Vair dar Jacaré - Biografia de Caio de Alcantara Machado
Maria Izabel Moreira Salles
Os livros tem os mesmos inimigos das pessoas: fogo, umidade, animais, clima e seu conteúdo.
Paul Valéry
11
outubro
2021

A Viajem Continua, Venham Comigo.

Queridos leitores, vocês devem estar se perguntando do por que seguirmos viagem com o Lívio? Minha resposta é simples: uma das ideias de fundo que percorrem o meu livro: “ Vai dar Jacaré, as incríveis historias de Caio de Alcantara Machado” é que eu o escrevi de uma maneira para que o leitor pudesse enxergar além do seu desempenho escolar medíocre, um Caio que desde muito pequeno gostava de fazer coisas grandiosas: como vender cigarrinhos de chocolate da Pan para os colegas, ser responsável no Colégio pela montagem das barracas da quermesse para angariar fundos para as Missões Católicas, e até falar no rádio pedindo doações. Esses fatos, e eu tenho certeza que vocês irão concordar comigo, já sinalizavam que ele era uma criança muito diferente, dono de um carisma exuberante. E mesmo se alguém comprasse o livro sem ter a menor ideia de quem foi o Caio, somente observando sua personalidade e seu carisma exuberante, teria certeza que ele se tornaria uma pessoa muito especial.

Só que ninguém notou isso, muito menos o seu pai que o media somente através do boletim, cujas notas eram de ruins a péssimas. Seus múltiplos talentos quando se tornou adulto, levaram-no a ter um programa de grande sucesso na Radio Excelsior, depois ele criou sua Agencia de Publicidade, a ALMAP (Alcantara Machado Propaganda) e depois as Feiras de Negócios que sacudiram o Brasil, porque além de ser um braço de vendas das indústrias, Caio atraia uma multidão com os grandiosos shows que aconteciam em todas elas. Muitas chegaram a ter 1 milhão de visitantes e congestionar o trânsito de toda a cidade de São Paulo.

As Feiras possibilitaram que ele fosse um dos maiores empresários do país e alguém que pessoalmente se tornou muito bem-sucedido. Vocês bem sabem do que estou falando, ter sucesso pessoal é muito raro entre os empresários, ou se tem uma coisa ou outra. Portanto, se acompanharmos sua trajetória de vida, com um olhar mais atento e uma mente aberta, depois de alguns capítulos, conseguiríamos enxergar nesse garoto todos os traços e talentos já presentes, desde sempre. E ao fechar o livro poderíamos concluir que ele só poderia ser quem ele foi.

Da mesma maneira é com essa lente que eu pretendo que vocês enxerguem que apenas em uma viagem, o Lívio mostrou mesmo inconscientemente, que ele chegaria a ser um dos profissionais de marketing mais premiados do Brasil. Espero tê-los convencido que apenas com algumas linhas elas nos revelam traços da personalidade desse rapazinho de apenas 18 anos, que nos permitem imaginar que ele era uma Luz que só precisava de Energia para poder brilhar. E a pessoa que o fez brilhar, inundando-o de Energia foi o Caio. Caio e Lívio, diretor de marketing da Rhodia, durante 11anos na FENIT, viraram o Brasil de cabeça para baixo, transformando as Feiras em eventos muito importantes não só nos milhões de negócios que eram fechados na FENIT, mas com desfiles que eram verdadeiros shows de uma Broadway tropical, concorridíssimos entre os brasileiros.

Voltemos então, voltar ao Navio Giulio Cesare, agora por uma razão esclarecida. Lívio visitou de ponta a ponta, as duas lojas de departamento do Giulio Cesare, dentro das quais suas prateleiras e magníficos balcões expunham elegantemente produtos de alguns países da Europa. Como ele nunca tinha saído de Trieste antes, se sentiu como se tivesse dado a volta ao mundo antes de chegar ao Brasil. Fascinado, assistia a todos os filmes que passavam nos quatro cinemas, que funcionavam ininterruptamente, parando apenas alguns minutos entre uma sessão e outra. Isso sem falar no assombramento de que foi tomado, quando participou de uma sessão a noite num dos cinemas montado ao ar livre, debaixo de um céu coalhado de estrelas.

No seu primeiro dia de viagem, Lívio levantou tão cedo para tomar o café da manhã, que a tripulação ainda estava preparando o salão para receber os passageiros. Lívio parou na porta e ficou observando o corre corre do pessoal. O que viu foram lustres de cristal que pendiam do teto, refratando em varias cores a luz de mil lâmpadas, as mesas de mogno tinham os seus pés elegantemente torneados, rodeadas por cadeiras de espaldar alto, com assentos forrados com veludo cor de vinho. Lívio não pode deixar de ficar alguns minutos imaginando que tipo de sentimentos aquele ambiente de romance francês era capaz de despertar em cada uma das pessoas que viriam ali fazer o seu desjejum.

