Trip & Soul
Marco Aurélio Moura
Costumo responder, normalmente, a quem me pergunta a razão das minhas viagens: que sei muito bem daquilo que fujo, e não aquilo que procuro
Michel de Montaigne
09
janeiro
2013

festas de fim de ano mexicana

Eu trabalho numa rede de hotéis que recebe a tripulação da Aeroméxico. E ganhei de uma das comissárias uma passagem sem data definida para ir ao México.

Como o boleto dependia de disponibilidade de assento nos vôos , de primeiro momento descartei ir ao México nas semanas de festas.

Porém como recebemos diariamente estas tripulações fui incentivado por uma delas a tentar essa viagem, pois os vôos estavam saindo sempre com alguns poucos assentos vazios.

E lá fui no dia 27 direto para o aeroporto com uma pequena mochila, pois ficaria mais fácil de voltar para casa e nem comentei com muitos amigos que iria passar réveillon no México pois ficaria chato encontrá-los depois na rua.

Chegando no aeroporto por volta das 20 horas do dia 27, procurei o encarregado que muito gentilmente tentou me desencorajar de ir naquela noite pois o vôo tinha tido uma venda inesperada. E ficaria sobre a minha escolha esperar com a possibilidade grande de não embarcar.

Num mix de ansiedade, desejo e uma pitadinha de desesperança resolvi aguardar. O máximo que iria acontecer era voltar para casa e tomar cerveja com amigos e pensar logo para aonde ir para as festas de fim de ano.

O simpático encarregado pediu que eu estivesse novamente no balcão da companhia ás 23h00, quando estariam fechando o vôo e teríamos uma idéia mais exata sobre a minha partida ao México ou não.

E claro, sem segundos atrasados e nem adiantados lá estava eu  novamente em frente ao balcão, esperando uma resposta mais que positiva. Ou seja, um lugar no avião daquela noite.

O encarregado já estava novamente atrás  balcão e mal olhava para mim ao lado. E digo que sou de fácil ser visto pelos meus quase 1,90 de altura.

Quando de repente o rapaz vira para mim e pergunta se a minha bagagem era somente aquela que eu tinha nas costas. Com essa pergunta eu soube que realmente eu iria conhecer o tão famoso México.

Após a animação e felicidade de que eu realmente iria viajar, alguns  amigos avisados e muitos deles espantados porque ninguém sabia da minha idéia de ir ao México nestas festas e lá fui eu ao encontro de outros amigos em território mexicano.

A viagem foi perfeita, inclusive a Aeromexico é uma companhia muito boa e realmente estão de parabéns pelos seus serviços. E aliás é impressionante a potência da companhia em território mexicano. O aeroporto da Cidade do México é totalmente tomado por aviões deles, faltando até espaços para outras companhias. A própria estrutura interna do aeroporto parece que só tem eles. As demais companhias desaparecem.

Cheguei muito cedo na Cidade do México depois de 9 horas de vôo e logo fui recebido por um grande amigo mexicano que tinha acabado de retornar de mudança pra o seu país, vindo de Buenos Aires e anteriormente de São Paulo.

Mesmo com sono, pois não consigo dormir no avião, este meu amigo, como bom mexicano, orgulhoso de seu país, aproveitou toda a manhã do mesmo dia que cheguei para apresentar a cidade.

Fiquei impressionado com o que vi no México. Primeiro que se você tem aquela visão romântica de Zorro e Frida Kahlo sobre as cidades mexicanas, esqueça, pois são cidades extremamente modernas. A própria Cidade do México tem uma arquitetura deslumbrante. Comentei com este meu amigo mexicano que me parecia que eles, não gostavam de nada convencional. Pois muitos dos prédios na região da avenida Reforma por exemplo são de altíssimo padrão. Sempre com algo diferente em cada prédio. Seja uma cascata altíssima em um deles como um outro que tem a forma de uma onda de prata.


Se você acha que só Dubai ou Singapura estão na vanguarda das edificações, esqueça. O México já faz prédios ligados com uma piscina suspensa a mais de dez anos. Sim. Foi a resposta que eu tive quando eu comparei o hotel em Singapura que tem uma piscina suspensa com um prédio de apartamentos num dos bairros da cidade.

