Vendo do mundo os segredos escondidos
Sergio Junqueira Arantes
Os casos vi que os rudes marinheiros, Que têm por mestra a longa experiência, Contam por certos sempre e verdadeiros, Julgando as coisas só pela aparência, E que os que têm juízos mais inteiros, Que só por puro engenho e por ciência, Veem do mundo os segredos escondidos, Julgam por falsos, ou mal entendidos
Camões, Lusíadas, Canto V
14
janeiro
2017

João Dória Junior. Sem compromisso com o erro

Eleito no primeiro turno, com apoio da grande maioria do chamado trade de eventos & turismo, os primeiros passos da gestão de João Dória Junior geraram grande expectativa em todo Brasil, especialmente em São Paulo, e, como não poderia deixar de ser, no setor em que ele atua – eventos.

Como disse no editorial da Revista Eventos 79, “se a medida da felicidade é a expectativa, se ela é baixa, somos felizes com o pouco que o destino nos reserva. Se a expectativa é muito alta, a perspectiva de um revés avulta”. E a expectativa no acerto da gestão Dória é muito grande.

Talvez por isso, causou-nos perplexidade o anúncio dos nomes que compõem o Conselho de Turismo de São Paulo: Abram Azajman, Caio Carvalho, Chieko Aoki, Claudia Sender, David Barione, Guilhermo Alcorta, Marcos Arbaitman e Paulo Kakinoff.

A excelência de todos é irretocável. No entanto, como bem disse Caio Carvalho, na primeira reunião do Conselho, “o Turismo em São Paulo deve ser baseado no tripé viagens de negócios, cultura e feiras". Realidade confirmada pela pesquisa FIPE/Ubrafe: “as feiras de negócios representam um impacto de utilização de cerca de um terço dos quartos existentes na cidade, chegando à metade se considerarmos a base efetivamente ocupada nos hotéis”.

Considerando o impacto das feiras na cadeia de hospitalidade de São Paulo, às quais carece agregar os eventos corporativos e associativos, bem como os eventos culturais e de entretenimento, causou-nos grande estranheza a ausência de nomes representativos de qualquer destes segmentos no Conselho.

Os escolhidos são notáveis, mas notáveis também são Francisco Santos, Juan Pablo de Vera e Sergio Pasqualin (feiras); Ana Carla Fonseca, Fernando Altério e Paulo Borges, (cultura/criatividade); Abraham Gurvitch, Ibrahim Tahtouh e Terlange Souza (receptivo);   Fernando Elimelek, José Victor Oliva e Nizan Guanaes (eventos), para citar meia dúzia dentre tantos outros nomes que poderiam (deveriam) compor um Conselho efetivamente representativo da força que Eventos e Turismo têm na cidade de São Paulo.

A gestão está no começo e ainda é tempo de consertar, o que só se pode esperar de quem já repetiu inúmeras vezes a célebre frase de Juscelino Kubistchek: “Não tenho compromisso com o erro”.

Sempre considerei esse tipo de atitude como uma rara virtude de estadistas e confio que Dória já desponta como um deles.

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