Trip & Soul
Marco Aurélio Moura
Costumo responder, normalmente, a quem me pergunta a razão das minhas viagens: que sei muito bem daquilo que fujo, e não aquilo que procuro
Michel de Montaigne
21
agosto
2012

Viagens nada convencionais

Talvez uma frase muito batida porém bastante real é que viajar é um excelente investimento. Independente da forma que você planeje a sua viagem, só mesmo de você quebrar a rotina do seu dia indo para um lugar diferente e especial, já ira fazer uma grande diferença para o descanso da sua cabeça. Talvez o seu físico não relaxe tanto no primeiro momento, mas é garantido sim um desestressar .

Quando se pega férias muitos querem apenas descansar. Pensam num resort com tudo incluído em Cancun ou mesmo num hotel que te ofereça estrutura para descanso com luxo ou mesmo diferentes sentidos. Respeito e acredito que cada um deve procurar aquilo que mais se identifica. Pois existem quem viaja sozinho, outros em casal ou mesmo em família e com isto cada um tem a sua necessidade aliada ao seu bolso e criatividade.

Alguns querem apenas chegar no aeroporto de destino e ser recebido por um simpático guia falando o nosso idioma e levado diretamente para o merecido descanso. Outros, tem o prazer de chegar num certo destino apenas com o hotel da chegada e o restante ser programado na hora com o prazo da passagem de volta já emitida.

Já viajei para diferentes lugares. Mas sempre senti que eu queria mais. As vezes queria mais querendo menos. Lembro de quando estive em Praga pela primeira vez, há mais de 15 anos e fiquei deslumbrado com a cidade. Linda, pessoas agradáveis e ainda era o Valentine´s Day, ou seja, somente casais de toda Europa curtindo o final de semana e eu lá sozinho. Na época eu estava estudando inglês em Londres por um período. A cidade é linda. Tem uma magia especial. Algo diferente, sem ser pretensiosa como a maravilhosa Paris. Não sei como está agora mas naquela época era mágica.

Mas o que mais me chamou atenção na primeira noite em Praga não foi o maravilhoso teatro que inclusive eu assisti uma ópera e nem aquela ponte maravilhosa que é visita obrigatória quando se vai a cidade. Mas sim, o ônibus circular de moradores que passava em frente ao meu hotel.

Eu fiquei em Praga por umas 4 ou 5 noites e numa das noites eu me arrisquei e fui. Deixei anoitecer e fiquei observando como as pessoas faziam. Que portas elas entravam e como faziam os pagamentos. Quando me senti mais seguro subi no ônibus sem saber para aonde iria.

Só resumindo o tal do passeio, durou em torno de uma hora e meia aonde fui parar num bairro e fui gentilmente convidado para sair. Acreditei que era para sair pois só tinha sobrado eu e o motorista dentro do ônibus.

Neste percurso até o ponto final eu ficava olhando as pessoas que conversavam entre elas e eu mal entendia. Como se fosse um trecho normal aqui mesmo em São Paulo, mas algo me prendia a atenção vendo a vida normal como ela é destas pessoas.

Desci num bairro muito agradável porém pouquíssimo turístico. Encontrei um bar ou outro e literalmente com mímicas consegui tomar uma bebida e depois voltei de taxi para o meu hotel. Para mim esse pequeno passeio valeu mais que muita coisa que eu tinha visto em toda a viagem.

A partir deste momento eu percebi que eu gostava de um tipo diferente de viagens. Um estilo aonde se conhece a pessoa local. Pretensões a parte, mas para mim hotéis 5 estrelas e aeroportos internacionais são quase todos iguais. Aonde você não tem um contato mais próximo das pessoas que vivem na cidade. Agora viajar por terra, atravessar fronteiras entre os países, seja de ônibus, carro, moto ou mesmo a pé, é de um prazer e de um conhecimento único.

Não é fácil planejar uma viagem aonde você ande num tempo diferente dos programas e pacotes já vendidos em agências. Você tem que pesquisar e cai em blogs de pessoas que também gostam de se arriscar em suas viagens sejam de férias longas ou curtas. Se arriscar necessariamente não é estar num local de conflitos, mas sim se arriscar aonde não fale o inglês por exemplo. Se arriscar em visitar um local pouco conhecido aonde você tem apenas o Google maps como companheiro. Se arriscar com o novo. Ou mesmo se arriscar com uma dica simples de alguém que você conheceu numa rede social. Porque não?

Se você estiver em contato com culturas diferentes, já existe a possibilidade de muitas das coisas que acontecem aqui em nosso país não acontecer por lá. Por exemplo você vai para o Oriente Médio e eles pedem para tirar foto com você por achar você diferente. Se não desligarmos dos nossos pensamentos ocidentais não iremos aceitar tirar fotos porque acharemos que seremos roubados ou seqüestrados.

Não podemos mudar nossos pensamentos de décadas de uma hora para outra dentro de uma viagem. Mas podemos relaxar e pagar para ver. No geral em minhas viagens os resultados positivos foram infinitamente maiores que os não tão bons.

A minha idéia aqui neste blog será contar um pouco das experiências que eu tive em viagens nada convencionais como também outras que eu desejo fazer. E desejo trocar estas experiências. Pois foram em blogs como este que eu consegui fazer algumas das viagens mais interessantes da minha vida.

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