Além dos prédios que chamam atenção pela sua ousadia nas edificações, a cidade é repleta de esculturas de bronze por todos os lados. Mostrando o gosto refinado e culto do povo mexicano a cada esquina.

O centro da Cidade do México é uma riqueza em tudo. O palácio dos azulejos por exemplo, que é de propriedade do homem mais rico do Mundo, Carlos Slim, é de ficar horas apreciando e se emocionando nos detalhes. Além de ter um café, livraria e restaurantes dentro do mesmo prédio. É de impressionar este prédio que fica no centro. E é um dos prédios tortos que está afundando no centro da cidade. Pois o centro é um grande aterro e hoje a grande maioria de suas edificações foram afetadas e estão afundando. Sejam igrejas, museus ou mesmo prédios aonde vivem alguns moradores.

Museus muito bem organizados e riquíssimos com historias do próprio país. Além de ruas limpas e bem sinalizadas.

Nas minhas primeiras horas no México já demonstravam a minha surpresa e felicidade por estar ali.

E eu estava tendo o privilégio de conhecer um pouco do México com os próprios mexicanos. Fugindo um pouco dos lugares turísticos e indo direto nos pontos importantes da cidade.

Como já estávamos próximo do fim do ano, discutíamos para onde passar a noite de réveillon. E eu como bom brasileiro e acostumado a passar quase todas as festas nas areias de Copacabana eu sentia a falta de mar. Não precisa ser Copa, mas ter o mar e um horizonte para jogar os pensamentos, desejos e cobranças particulares e que as mesmas não viesse rapídamente cobrando respostas ou mesmo atitudes. Os horizontes muitas vezes nos relaxam por terem poucas informações ao longe ou mesmo não são como cidades que em prédios nos devolvem os nossos próprios pensamentos.

Lembrei que este mesmo amigo mexicano havia me falado ainda no Brasil, quando ele morou aqui por poucos anos, sobre Puerto Vallarta. Que seria algo como uma mistura de Búzios e Ubatuba. Um povo descolado como Búzios e as montanhas abraçando as praias como Ubatuba. E realmente constatei que essa foi uma excelente definição de Vallarta. Principalmente sobre as chuvas de Ubatuba, pois as mesmas montanhas que emolduram tão formosamente a paisagem também retém as nuvens deixando a cidade sempre chuvosa.


Fomos então procurar um vôo para ir a Vallarta saindo da Cidade do México lá pelo dia 29 e já não existia mais nada. Pois a distância entre Puerto Vallarta e a Cidade do México eram em torno de 800 km.

Após procurarmos avião, procuramos ônibus que também não tinha e resolvemos procurar um bom carro para alugar. E quem disse que tinha também?

Fomos em quase todas as locadoras de automóvel e todas riam de nós, porque naquele momento não teriam nada, pois era semana de festas e todos carros já tinham sido locados por turistas. E como ultima esperança entramos no hotel Marriot. Fomos até o concierge que nos atendeu muito solicito e tirou da gaveta dele uma outra locadora que nunca tínhamos ouvido falar e que tinha apenas um carro e foi o que alugamos. Ufa... enfim vamos a Vallarta...

Saímos na noite de 30 de dezembro rumo a Vallarta. Mas devido a distância, quase 800 km, resolvemos dormir uma noite em Guadalajara, que fica a 560 km da capital e 200 km de Vallarta Aliás uma estrada perfeita, bem sinalizada e um asfalto parecendo novo. Muito segura para viagens de longa distância.

Depois de algumas horas de estrada chegamos a Guadalajara que  é uma das maiores cidades mexicanas. Uma cidade grande que diferencia um pouco mais com um povo de descendência  européia, principalmente espanhola.

Logo que cheguei ao México eu questionava muito os meus amigos mexicanos sobre os terremotos. Pois sei que por lá o negócio derruba prédios, colégios, escolas, deixando rachaduras em rodovias e tudo. E eles sempre me explicando que os prédios maiores eram preparados para qualquer tipo de tremores. Eu insista que eu preferia apenas ouvir a respeito e de nenhum momento ter esta experiência. E engraçado como os hotéis que ficamos em Guadalajara insistiam em me colocar em andares muito alto. Inclusive o hotel que ficamos, tinha o piso do andar um pouco torto. Se percebia que era um prédio já acometido por algum abalo pois era desnivelado.

