Vendo do mundo os segredos escondidos
Sergio Junqueira Arantes
Os casos vi que os rudes marinheiros, Que têm por mestra a longa experiência, Contam por certos sempre e verdadeiros, Julgando as coisas só pela aparência, E que os que têm juízos mais inteiros, Que só por puro engenho e por ciência, Veem do mundo os segredos escondidos, Julgam por falsos, ou mal entendidos
Camões, Lusíadas, Canto V
28
junho
2012

Rio+20, Copa das Confederações, Copa do Mundo, Convenção do Rotary e Olimpíadas

Nos próximos cinco anos o Brasil sediará os maiores eventos do mundo (e está pleiteando o maior de todos eles, a Expo 2020). Sexta maior economia mundial, palco número um dos atrativos naturais, tendo elegido 3 das 14 Maravilhas do Mundo (Cristo, Foz do Iguaçu e Amazônia), tudo prenuncia momentos de glória e grande sucesso.

Mas como lembra antiga piada “e Deus disse: vocês não perdem por esperar, verão a gentinha que colocaremos lá”. Continuando no campo do humor, na semana que perdemos seus dois ícones maiores, nossa situação lembra a do ribeirinho que tendo o rio inundado permanece ilhado no telhado de sua casa. Passa bote, passa lancha, passa helicóptero e ele não arreda pé, esperando a ajuda Divina. Morto, na chegada ao Céu reclama: “eu acreditei no Senhor e não me deste a mão”. Como não, retorquiu o Senhor: “três vezes te procurei e em nenhuma aceitaste minha mão. A minha parte, eu fiz”.

Deus e o legado dos antigos nos proporcionou um momento único no concerto das nações. Mas parece que estamos esperando que Deus trabalhe para que tudo dê certo. Enquanto isso nos dedicamos às lambanças.

As perspectivas da Copa 2014 são assustadoras, mas ainda temos dois anos para tentar consertar o trem e colocá-lo no trilho. Mas a Rio+20 está logo ali (como diriam os mineiros) e está tudo ainda por fazer. O Rio de Janeiro prepara-se (prepara-se?) para receber 50.000 participantes, sendo mais de 2.000 jornalistas, 2.000 autoridades e milhares de dirigentes de entidades e interessados na sustentabilidade de nosso Planeta.

Tivemos anos, muitos anos para se preparar, mas somente recentemente o Itamaraty, órgão do Governo Federal responsável pelo evento, acordou para a necessidade de ter uma agência de viagens para coordenar a logística de transporte e hospedagem das autoridades. E aos trancos e barrancos foi contratada a paulista Terramar. Menos mal, em mar revolto, terra a vista. Será?

Mas, e os demais milhares de participantes, quem os acode? E a coordenação dos eventos, quem ORGANIZA? E se algo não acontecer conforme o previsto, quem dará um “jeitinho” (no bom sentido)? Quem será o maestro deste enorme conserto? Se até o improviso do jazz tem partitura e regente, como orquestrar este exército multirracial, expressando-se numa dezena de idiomas, sem um comandante?

E o improviso já dita regra: férias escolares, para minimizar os problemas de trânsito e segurança; hospedagem em casa de família, para atender a necessidade de milhares de participantes; fechamento de aeroportos e céus, e sabe-se mais o que será inventado nos próximos dias. Tudo para tentar por ordem na balburdia provocada por quem teve muito tempo para preparar a cidade, o cidadão e os visitantes para que todos pudessem usufruir o que de melhor a Cidade Maravilhosa pode proporcionar. E não aproveitou.

Dizem que Deus é brasileiro, mas já estamos abusando...

P/S - Importante observar que ocorrerão grandes concentrações de atividades em uma dezena de pontos da cidade, exigindo deslocamento de grandes massas de um lado ao outro da cidade cantada por Vinicius.

  • Riocentro: sede do evento principal, que terá cerca de cinco mil credenciados. A administração ficará a cargo das Nações Unidas a partir do dia 5 de junho, quando será hasteada a bandeira da ONU e a área do Riocentro passará a ser perímetro restrito da ONU. Serão lá as principais negociações oficiais e as sessões plenárias.
  • Parque dos Atletas: área reservada para exposição dos estados-membros da ONU e do governo brasileiro.
  • Autódromo de Jacarepaguá: serão feitos exposição da sociedade civil.
  • Arena da Barra: será feita a retransmissão das discussões e atividades do Riocentro para o público não credenciado. No local haverá também atividades da sociedade civil.
  • Aterro do Flamengo: sede da Cúpula dos Povos. O espaço corresponde a uma extensa área a céu aberto, que vai do Museu de Arte Moderna até o Museu da República. Há vinte anos, o local foi sede do Fórum Global, encontro histórico de ONGs de caráter socioambiental durante a Rio 92.
  • Quinta da Boa Vista: Espaço reservado para atividades culturais e de inclusão social e onde ficarão acampados os participantes da Cúpula dos Povos.
  • Espaço Vivo Rio: Área para eventos, debates e atividades da sociedade civil e ponto de retransmissão de atividades do Riocentro e dos outros espaços.
  • Pier Mauá: Armazéns do Cais do Porto hospedarão eventos destinados à ciência e tecnologia, agricultura, energia e feira de inovação tecnológica.
  • Galpão da cidade: Receberá atividades de cultura e inclusão social.
  • Quinta da Boa Vista: Estão previstas atividades culturais e espaços para acampamentos.
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