último. Outro dia mesmo, encontrei passagens de companhias internacionais para a Índia, que fica ainda mais longe, por volta de 2.500 reais. Sim reais. Alguém explica esta disparidade?

Inhotim













E, com esta turbulência de pensamentos e chateações nas comparações, viajei a Inhotim, em Minas Gerais. Consegui uma passagem pela TAM, para Belo Horizonte, com um preço excelente, e com apenas dois meses de antecedência. Um voo curto e tranquilo até Confins. “Que aeroporto longe. Bem diz o nome Confins”. Aliás, por bem pouco o taxi custa mais caro que o avião. E, quando as pessoas reclamam, dizem que elas são chatas.

Foi uma viagem entre amigos e, aproveitamos para rever outros que moram em BH e ficamos entre os bairros Lourdes e Savassi. Aliás uma excelente localização, onde encontramos ótimos restaurantes, bares e pelo jeito, é onde o mineiro endinheirado gosta de frequentar. Indico o Mercure Lourdes, que fica numa posição privilegiada e tem ótima infra estrutura para te receber, com quartos espaçosos, excelente serviço e ainda boa área de lazer. Infelizmente, em um fim de semana, a gente acaba usando, no máximo, um bom colchão.

Inhotim
Quando sai de São Paulo me informei e soube que não precisaria alugar um carro para chegar em Inhotim, já que há um ônibus exclusivo que sai da rodoviária de BH direto ao parque. Que ilusão, só não me informaram que este ônibus sai apenas uma vez ao dia. Com isso acabamos indo de taxi, que tem que te esperar, pois não há taxis no parque a disposição. Como estávamos em três, o valor foi diluído mas, mesmo assim, ficou em 400 reais a corrida e, espera, das 10h00 às 17h00.

A entrada do parque é R$ 40,00 por pessoa nos fins de semana com valores diferentes durante a semana.

www.inhotim.org.br

Internamente o parque é atendido com pequenos carrinhos elétricos. Você tem a opção de reservar um apenas para você (que é caro) ou, usar os carrinhos circulares, por R$ 20,00 por pessoa. Para usar estes carrinhos você recebe uma pulseira e pode subir e descer a qualquer momento. Além de boa quantidade, todos os jovens que dirigem estes carrinhos são atenciosos e dão explicações sobre as galerias e sobre as exposições ao ar livre. Todos, sem exceção, são extremamente gentis e, em nenhum momento, os visitantes se sentem perdidos com tanto espaço para conhecer.

Além das obras de arte, das galerias, as plantas e paisagismo de Inhotim é um caso à parte - são lindos. Então vai do seu tempo para cada coisa e optar por conhecer o parque em um, dois ou três dias. Depende muito de cada grupo e pessoa.

Estávamos em três e um deles era arquiteto, que realmente tinha um interesse diferenciado em tudo, mas por unanimidade decidimos que apenas um dia nos deixaria satisfeitos. E, foi o que aconteceu: ficamos encantados com Inhotim.

Voltando à hospedagem, se quiser economizar tempo, a opção também é se hospedar no município de Brumadinho, onde fica Inhotim. São, apenas 4 km do parque. Brumadinho é uma cidade pequena, sem nenhuma estrutura turística mas que conta com boas pousadas e hotéis para atender os visitantes. Comenta-se que em breve haverá um hotel bacana dentro do próprio parque.

Inhotim
Voltando ao passeio, não esqueça de levar repelente e protetor solar, afinal, você está em uma mata e terá que conviver com os moradores da natureza que podem ser desagradáveis. Além destes pequenos apetrechos não esqueça da água. Aliás, a cada caminhada, vale uma parada para apreciar tanta beleza junta. E a organização é nível internacional.

Além das exposições fixas o parque tem exposições esporádicas sempre renovando suas obras e levando mais e mais visitantes ao lugar. Quando se tem exposições durante a semana, o fluxo de pessoas vindas de BH para um vernissage é bastante grande.

Em Inhotim existem dois ótimos restaurantes, com qualidade e preços honestos. E no final do passeio não faça como nós, que esquecemos de passar na lojinha e trazer alguma lembrança. Mas se isso acontecer, chegando em Belo Horizonte, vá até Savassi onde tem uma boa loja de produtos de Inhotim. Os preços são bem salgados, tanto no parque, quanto em BH, mas vale a pena, pois são obras de artes e resultado de um excelente passeio.

E fechando sobre os meus questionamentos sobre viajar para fora ou não: temos tanta coisa linda em nosso Brasil que vale dividir o tempo entre conhecer este imenso País e encontrar destinos deslumbrante bem longe daqui. O importante é viajar.

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