Trip & Soul
Marco Aurélio Moura
Costumo responder, normalmente, a quem me pergunta a razão das minhas viagens: que sei muito bem daquilo que fujo, e não aquilo que procuro
Michel de Montaigne
30
agosto
2012

vivendo argentino

Além de trabalhar na hotelaria por alguns bons anos eu também sou fotógrafo.

Trabalhei para algumas revistas de moda nacional porém não insisti na profissão. Apenas faço hoje registro de momentos em viagem ou no dia a dia mesmo.

E uma vez conversando com um outro amigo fotógrafo discutíamos os cursos de fotografia. Concordamos 100 por cento que a parte técnica para você manusear bem um equipamento é super necessário. Pois você tem que ser rápido em determinado momento para a luz e a própria velocidade do registro da foto. Mas o que realmente é importante no momento da foto não se aprende em escolas, que é a sensibilidade. Essa sensibilidade se aprende com algumas identificações que você tem no decorrer da vida. E chegamos na nossa conclusão que para se aprender fotografar bem tem que ir ao cinema, ver vídeos em casa ou mesmo viagens em geral. E com isto você registrar aquilo que te fascina. A mesma paisagem pode ser infinitamente diferente para cada um, depende apenas da sua própria sensibilidade.

A mesma coisa é para viagens. Observar viagens.

Algumas pessoas sonham com determinados lugares, porque viram em filmes ou mesmo no facebook de um amigo recentemente viajado. Outros imaginam a Italia como um turismo de pasta e vino, e tantos outros.

Há mais ou menos 3 anos atrás, eu resolvi pegar férias de ultimo momento. E com isso sem nenhuma programação de lugar e nem muito dinheiro para uma grande viagem. Mas só a idéia de ficar 30 dias em casa me deixou um pouco tenso. Com isso corri pensar no que seria interesse e não muito caro para fazer nas minhas férias.

Pensei, América Latina e optei por Buenos Aires. Já fui várias vezes a Argentina. E assumo aqui que sou um fã dos nossos vizinhos. Além de ser uma viagem muito rápida, eu sinto uma simpatia muito grande pelos argentinos. Eu gosto muito.

Alguns meses atrás eu dei uma entrevista por telefone para a rádio 10 argentina, aonde eles me pediam uma razão para os argentinos virem a São Paulo. Na realidade eu tenho um grande amigo argentino que é repórter da TV C5N , e o mesmo estava fazendo uma matéria sobre os preços de móveis em São Paulo. E o cinegrafista dele também trabalhava na rádio e entramos no ar ao vivo.

Soltei o meu portunhol com sotaque argentino e fomos a entrevista. Falei para eles que mesmo que não pareça, os brasileiros gostam muito dos argentinos e que a camiseta da seleção argentina é muito vista nas ruas do Brasil sendo usadas por brasileiros. Depois finalizei a breve conversa falando que São Paulo tem inúmeras opções e outras coisas mais...

Então resolvi ir para Buenos Aires passar um mês de férias. Sim, um mês. Não somente uma semana ou mesmo 10 dias e sim um mês. E me perguntei, como bom geminiano, o que fazer um mês em Buenos Aires? E logo me respondi; irei viver como um bom portenho. Apenas viver.

Entrei em contato com uma escola de idiomas para poder aproveitar parte dos dias, aluguei um apartamento em Palermo SoHo e apenas vivi como portenho.

Fui ao supermercado, fiz academia, andei muito de ônibus, caminhei muito pela cidade... fui ao cinema (dificuldade, porque a legenda era em espanhol... mas ajudou no aprendizado) e acabei fazendo boas amizades por lá. Além é claro de ir a bons restaurantes nada turísticos e tomei ótimos vinhos.

Na ocasião eu lia um livro muito bom e eu recomendo, chamado Argentinos – Mitos e Milongas. Que fala sobre coisas interessantes e muito engraçadas sobre os argentinos mas sem conotação negativa e nem pejorativa.

Eu lembro que a minha vivência portenha já acontecia no elevador ou mesmo ouvir conversas altas dos vizinhos do apartamento. Descia com senhoras e ali já começava a minha prática do espanhol. No supermercado surpreendido com muitos dos produtos que não temos aqui eu conversava com todo mundo. E nós como brasileiros que somos bem simpáticos dificilmente eu não entrava numa boa conversa.

O que eu pensei que seria algo meio chato por ficar num lugar somente por tanto tempo foi bastante interessante. Pois realmente vivi o dia a dia na Argentina. E conheci um pouco ao redor como Tigre e outros lugares.

Realmente o livro que eu lia nesta época me ajudou conhecer melhor a cidade e as pessoas do local. Dei muitas risadas com o texto da escritora com histórias divertidas sobre os costumes dos nossos amigos portenhos.

Voltei para casa ainda mais fã dos argentinos e fiz uma viagem relativamente barata. Mas foi uma daquelas viagens que ainda degustamos em nossa mente e lembranças por um bom tempo após voltarmos.

Hoje já faz um tempo que eu não viajo para lá, pois me descobri em outros roteiros. Mas ainda é um país que me chama muita a atenção. Fico chateado pelo que eu ouço sobre segurança e sobre a economia deles. Mas deverão aprender como nós aprendemos com tantas mudanças. Eu fico na torcida de que eles melhorem e logo.

Mas ainda tem muito mais o que conhecer neste país tão rico. Aliás em vários outros vizinhos, como Peru, Colômbia, Uruguai e outros.

Ah, na minha ultima noite desta viagem em Buenos Aires eu peguei um taxi e me informei sobre os valores de corrida para o aeroporto. O taxista me informou e me perguntou se eu não vivia na cidade. Eu respondi que era brasileiro e ele apenas sorriu e me falou que o meu sotaque era de argentino. Ganhei a viagem ou mesmo vi resultado no meu bom curso de espanhol. 

Arquivos
Buscar nos Blogs
O que deseja procurar?
Escritores
Newsletter
Receba as novidades