Após passar uma noite em Guadalajara pegamos a rodovia e fomos para Puerto Vallarta. Boas rodovias entre DF e Guadalajara não se repetiram próximo de Vallarta aonde encontramos um bom trecho de estrada sem acostamentos e muita, mas muita curva. Bastante curioso se  comparado  com as rodovias anteriores.

Depois de várias algumas horas chegamos a Vallarta e lá estava o mar que eu queria tanto descarregar a energia de um ano todo. Aliás Puerto Vallarta fica há menos de 30 minutos da também famosa Ponta Mita. Essa é uma praia elitizada aonde se encontra hotéis como Four Seasons, Hyatt, St. Regys e outros de cadeias importantes e sofisticadas.

Puerto Vallarta é uma praia dividida entre o moderno com seus suntuosos e luxuosos o resorts localizados logo na entrada da cidade e  do outro lado (divididos pelo aeroporto e a marina da cidade) um lado mais descolado, com prédios mais antigos, restaurantes e lugares menos familiares com mais jovens de toda parte  Tinham alguns americanos, colombianos e raros brasileiros. Sim, raros brasileiros que ainda não descobriram Vallarta e continuavam povoando Cancun. Aliás foi engraçado a própria televisão local informar que de 50 a 60 por cento dos turistas em Cancun eram brasileiros.

Uma outra característica mexicana que me chamou muito a atenção foi que enquanto que no sul irradiava-se em sol, o norte do país estava congelando em neve. Alias muito característico no México ter uma grande diferença climática de norte a sul.

Como Vallarta tinha a definição parecida com Ubatuba, ficou em chuva desde que chegamos até o momento de ir embora.


Logo que chegamos em Vallarta , ainda na manhã do dia 31 de dezembro, fomos logo reservar uma mesa  para  festa do hotel de reveillon com direito a tequila, champagne e fogos de artifício além de uma festa aberta nas ruas.

Chegando a noite de 31 de dezembro de 2012, fomos ao restaurante para a ceia e o incio das festividades de fim de ano. Após os shows típicos mexicanos, com direito a mariachis, comidas e muita música local.

Impressionante mesmo sem  ter brasileiros, a nossa  música  tocando sem parar. Desde  Xuxa numa festa de rua, com direito a telão e coreografia de Ilarié,  acompanhada e cantada por vários mexicanos até o clássico brasileiro no exterior Michel Teló.. Aliás é um momento muito bom  ouvir a nossa musica embalando pessoas tão longe de nossa realidade e gosto musical.

E claro, a musica que não quis calar foi a do sul coreano Gangnam Style de Psy. 


Claro com as suas devidas proporções e sem as chatas comparações com as festas brasileiras, pois cada uma tem a sua característica e por sorte temos estas diferenças, o réveillon no México foi inesquecível.

Foram poucos dias porém com muita coisa a fazer e mais de 1600 km percorridos no ida e volta. Comidas diversas, pimentas diferentes, um povo feliz pelo país que  tem... mesmo  entre suas grandes edificações o povo mexicano mantém a sua origem, seja através da forma de comer, se vestir e sua religiosidade. 

Depois das festas em Vallarta pegar estrada novamente a DF com direito a descanso em Guadalajara novamente. 

Chegando em DF mais algumas poucas horas de México antes de voltar para o Brasil fui visitar o Museu Soumaya do mega empresário Carlos Slim, em homenagem a sua  falecida esposa. Além do prédio ser mais uma construção mexicana de impressionar, possui um acervo de obras de renomados artistas . Para se ter uma singela idéia das valiosas obras dentro deste museu , o mesmo possui a maior coleção de esculturas  de Rodin fora da França. E não era só Rodin, mas Picasso, e muitos outros.

O México é um país que merece vários dias para ser visitado. E dar uma atenção maior e especial nas cidades menores que ainda mantém as cores que vemos em filmes e novelas há tempos.

Depois de uma viagem curta mas muito bem aproveitada por um país fascinante, volto para casa.

Volto para casa com aquele gostinho de querer mais.

Um país que nos recebe muito bem . Viva o México.

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