Turismo e Eventos
Osiris Marques
"Viajar é deparar-se consigo mesmo, mas também é sair de si para encontrar-se com os outros".
Fábio Carpinejar
12
março
2015

Depreciação do dólar em 2015: novas oportunidades para o setor de eventos

escrito por Osiris Marques

Neste post inaugural no meu blog aqui no portal da Revista Eventos, gostaria de iniciar com uma discussão atual e fundamental para a economia brasileira: o fortalecimento da moeda americana nesses meses iniciais de 2015. Desde meados de 2014 já havia um debate importante em torno de qual seria a situação do preço da moeda americana em 2015. O principal ponto da discussão era que o câmbio estava sobrevalorizado, já que as recorrentes intervenções do Banco Central do Brasil no mercado cambial haviam impedido um ajuste maior na moeda brasileira em direção à uma maior desvalorização.

No último dia 06 de março, de acordo com informações do Banco Central, o dólar ultrapassou a barreira dos 3 reais. Isso quando consideramos as informações oficiais, já que nas casas de câmbio, a cotação do dólar comercial já ultrapassou a marca dos R$ 3,20 para o consumidor final. O que surpreendeu o mercado, no entanto, não foi o fato do dólar ter ultrapassado a linha dos 3 reais, mas a velocidade com que isso aconteceu. Esperava-se que esse valor fosse atingido apenas em meados de 2015.

Dentre os fatores que podem explicar essa rápida desvalorização, podemos apontar como principais a grave crise política por que atravessa a sociedade brasileira, a alta da inflação e as incertezas da economia brasileira e mundial.

Contudo, se por um lado a depreciação cambial pode trazer efeitos negativos para a economia, essa mesma depreciação pode trazer novas oportunidades que podem ser exploradas nesse momento de crise. O setor de eventos é um desses nichos de mercado onde podemos apontar boas oportunidades para esse ano de tendência de alta para a moeda americana. Vejamos como isso pode se dar.

Um dos resultados que mais chama a atenção na pesquisa do “II Dimensionamento Econômica da Indústria de Eventos no Brasil 2013”, realizada pela ABEOC Brasil e o Sebrae Nacional executada pelo Observatório do Turismo da Universidade Federal Fluminense, pesquisa por mim coordenada, é o fato de que apenas 4,4% dos eventos serem de âmbito internacional. Essa baixa participação dos eventos internacionais na indústria de eventos no Brasil reflete, em parte, a baixa competitividade dos nossos eventos frente àqueles desenvolvidos em outros países. Nesse sentido, o aumento da competitividade propiciado pela depreciação da moeda pode ser vista sim como uma oportunidade para aumentar a participação dos eventos internacionais nesse momento delicado da economia brasileira e mundial.

A depreciação da moeda americana representa um aumento de competitividade dos produtos e serviços nacionais frente aos importados porque para os estrangeiros, especialmente aqueles onde o dólar é moeda corrente, vir participar de um evento no Brasil fica mais barato, porque, relativamente, o custo com hospedagem, alimentação, transporte, compras, entre outros gastos realizados por esse turista, cai quanto maior é a depreciação da moeda nacional.

Obviamente que apenas a depreciação cambial não é suficiente para garantir que nossos eventos sejam mais competitivos. É preciso qualificar a cadeia produtiva, preparando os diversos atores que compõe essa cadeia para que a qualidade dos eventos se eleve para um novo patamar. É preciso, ainda, investir em infraestrutura, modernizando os espaços já existentes para oferecer maior conforto e facilidade para os participantes e criando novos espaços com tamanho, tecnologia e acessibilidade que atendam às necessidades e expectativas desse público mais exigente. É necessário, também, fazer com que os eventos sejam mais permeáveis às tecnologias, o que qualifica o evento nos diversos estágios do seu ciclo de realização. É importante, adicionalmente, que a criatividade, tão incorporada na cultura brasileira, seja utilizada de maneira sistemática. E, last but not least, é extremamente relevante que haja um esforço do setor público e privado no sentido de captar e criar as condições para que os eventos internacionais sejam mais frequentes em nosso país.

Para além de uma oportunidade temporária, aproveitar esse momento para aprofundar a internacionalização dos eventos no país pode representar um aprendizado importante para que o setor de eventos brasileiro seja responsável, de maneira mais recorrente, pela realização de importantes eventos internacionais. Já conseguimos realizar uma Copa do Mundo em 2014 e estamos prestes a sediar os Jogos Olímpicos Rio 2016. Não parece um ideal tão distante fazer parte da rota de outros eventos internacionais. A sorte está lançada. Por que não aproveitar?

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