Trip & Soul
Marco Aurélio Moura
Costumo responder, normalmente, a quem me pergunta a razão das minhas viagens: que sei muito bem daquilo que fujo, e não aquilo que procuro
Michel de Montaigne
14
setembro
2014

Iran Agora - Somos amados por aqui

 Este três cozinheiros quando souberam que eu era brasileiro fizeram a festa. O da esquerda quis ele fazer o meu sanduíche.
Sempre fui daqueles chatos que quando encontra com um estrangeiro, fora do Brasil e ele tinha como referência somente nosso futebol, ficava bem frustrado. Isto, porque sempre pensei, pretensão minha, que eles deveriam saber sobre outras do Brasil, além do futebol, samba e carnaval. Mas depois de iniciar esta viagem aqui pelo Oriente Médio, estou revendo estas minhas considerações.

É de impressionar e até, em alguns momentos, emocionar o carinho que o Oriente Médio tem com o Brasil em relação ao nosso futebol. Tirando Israel que já tem mais informações sobre outras culturas brasileiras, os povos dos demais países conhecem e falam os nomes de inúmeros jogadores, como Pelé, Zico, Ronaldo e tantos outros que jogaram pelos campos do mundo. Poucos falam sobre o nosso futebol atual a não ser pela derrota de 7 a 1 para a Alemanha.

Os países desse lado do mundo nos recebem bem, mas não com a intensidade de turcos, árabes ou persas, que fazem festa quando você diz que é brasileiro. Aqui no Irã estou impressionado com os sorrisos que ganho ou, ver pessoas se emocionarem quando falo que sou do Brasil. E, não é um ou outro, são todos, sem exceção. Inclusive mais velhos. Me sinto fazendo parte de uma lenda mundial, mesmo não gostando de futebol.

Chegar ao Oriente Médio, com uma escrita, costumes e tradições diferentes me deixam de certa forma tenso. Sabemos que existem costumes e, é preciso respeitar. Diferente de viajar para Europa, onde os costumes são basicamente como os nossos. Aqui não. Porém essa tensão é quebrada e acalorada para nós brasileiros. Sem querer e nem fazer nada porque já fizeram por nós.

Somos amados por aqui.

Em minhas viagens pelo Oriente Médio, tive o prazer de conhecer vários países, mas aqui no Iran sinto um amor maior, um carinho especial. Poucos falam inglês, e não há tantos turistas como num país europeu. De repente, aparece um brasileiro perdido como eu. Eles se surpreendem e ficam felizes. E, eu, claro, mais ainda.

Sei de uma cidade aqui, chamada Abadan, que vive e respira Brasil. Talvez tenha mais bandeiras do nosso país na cidade do que a do próprio Irã. E é algo que todos gostam de contar. Mesmo não tendo ido ainda a Abadan, todos os iranianos com quem convivi em Tehran, Isfahan e Shiraz comentam sobre o amor de Abadan com o Brasil.

Chegando, ontem a noite em Shiraz, famosa cidade iraniana, do taxi, à recepção do hotel e ao dono de um mercadinho local, todos me abraçaram por ser do Brasil. Esta demonstração de carinho acabou aflorando o amor que sinto cada vez mais pelo meu Brasil, apesar dos problemas e destes políticos corruptos e morcegos que tentam roubar tudo que temos. Política à parte, apenas um desabafo.

Hoje, minha opinião chata, sobre querer outras coisas do Brasil, além de futebol, continuam, agora sem tirar a importância do nosso antigo futebol arte e que até hoje se mantém vivo na memória deste povo do Oriente Médio. Decidi que, se um dia encontrar Pelé e os jogadores que me foram citados, agradecerei sim, por terem me dado essa oportunidade na vida de ser tão bem recebido por aqui.

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