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Trip & Soul
Marco Aurélio Moura
Costumo responder, normalmente, a quem me pergunta a razão das minhas viagens: que sei muito bem daquilo que fujo, e não aquilo que procuro
Michel de Montaigne
27
maio
2020

A dimensão do Locavorismo













A xilogravura “A Feira Ecológica” do artista popular pernambucano J. Borges ultrapassa os conceitos estéticos da arte quando se traduz na representação daquilo que pertence ao povo, ao local, ao cotidiano – exatamente por isso, é arte. Nas barracas da feira, vemos diversas frutas típicas do nordeste brasileiro, como o caju. A consumidora, que caminha diante dos produtos expostos irá compra-los da própria agricultora. Entre os 66 centímetros de comprimento por 48 centímetros de altura, há a história de muitos brasileiros que dependem da venda daquilo que produzem para sobreviver.













O Locavorismo, movimento que tem recebido força nos últimos anos ao propor o consumo de alimentos produzidos localmente, respeitando-se a sazonalidade da produção, ganha novas dimensões em aspectos de consciência econômica e sustentável em 2020 com a crise imposta pelo coronavírus. Não se trata mais somente da tendência das hortas urbanas comunitárias ou da onda do consumo de produtos orgânicos (muitos deles, comercializados em grandes redes de supermercado): de certa forma, o conceito que se referia à compra de comida cultivada ou elaborada diretamente pelo produtor da região onde se vive, foi ampliado para outros setores.

Produtos orgânicos de agricultura familiar no interior paulista


Assim surgiram inúmeras campanhas no Brasil, que durante a fase de quarentena que o país vem enfrentando, têm estimulado a população a comprar dos pequenos comerciantes de seu próprio bairro ou região: dar preferência à mercearia e não ao hipermercado de nome estrangeiro, pedir comida do restaurante local ao invés do fast-food, ir à farmácia do “Seu José” e não àquela rede de drogarias… Esta é a forma encontrada para se reduzir os impactos na economia do país advindos com a pandemia do covid-19. Afinal, dificilmente aquela rede varejista que vende de roupas íntimas à jujuba irá falir com a crise, já o Fadi, aquele descendente de libaneses que tem uma única lojinha no bairro onde também se vende de tudo, poderá fechar se a vizinhança não mais recorrer a ele.

Fábrica de água mineral e cerveja artesanal em Sapucaí Mirim-MG

Como bem disse Rob Hopkins, fundador do Transition Movement, citado no texto “Locavorismo e as três dimensões do turismo sustentável”, de Fernanda Franco Cannalonga, “devemos começar a desenvolver uma situação em que as nossas principais necessidades sejam supridas localmente. Comida é um dos pontos mais sensíveis para começar a reconstruir comunidades resilientes, mas materiais de construção, tecidos, madeira e energia estão logo atrás.”

Um dos afrescos de artistas locais em muro em Goiânia-GO

A fala de Hopkins esboça a evidência de nossas origens: consumir as hortaliças e grãos de nossa terra, em pratos típicos da região; privilegiar o artesanato local, seja de produtos decorativos ou de roupas, bolsas, sapatos e acessórios; visitar lugares próximos a nós e tantas outras opções que o regional nos proporciona.

Se pararmos para pensar, a dimensão significativa de um produto nacional com 66 centímetros por 48 centímetros supera qualquer distância que percorra o oceano para que um produto chegue até você.



Colaboração do texto Bruna Galvão do aplicativo Birdymee.