Vendo do mundo os segredos escondidos
Sergio Junqueira Arantes
Os casos vi que os rudes marinheiros, Que têm por mestra a longa experiência, Contam por certos sempre e verdadeiros, Julgando as coisas só pela aparência, E que os que têm juízos mais inteiros, Que só por puro engenho e por ciência, Veem do mundo os segredos escondidos, Julgam por falsos, ou mal entendidos
Camões, Lusíadas, Canto V
12
julho
2013

O Rio de Janeiro precisa parar de pensar pequeno

Em recente reunião do Fórum dos Gerentes de Hotéis Cinco Estrelas do Rio de Janeiro, Alfredo Lopes, presidente da ABIH e do Rio CVB, informou ter solicitado ao governador a construção de mais dois andares no Museu da Imagem e Som, que serviriam de espaços para eventos.

“Considerando que 78% da hotelaria carioca”, segundo Alfredo Lopes, “está concentrada no eixo Copacabana/Ipanema, o objetivo é fazer com que a cidade receba um grande evento por mês. É impraticável se hospedar em Copacabana e ter que ir ao RioCentro. Dependendo do horário, leva-se muito tempo, por isso precisamos de um espaço na Zona Sul”.

Com a inauguração de 14 mil novos apartamentos na cidade até 2016, torna-se urgente a captação de mais eventos, e a ABIH/RJ tenta junto ao Governo do Estado a criação de um centro de convenções. Como Copacabana sofre com a falta de terreno, Lopes sinaliza a possibilidade da ampliação do MIS.

Não sou carioca, mas amo e respeito o Rio, e acho um absurdo contentar-se com tão pouco. Com mais dois andares no MIS, quantos metros mais se conseguirá? Certamente muito menos do que o SulAmérica e pouco mais do que o Copacabana Palace já oferecem. Uma miséria.

É hora de pensar grande. Quem assumiu o compromisso de realizar uma Olimpíada tem a obrigação de ter um centro de convenções de grande porte capacitado a receber os muitos eventos de pequeno, médio e grande porte que gostariam de estar sendo realizados no Rio de Janeiro.

Hoje, infelizmente, à sua frente, o Rio tem Porto Rico, Republica Dominicana, México, África do Sul e Austrália. É para lá que vão os grandes eventos. Hoje, o Rio mal se compara com Santos, Uberlândia e Natal. Esse é hoje o padrão Rio. Deveria ser Barcelona, Sidney, San Juan, Hong Kong, Guadalajara, Toronto e Adelaide.

O Rio precisa parar de pensar pequeno. Sidney no período (antes e depois) que foi sede da Olimpíada figurou entre as 10 cidades que mais recebem eventos internacionais segundo a ICCA e Barcelona foi primeira colocada mais de uma vez, nunca mais saindo do TOP05. É uma vergonha a cidade da Olimpíada 2016 não ter um centro de convenções entre os 100 maiores do mundo e ser a 27ª no ranking da ICCA.

Mas, poderia ser diferente, se ao invés de mendigar migalhas, se lutasse por um centro de convenções à altura da importância do Rio de Janeiro.

E tem lugar. Pode ser difícil. Alguns poucos, uma minoria, pode brigar para não ser incomodada por um centro de convenções naquele lugar, mas os 40.000 m² da área ocupada pelo 23º BPM, em pleno Leblon, onde pouco tempo atrás se cogitou edificar o Parque da Bossa Nova, seria o local ideal para construção do Centro de Convenções do Rio de Janeiro. Um mega centro de convenções. Um centro de convenções que colocaria o Rio na disputa dos maiores e melhores eventos do mundo.

Basta parar de pensar pequeno. Basta ter coragem e lutar.

O Rio merece muito mais.

Os cariocas devem isso à Cidade Maravilhosa.


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