Turismo sem Censura
Fabio Steinberg
Um jornalismo crítico e independente do setor
18
julho
2017

Hotel cobrado por minuto? Demorou!

escrito por Fabio Steinberg

Surgiu um aplicativo que tem o potencial de revolucionar a maneira com os hotéis cobram hoje. Já conhecido como Uber da hospedagem, o Recharge permite escolher na hora um estabelecimento 4 a 5 estrelas, e nele se instalar por curtíssimo prazo, e sem ter que pagar uma diária cheia por isto.

Lançado há dois anos na cidade de San Francisco, Estados Unidos, a plataforma chegou a New York. Atende principalmente viajantes de negócios em busca de um ambiente silencioso e confortável, seja para tirar uma soneca, tomar uma ducha, trabalhar, uma refeição no quarto, ou usar o fitness, piscina, ou business center do hotel entre voos ou reuniões de trabalho. O serviço também ganhou adeptos onde menos esperava: mães em busca de um lugar sossegado para amamentar os filhos.

A tabela de preço por minutos é calculada sobre uma base em torno de 50 dólares a hora. Google e Deloitte fazem parte dos clientes corporativos da Recharge, que atende ainda famílias ou visitantes premium de passagem pela cidade.

O processo é muito simples. Basta escolher o hotel no aplicativo, que imediatamente o quarto fica disponível. Os minutos começam a correr passados 30 minutos de tolerância, ou mediante a entrega das chaves, o que ocorrer primeiro. Não há horário prefixado de saída, que vale ao clicar checkout no dispositivo.

O que torna o aplicativo tão interessante para os hotéis? Para começo de conversa, uma renda adicional estimada entre 250 mil e um milhão de dólares por ano. Eis o pulo do gato: mesmo com 100% de ocupação estima-se durante o dia uma ociosidade de 35% dos quartos entre o horário do checkout do hóspede anterior e o checkin do próximo.

“Cada minuto nosso vale muito mais que o valor da diária regular”, explica Emmanuel Bamfo, co-fundador e CEO da empresa. Assim, se 24 horas no 1 Hotel Central Park de New York custa 400 dólares, pelo aplicativo, que sai por 80 dólares a hora, o preço final seria $1,920. Há ainda um forte argumento: o tempo médio de estada pelo aplicativo é de só duas horas.

O app é à prova de malandragens por hóspedes mais espertinhos. Assim que aciona o checkout o hóspede é notificado que a arrumadeira está a caminho para limpeza do quarto. Caso ainda esteja lá, terá que pagar uma taxa adicional de ocupação, que pode chegar a 250 dólares.

“A demanda nos pegou de surpresa. Não esperávamos resultados tão bons como os alcançados”, comenta Michael Baier, gerente geral do hotel Stanford Court, de San Francisco.

Cobrar hotel por hora não chega a ser uma completa novidade. Outros aplicativos como Dayuse ou Hotelsbyday já existem, mas com foco em lugares mais baratos e dentro de faixas horárias pré-determinadas da manhã ou tarde. O que torna o Recharge diferente é poder ser acionado a qualquer momento e por quantos minutos quiser.

Bamfo não considera os apps existentes como seus concorrentes, e sim cafeterias tipo Starbucks ou escritórios virtuais iguais ao Regus. São opções para quem quer fazer algum trabalho, reunião, ou relaxar por curto tempo. Só que nenhum deles oferece privacidade e amenidades como hotéis.

O novo app segue o mesmo espírito da economia colaborativa, que é tornar produtivos quartos vazios (ou “capital morto”) com o apoio da internet. Ou seja, nunca foi tão fácil juntar as pontas de quem tem com quem quer algo. A ideia deu tão certo, e já com 75% de clientes frequentes, que os gestores fazem planos para outras cidades, como Chicago, Washington e Los Angeles.

Demorou para o “pay per use” ganhar maior popularidade na hotelaria, que ainda se baseia no mesmo modelo obsoleto de diárias inventado nos anos 50. Afinal, nada mais justo do que só gastar pelo que é utilizado, um conceito adotado em quase toda o setor de serviços, de bagagem de avião a estacionamento de veículos. E, para falar a verdade, até mesmo pela profissão mais antiga do mundo.

Fonte: www.steinberg.com.br

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