Trip & Soul
Marco Aurélio Moura
Costumo responder, normalmente, a quem me pergunta a razão das minhas viagens: que sei muito bem daquilo que fujo, e não aquilo que procuro
Michel de Montaigne
17
setembro
2014

Iran Agora - Sofeh Mountain, Isfahan, Iran...

Não posso deixar de contar sobre uma das experiências mais sensacionais e inovadoras que passei em toda a viagem pelo Irã. Primeiro, essa receptividade que é de encantar e emocionar qualquer um. Em parte, devo isso a Pelé, Zico, Bebeto e Ronaldo pelo futebol arte que marcou a vida de muitos pelo Oriente Médio. É fantástico e de tirar o chapéu. Talvez tenham marcado mais a vida desses povos daqui do Oriente Médio do que no próprio Brasil. Para mim, futebol, somente em jogos de Copa e de preferência longe do Brasil.

E, como comentei em posts anteriores, parte da minha viagem ao Irã teve um upgrade devido o carinho e atenção de dois irmãos iranianos, que estavam no mesmo ônibus que eu, na viagem entre Teerã e Isfahan e, que, resolveram me ajudar ao chegar no ponto final deste trecho. Sepehr e Alborz, meus dois salvadores e a linda e simpática Nasim, esposa de Alborz.

Na segunda noite em Isfahan, Alborz me chama para escalar e dormir na montanha. Achei o convite incrível e fiquei pensando que seria minha primeira experiência no esporte e, o melhor, numa montanha iraniana. Impossível não aceitar o convite. Seria uma experiência única.

Horas antes de subir a montanha fizemos algumas compras e Alborz, experiente no assunto, já preparava colchões e mochilas para a nossa aventura. Naquela noite, uma lua cheia que confirmava ainda mais o convite. E, eu preocupado com a esposa de Alborz, a querida Nasim, que nos estimulava e nos ajudava nesta aventura . Ela não ia, somente eu, Alborz e um outro amigo dele. No final, somente eu e Alborz, subimos a montanha.

Só não contei a Alborz que era a minha primeira vez em subir montanha, dormir sob e, com a lua de companhia.

 Alborz, Isfahan, me chama para escalar e dormir na montanha
Saímos da casa de Alborz, em Isfahan por volta da meia noite e, de carro, fomos até o pé da montanha. Quando lá chegamos e olhei o tamanho da tal montanha, com vários picos e, sem saber onde ia dormir, fiquei bem preocupado. Conversamos sobre tudo na subida e a cada passo, eu como marinheiro, ops, montanhista de primeira viagem, me cansava mais e mais, enquanto meu amigo Alborz, já profissional como escalador, andava como se estivesse na rua da casa dele.

Em determinados pontos da escalada ficava mais íngrime e toda minha condição física de esportista ia desaparecendo. Alborz firme, não cansava e nem suava. Subimos e subimos e quando eu olhava para trás, tinha uma vista linda de luzes de uma cidade longa e iluminada . E, olhando para cima via uma lua linda e toda perfeita. Nada me fazia pensar em desistir de tão especial o momento. E ainda uma montanha no Irã? Experiência de vida.

Andamos sobre pedras soltas e escorregadias por mais de 2 horas e meia, parando poucos minutos apenas para um gole curto de água. Aprendi que, quanto mais água se toma neste momento mais água você quer. E cansa mais. Técnicas de um especialista como ele. Alborz é professor universitário e aqui é férias pois é verão, então tive sorte de ter ele comigo nesta viagem a Isfahan.

De repente, eu cansado, Alborz fala: vamos ficar e acampar aqui. Mal conversamos por uns 20 minutos, comemos algumas gulodices que Nasim preparou para nós, tomamos umas bebidas(sem álcool) e dormimos. Impressionante, mal deu tempo de dar boa noite e Alborz já dormia a sono solto e ali, querendo ficar acordado e curtir a linda a vista que eu tinha lá de cima . Quanto mais a noite adentrou mais ficou frio e eu dentro daqueles colchões/cobertor sem poder me mexer.

Como a montanha tinha vários picos, horas depois o sol despontava entre estes eles. E para minha surpresa começaram a aparecer pessoas que costumam caminhar logo cedo e passavam por nós em ritmo frenético de jogging. Alguns, inclusive, sobem a montanha como se fosse o jardim de suas casas. E olha que estávamos muito alto.

Acordamos e depois de contemplarmos aquela linda visão partimos e, tínhamos que ser rápidos porque o sol é muito quente e queima .

Mas, a descida não foi mais fácil que a subida, já que qualquer erro ou um passo em falso iriamos ladeira abaixo e, um acidente agora não estava nos nossos planos. Demoramos bastante na descida tentando nos esconder do sol. Na chegada, Nasim, a esposa de Alborz nos esperava com toda sua simpatia para irmos tomar um café da manhã na casa de uma prima dela.

E, assim, foi uma nova experiência que vou levar para a vida toda e graças ao carinho e receptividade deste povo tão especial.


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