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Políticas do Turismo
publicado em 24 de julho de 2019 -  2h24

O que precisamos é não perder o foco

Por Manoel Linhares*

A Embratur lançou a nova marca Brasil que irá ilustrar as campanhas de divulgação do país como destino turístico pelo mundo, inspirada na bandeira nacional e com o slogan: "Visite e nos ame". Após sua apresentação, uma onda de polêmicas e debates ofuscou o fato principal, que temos a obrigação de destacar: ela foi criada pelos técnicos do instituto e que não gerou nenhum custo para os cofres públicos.

A iniciativa não deveria surpreender, já que o governo Bolsonaro foi eleito sob uma plataforma de austeridade e a ação de acionar os profissionais do governo para realizar o trabalho de criação da marca Brasil teve, entre seus objetivos principais, gerar menos despesas para a Embratur – verba que pode ser realocada em outras áreas de apoio ao turismo – e está em consonância com a agenda que vem sendo implementada pelo atual presidente, cujo principal foco tem sido controlar as despesas do governo.

Polêmicas à parte, sem dúvida é fundamental ter uma boa marca e slogans certeiros que atraiam a atenção dos turistas para nosso país. Mas o setor de turismo precisa muito mais do que isso. É urgente que se cumpram os quesitos necessários para atrair mais visitantes para o Brasil e que sejam resolvidos os gargalos – que diversas lideranças do setor de turismo e hotelaria já apontaram - que impendem a expansão de seus índices como deveria ser num país como o nosso, cheio de potencial, com enorme diversidade de atrações turísticas.

O que de fato presenciamos nesses quase sete meses de governo foi a consolidação de pleitos de décadas, como a abertura do capital aéreo, a liberação de vistos para americanos, japoneses, australianos e canadenses e a primeira reunião de um presidente da República com as entidades do trade de turismo, o que evidencia o comprometimento federal com o setor.

Não é hora para dissidências. Estamos quase entrando nos eixos e precisamos concentrar nossas forças no que realmente interessa para a indústria nacional do turismo: a desburocratização, a redução da carga tributária, a atualização da Lei Geral do Turismo, a regulamentação das plataformas on-line de vendas de hospedagem em residências, a suspensão da cobrança do Ecad nos apartamentos de hotéis e meios de hospedagem, a regulamentação dos cassinos, a liberação de vistos para a China e para Índia e, principalmente, a consolidação da infraestrutura e dos serviços necessários para de fato tornar o Brasil um destino único e desejável, não só para os turistas internacionais mas, principalmente, para o cidadão brasileiro.

*Manoel Linhares – presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis – ABIH

Fonte: assessoria

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