Vendo do mundo os segredos escondidos
Sergio Junqueira Arantes
Os casos vi que os rudes marinheiros, Que têm por mestra a longa experiência, Contam por certos sempre e verdadeiros, Julgando as coisas só pela aparência, E que os que têm juízos mais inteiros, Que só por puro engenho e por ciência, Veem do mundo os segredos escondidos, Julgam por falsos, ou mal entendidos
Camões, Lusíadas, Canto V
08
maio
2009

O Cliente é o Rei e dita o compasso e quem desafinar será descartado

Pelo 7º ano consecutivo o Meetings Professionals International (MPI) produziu, em conjunto com a American Express, o FutureWatch, um exame detalhado visando compreender as principais tendências e fatores competitivos que darão forma à industria de eventos global nos próximos anos, com base nas respostas de 2740 associados do MPI, que representam 53 países, sendo a grande maioria dos Estados Unidos (2.167), do Oriente Médio/África (290) e do Canadá (235), tendo apenas 30 profissionais atendido a pesquisa nas Américas Central e do Sul e 15 no Pacífico Asiático.

A boa notícia é que o estudo prevê o crescimento da taxa de participação em eventos na Europa, na África e no Oriente Médio de 3% e no Canadá de 9% e um declínio de 5% nos Estados Unidos. No entanto, esta perda decorre do comparecimento de 15% menos participantes em eventos associativos, em parte compensada pelo crescimento de 12% nos eventos corporativos.

A má noticia é que no segundo semestre de 2008, as organizações cancelaram uma média de 4,1 eventos, ou seja, 8% do total de eventos previstos para o período. Para 2009, já foram cancelados uma média de 3,4 reuniões, representando 7% de toda a atividade programada. O valor médio dos eventos cancelados é de US$200.000 por reunião.

Apesar dos gestores de eventos verem os eventos face to face como a ferramenta mais eficaz para uma variedade de finalidades que são fundamentais à suas missões organizacionais: constroem relacionamentos e confiança; geram um sentido de comunidade; conduzem programas altamente interativos; unem emocionalmente os participantes e permitem a demonstração de novos produtos; eles estão preparados para enfrentar um mercado global resistente, que os obrigará a afunilar seu foco e adequar suas atividades às necessidades da vida econômica. As decisões operacionais dos gestores serão pressionadas pelo custo, secundadas pela praticidade no transporte aéreo e pelos serviços ao cliente nos hotéis e nos espaços de eventos.

Tendo o mercado tornado-se comprador, os gestores estão em condições de negociar concessões mais generosas, incentivos mais consistentes e a abolição de taxas e outras previsões contratuais. Mais do que nunca, gestores e fornecedores necessitam construir relações mais flexíveis considerando as incertezas do mercado.

O FutureWatch 2209 prevê um declínio no volume de eventos e de profissionais dos diversos segmentos, acarretando um aumento na carga de trabalho dos gestores e fornecedores, e o ressurgimento da terceirização como conseqüência. Nesse cenário, tantos gestores quanto fornecedores precisarão surpreender com sua criatividade no enfrentamento dos inúmeros desafios de 2009.

Importante observar os fatores que, segundo o FutureWatch 2009, influenciarão a seleção de um Destino: custo total (26%), companhia aérea (24,9%), custos da viagem (15,5%), propósitos do evento (11,4%), facilidade de acesso (10,9) e proximidade da maioria dos participantes (7,1%).

Na escolha do hotel, a tendência majoritária foi no sentido da diminuição dos custos (31,3%), prestação de serviços (14%), propósitos do evento (6,4%), incentivos e concessões (5,8%), qualidade do hotel (5,6%), espaço requerido para o evento e valor (5,1%).

40,3% consideram que o custo é o principal fator de escolha de um Espaço para Eventos contra 11,2% que valorizam os Serviços e 8,2%, a qualidade e as condições do espaço. A localização e as dimensões do espaço, com 6,6%, a flexibilidade e dedicação dos funcionários (5,4%) e o valor (5,1%) completam os fatores influenciadores.

Considerando que a grande maioria dos eventos será realizada na própria região de origem – 61% dos norte americanos, 57% dos canadenses e 36% na África e Oriente Médio, importante observar que a America do Sul é o destino preferido de 9% dos profissionais do Oriente Médio e da África, 6% dos canadenses e apenas 5% dos norte americanos.

A leitura do FutureWatch e as informações correntes no mercado nacional autorizam indicar as tendências da indústria de eventos no horizonte de curto e médio prazos:

  • Programação de eventos tradicionais será mantida;
  • Baixo índice de eventos cancelados.
  • Realização dos eventos mais próximo do local de origem da maioria de seus participantes.
  • Os eventos serão mais enxutos, todas as gorduras serão cortadas.
  • Eventos com alta qualidade, mas custos baixos. Luxo, esbanjamento e deslumbramentos são politicamente incorretos.
  • Seleção mais rigorosa dos participantes. Qualidade em detrimento da quantidade.
  • Tudo que for possível será realizado internamente.
  • Enxugamento do quadro de funcionários. Menos profissionais acumulando mais responsabilidades. 
  • O Cliente é o Rei. Ele precisa cortar custos. E toda cadeia produtiva terá que acompanhar seu compasso, sob pena de ser cortado de seu budget.

Sergio Junqueira Arantes
Sergio@ExpoEditora.com.br
Diretor do Portal Eventos e das revistas Eventos e Making Of
Titular da Cadeira 1, da Academia Brasileira de Eventos
Vice-presidente da ANETUR - Associação Nacional dos Editores de Turismo
Member MPI Brazil Chapter - Meetings Professionals International

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O Profeta disse que:

  • Apesar do que dizem os desinformados, a Webjet vai muito bem obrigado, com 11 aeronaves e já no mês que vem atingindo 16, pois ainda em maio recebe mais 3 e em junho 2. Sob a presidência do Wagner Ferreira, no final do mês passado inaugurou sua nova sede administrativa na Barra da Tijuca, com 1.000 m². Palavra de Guilherme Paulus.
  • Três presidentes de entidades foram convidados a discursar durante a cerimônia de inauguração da ampliação do magnífico Expo Center Norte. Ao término da mesma, formou-se uma roda com os presidentes da Ampro e da Ubrafe. E todo mundo fazia questão de cumprimentar Elza Tsumori e Armando Campos Mello. Os dois representaram, e muito bem, toda cadeia produtiva de eventos.
  • O Transamérica Eventos deverá bater o martelo nos próximos dias com mais um centro de convenções no Sul do país, passando a gerir a maior operação no país, com quatro empreendimentos.
  • A Britcham São Paulo promoveu seminário os Desafios e Oportunidades na Área de Eventos e Viagens Corporativas em Cenários Instáveis, convidando as entidades nacionais que representam os segmentos de Eventos e Viagens: Ampro, Abgev, Favecc, MPI e Ubrafe para apresentarem sua avaliação da real necessidade de cortes e as oportunidades de negócios que o momento proporcional.
  • Pegou muito mal a responsável por um evento ‘farma’ realizado em Santos precisar ser retirada do Mendes pelo maridão, derrotada por Baco.
  • Se prevalecer o bom-senso, até o final do mês deve chegar ao fim a novela do hotel embargado em Campos do Jordão e mais de 200 famílias agradecerão seus empregos.
  • Ganha um doce quem adivinhar o valor total das licitações ‘vencidas’ pela companheira do diretor da estatal no ano passado. Aliás, o nome de sua empresa é bem sugestivo. 
  • Lagrimas de crocodilo não movem moinhos.

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