Portal Eventos

* Antes de imprimir pense em seu compromisso com o Meio Ambiente

Reflexões & Aprendizados
Andréa Nakane
Você pode sonhar, criar e construir a idéia mais maravilhosa do mundo, mas são necessárias pessoas para fazer o sonho virar realidade
Walt Disney
12
junho
2014

Os inúmeros erros e os poucos acertos da Cerimônia de Abertura da Copa do Mundo da FIFA no Brasil

escrito por Andréa Nakane

A produção do espetáculo de abertura da Copa do Mundo da FIFA 2014 TM não chegou a empolgar, já que acabou restringindo-se a clichês já mundialmente conhecidos, o que provavelmente fazia parte da estratégia dos organizadores do evento ao contratar a belga Daphne Cornez, para falar a mesma linguagem da audiência.

Como pontos altos da cerimônia pode-se destacar os figurinos dos participantes, com roupas se não bem elaboradas, pelo menos bem funcionais e o próprio conjunto da caracterização da harmoniosa maquilagem. A alegria dos voluntários também se destacou, todos com sorrisos e felizes com suas responsabilidades de representar as riquezas brasileiras, inclusive a de seu próprio povo, somada com nossos extraordinários recursos naturais e culturais.

Já os pontos mais frágeis ficaram por conta da não utilização adequada do efeito de luminosidade do horário do evento, pontualmente iniciado às 15h15min, além dos inúmeros vazios no gramado protegido por uma lona para evitar danos ao palco da festa, ocasionados pela não utilização da grandeza do espaço.

O ponto que deveria ser um must do evento, não teve destaque e acabou não sendo apreciado pela maioria dos espectadores, tanto na arena quanto nas transmissões, o "chute inicial" dado por um jovem rapaz paraplégico, com a ajuda de um exoesqueleto (uma estrutura metálica que dá sustentação e reage a comandos do cérebro, como andar e chutar) que foi idealizada por um neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, Esse acontecimento ficou perdido a beira da lateral do campo, sem nenhuma projeção específica e honroso registro.

A apresentação do tema da Copa, "We Are One", por Claudia Leitte, Jennifer Lopez e Pitbull, foi o momento que mais animou o público presente no estádio, mesmo com o som abafado explicado pela arquitetura do estádio, o que pode comprometer o futuro uso do equipamento para ser sede de espetáculos musicais.

Outra falha grave diz respeito ao retorno e playback mal sincronizado, que ficou nítido pelas imagens transmitidas pela TV, o acompanhamento labial dos artistas estava totalmente fora do timing da letra da música.

A gigantesca bola em led fez seu papel, sem literalmente muito brilho, teve seus quinze minutos de fama, ao receber os ilustres cantores do tema da Copa, mas acabou ao final sendo aberta novamente, gerando expectativas da surpresa que viria... e ... nada aconteceu... era apenas a ordem para a desmontagem da estrutura. Um lance sem nenhum padrão Fifa.

A quebra do protocolo do evento também ficou marcada pela ausência do pronunciamento da presidente da República, Dilma Rousseff e do mandatário mor da FIFA, Joseph Blatter, ambos receosos em serem alvos de mais de 60 mil vaias, o que não deixou de ocorrer, mas pelo menos foi controlado e não transmitido para a audiência mundial. Os dois, inclusive, não tiveram a imagem veiculada no telão do estádio durante nenhum momento da abertura da Copa, para atiçar novas manifestações de repúdio.

Outro detalhe que chamou a atenção foi justamente a presença da primeira-filha, que acompanhando a mãe, ocupou lugar privilegiado no protocolo de precedência no camarote oficial da FIFA. Sinais de novos tempos ou de falta de cumprimento do cerimonial. Porém como o esvaziamento político da cerimônia também foi constatado pelas inúmeras desistências de participação de chefes de estados mundiais, talvez a figuração parental tenha sido até necessária.

Inicialmente eram esperados mais de 30 autoridades, e ao final, apenas 08 estiveram presentes e mesmo assim de países pequenos, vizinhos do Brasil.

Enfim a cerimônia ocorreu, não comprometeu, porém também não será nenhuma imagem inesquecível desta Copa. Vamos torcer para que o gol não marcado com essa produção, possa ser feito no próximo dia 13 de julho em pleno Maraca... esse sim seria inesquecível!

Tomara que em 2016, sejamos mais felizes no conceito artístico dos jogos olímpicos e já peço um favor: COI e COB não contratem a Franco Dragone Enternainment Group & Daphne Cornez, temos talentos que merecem ser reconhecidos e valorizados e que realmente entendem do espírito brasileiro, vamos ser glocais, mas com a prata de casa!