Egídio Amoretti andando pelos corredores com seu nome pendurado na lapela do paletó como se fosse uma condecoração, ficou intrigado com aquele jovem rapaz e achou melhor oferecer-lhe ajuda. Amoretti, um italiano grande e forte como um cantor de ópera, tinha o pescoço largo e curto, que parecia amarrado ao corpo pela gravata. Gentil como uma moça, transpirava adoração, reverência e orgulho pelo “seu” navio, e não perdia uma oportunidade de falar sobre seu trabalho. Quando Lívio contou que estava ali observando a tripulação trabalhando, e imaginando a quantidade de coisas que precisavam ser compradas, para poder realizar uma viajem como essa, Amoretti nem esperou Lívio terminar a frase e imediatamente o convidou para irem até o bar, que ficava aberto 24 horas para poderem conversar mais confortavelmente, prometendo ao rapaz que lá, ele lhe contaria algumas curiosidades a respeito da preparação necessária para a viagem.

Amoretti pediu dois sucos ao garçom e com a precisão de um matemático, relatou ao garoto sobre o que tinha sido comprado para essa viagem. “Meu caro” falou Amoretti: “Nessa viagem, só para você ter uma ideia nós temos 2 mil passageiros a bordo, isso sem contar com a tripulação, composta de 517 indivíduos ”, dito isso, Amoretti fez uma pequenina pausa para poder se deliciar com o espanto do jovem, visível através dos seus olhos arregalados, e continuando num tom professoral disse: “como minha função é justamente cuidar do suprimento do navio, eu gostaria de dizer-lhe que o meu trabalho é tão importante e indispensável quanto ao do comandante”. Lívio ficou um pouco desconcertado com a falta de modéstia do seu interlocutor, mas como estava muito curioso, esperou pacientemente para ver até onde ia dar a conversa. Antes que cada um tocasse no seu suco, Amoretti com o nítido objetivo de causar impacto no Lívio, e com isso afirmar a importância do seu trabalho, se empertigou na cadeira e achou melhor começar falando a respeito dos alimentos: “ você não imagina, meu caro, quão complicada é a tarefa de comprar os alimentos, e garantir que todos sejam de alta qualidade. “Mas o mais importante é administrar a quantidade exata de cada um deles, que deve ser gasta diariamente” afirmou Amoretti e continuou: “para que nada falte durante a travessia. Você há de convir, meu filho, que essa operação se assemelha a uma tática de guerra”. Aquilo tudo para o Lívio era tão fascinante que ele só conseguiu fazer um sinal afirmativo com a cabeça.

Como Lívio adorava tudo que tivesse ligação com grandes eventos, espetáculos, peças de teatros, apresentações de balés, jantares, banquetes, e tudo que envolvesse grandes comemorações, aquela conversa estava sendo para ele puro deleite, porque não só revelava os bastidores de um grande trabalho, mas a importância da existência de um “comandante”, a importância do papel de um líder de verdade por traz de tudo, capaz de fazer o “espetáculo” acontecer. Lá pelas tantas, Amoretti percebeu que o rapaz estava “voando” e resolveu que estava na hora de falar sobre quantidades: “Pois é meu jovem, só para você ter uma ideia, para essa viagem eu comprei 1.800 quilos de café, 17mil litros de leite, 30 toneladas de carne, 24 toneladas de batata, 21 toneladas de farinha de trigo, 24 toneladas de alho e cebola, 1.600 quilos de geleia, 11 toneladas de massa e arroz, 8 toneladas de peixe, 5 toneladas de açúcar, 2,5 toneladas de manteiga, uma tonelada de biscoitos e temperos, 3,5 toneladas de frios e outros produtos alimentícios”.

Lívio já tinha terminado o seu suco e imaginou que o seu Amoretti iria parar por aí, mas para sua surpresa seu interlocutor continuou falando, contou-lhe muitas histórias sobre muitas viagens, nas quais por ter resolvido situações difíceis ele próprio se colocava como herói. De repente seu Amoretti “saiu da cozinha” e foi direto para a “rouparia” e todo orgulhoso contou que em viagens como essas, ele e sua equipe, composta por 30 pessoas, cuidavam de 180 mil peças de roupas que incluíam toalhas de banho, lençóis, fronhas e toalhas de mesa. Isso sem falar, completou ele, do cuidado que eles tinham que ter com a louça cujo estoque girava em torno de 11 mil pratos, 27 mil copos, além dos talhares”.

Amoretti não errou quando imaginou que aquele jovem seria um bom ouvinte, também não errou quando imaginou que o Lívio iria se lembrar dele para o resto da vida, em ambos os casos acertou em cheio. Lívio era de fato um excelente ouvinte, mas mais do que isso, sua ânsia de conhecimento era insaciável e qualquer assunto narrado com paixão o contaminava, os números siderais descritos por Amoretti se transformaram em combustão para os planos de grandeza que esse rapaz iria ter no seu trabalho no Brasil, a competência e a paixão desse senhor para administrar tudo aquilo iriam lhe servir de inspiração.

Se você gostou da gotinha de história que você acabou de ler e, para matar a sua curiosidade e sua sede de conhecimento, sinta-se à vontade para comprar o livro inteirinho.

Ele só está à venda no site: www.vaidarjacaré.com.br

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