Vendo do mundo os segredos escondidos
Sergio Junqueira Arantes
Os casos vi que os rudes marinheiros, Que têm por mestra a longa experiência, Contam por certos sempre e verdadeiros, Julgando as coisas só pela aparência, E que os que têm juízos mais inteiros, Que só por puro engenho e por ciência, Veem do mundo os segredos escondidos, Julgam por falsos, ou mal entendidos
Camões, Lusíadas, Canto V
25
maio
2009

Informação é a chave do sucesso nos negócios


“Dólares gastos em marketing são como água no deserto – quanto mais escassa em volta, mais valiosa se torna a porção que você decide investir”
Philip Kotler e John A. Caslione,
in Vencer no Caos

Em seu mais novo livro, Kotler explica que 48% das empresas que cortaram custos de maneira homogênea durante a recessão de 2001 perderam mercado para as concorrentes nos anos seguintes, deixando claro que um dos erros mais fatais e comuns é cortar primeiro os investimentos em marketing.

Na verdade, este seria o momento de lembrar-se do ideograma chinês para a palavra crise, uma combinação de risco e oportunidade, ou das palavras de Churchill durante a segunda guerra, advertindo que a escuridão é necessária para que as estrelas brilhem, mas, com certeza, é um axioma de Guilherme Paulus que melhor sinaliza o momento que vivemos: “nas crises, há os que choram e os que vendem lenços”.

A história conta que a enorme fortuna dos Rothschild deveu-se ao estabelecimento de uma rede de informantes espalhados pela Europa, que no decorrer da Batalha de Waterloo, por exemplo, permitiram que Natã Rothschild transformasse em pó o valor das ações na Bolsa de Londres, comprando-as em seguida, a preço de banana. Quando a informação da vitória inglesa chegou à cidade, os Rothschilds já tinham se transformado na maior fortuna do mundo.

A falta de informação gera o medo, a perda da confiança. As reações desencontradas de grande parte dos empresários defrontados com a recente crise econômica são exemplares. O medo os levou a retraírem seus investimentos. Alguns poucos, melhor informados, tiveram a coragem de manter seus investimentos, ou até mesmo, aumentarem. Estes serão recompensados com o sucesso de seus negócios.

Jack Welch, in “Liderar é inventar o futuro”, comenta a reação dos diversos stakeholders, “como é que você pode gastar dinheiro com projetos (eventos) mirabolantes se acabou de mandar embora Fulano e Sicrano?”, ensinando que o verdadeiro líder não deve permitir que esse barulho o desanime. “Rompa as resistências, vença o medo, o cinismo e as mágoas”.

Nos últimos meses, de todas as partes as notícias são muito boas. A temporada de verão foi a melhor dos últimos anos. Mesmo nos destinos mais afeitos ao turismo corporativo o comportamento do mercado, se não foi excelente, também não foi muito pior se comparado aos anos anteriores.

Apesar do mercado ter as piores expectativas no inicio do ano, “o primeiro trimestre foi bom e deve melhorar ainda mais daqui para frente” na opinião de Rafael Guaspari, presidente do FOHB Fórum dos Operadores Hoteleiros do Brasil. A queda de 5,6% na ocupação hoteleira, foi compensada por um aumento de 10,1% na diária média dos apartamentos, resultando num crescimento de 3,9% na receita por apartamento (Revpar), o que justifica seu otimismo.

A Accor Hospitality, de Roland Bonadona, por exemplo, estará investindo R$110 milhões na inauguração de oito empreendimentos em 2009. Mas, mais importante, é que “neste inicio de ano conseguimos fechar mais 12 contratos, o que significa que o mercado continua apostando no futuro e que a rede de hotéis da Accor na América Latina vai continuar crescendo”.

O período janeiro/março só não foi melhor por que o volume de eventos realizados nos hotéis sofreu uma queda de cerca de 20%, segundo Guaspari. No entanto, mesmo este dado deve ser relativizado, uma vez que se está comparando com um ano excepcional. Empresários experientes acham que o volume de negócios e eventos realizados nos primeiros meses de 2009 está dentro da média histórica, excetuando-se 2008.

E os eventos estão voltando. A maioria dos hotéis e espaços para eventos tem recebido um grande volume de solicitações de orçamento. Negócios têm sido fechados. Como alertamos em nossa editorial anterior, são eventos diferentes, mais econômicos, menos ostentatórios, mais preocupados com o retorno sobre os investimentos realizados. O mundo mudou e os eventos estão mudando também. Estes são os novos eventos. Os que primeiro compreenderem este cenário serão os empresários vitoriosos do futuro.

Sergio Junqueira Arantes
Sergio@ExpoEditora.com.br
Diretor do Portal Eventos e das revistas Eventos e Making Of
Titular da Cadeira 1, da Academia Brasileira de Eventos
Vice-presidente da ANETUR - Associação Nacional dos Editores de Turismo
Member MPI Brazil Chapter - Meetings Professionals International

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