Trip & Soul
Marco Aurélio Moura
Costumo responder, normalmente, a quem me pergunta a razão das minhas viagens: que sei muito bem daquilo que fujo, e não aquilo que procuro
Michel de Montaigne
09
outubro
2012

Na dúvida não ultrapasse ou mesmo não dê o número do seu cartão

Hoje em dia comprar um prazer através de uma viagem ficou muito fácil. Entenda-se prazer como apenas um prazer em viajar, curtir lugares, bons restaurantes, hotéis ou mesmo outras culturas. 

De repente você está naquela semana de rotina entediante e deseja apenas estar num lugar paradisíaco. E como também muitas mulheres fazem,  comprando bolsas ou indo ao salão de beleza, todos  podem comprar algo pela internet.

Outro dia, exatamente num momento daqueles que queremos correr de nossos escritórios, entrei num site de passagens e achei ali uma promoção que eu não procurava e ainda estava super dentro das minhas possibilidades de pagamento. O que aconteceu? Comprei claro e  imediatamente  me senti o homem mais feliz do mundo.  Parecia que o meu tédio e a minha rotina chata já não mais existia. Depois da passagem a reserva do hotel, do carro, e as programações do passeio me fizeram mudar o humor espantosamente. Sai do escritório me sentindo uma criança que tinha ganhado a sua primeira bicicleta.

É engraçado mas você pergunta para um paulistano o seu sonho quando se aposentar de seu trabalho e muitos respondem que é ter uma pousada no nordeste brasileiro. Muitos já desenham tudo que terá nesta pousada e outros fornecem quase a data da construção. 
Mas isto é um bom exemplo de fuga. Sim de fugir do estressante dia das grandes cidades e ir viver num lugar que num determinado momento já esteve em seu momento de lazer. 
A idéia é ótima aparentemente. Eu lembro que já tiveram até alguns cursos  para  você ser um bom administrador de pousadas, de preferência em praias paradisíacas.

Logo após a minha compra, a  semana acabou, veio o final de semana e a vida continuou nos dias seguintes.

Semanas depois, quando de repente chegou uma viagem para eu fazer. Inclusive alguns amigos já tinham me perguntado o que eu iria fazer em determinada data e respondi apenas que eu achava que tinha uma viagem. Completaram a pergunta me questionando se era a trabalho. E quando respondi que seria de lazer e eu não imaginava a data, causei maior espanto no meu questionador.

Sim, chegou a data, viajei até  com um certo contra gosto. Pois naquele momento eu já não estava no momento de tédio e não era bem uma viagem que eu precisava.
Viagem paga, viagem feita e muito bem aproveitada.


Mas falo tudo isto, porque está tudo muito fácil, rápido e a nossa disposição. Basta apenas ter um bom limite no seu cartão de crédito.  E isso é perigoso. Claro que pode ser comparado a outras coisas que compramos para saciar nossa dificuldade em entender ou mesmo absorver algumas coisas.

Também é claro que viajar sempre é algo mais satisfatório quando se é de lazer do que não... Mas uma viagem também é algo material como comprar uma bolsa, um sapato ou mesmo um carro por carência. 

Eu sempre defendi que o ser humano é suscetível sim a muitas coisas porque não recebe um livrinho de cabeceira para saber ser feliz. Então bate a cabeça mesmo e não deve se reprimir por isto. Pelo contrário, deve ser inteligente para que quando fizer novamente, absorva com um grau um pouco maior de aprendizado. 

Eu adoro viajar e irei sempre me dar estes presentes independente do momento feliz ou não tão  feliz assim...

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