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Vendo do mundo os segredos escondidos
Sergio Junqueira Arantes
Os casos vi que os rudes marinheiros, Que têm por mestra a longa experiência, Contam por certos sempre e verdadeiros, Julgando as coisas só pela aparência, E que os que têm juízos mais inteiros, Que só por puro engenho e por ciência, Veem do mundo os segredos escondidos, Julgam por falsos, ou mal entendidos
Camões, Lusíadas, Canto V
08
junho
2009

Esta história já conhecemos. E não gostamos dos resultados

A realização de mega-eventos é disputada ferozmente por todos os destinos do mundo. Sejam eles científicos, sejam culturais. Mas quando se trata de eventos esportivos esta disputa se acirra ainda mais. O Brasil conquistou recentemente o direito de sediar o maior deles, a Copa do Mundo e está entre os quatro finalistas na disputa das Olimpíadas de 2016. Além disso, por três anos consecutivos figura no Top Ten da ICCA, atingindo este ano a sétima colocação dentre os países que mais recebem eventos internacionais.

Semana passada foram indicadas as 12 cidades sede da Copa de 2014, sendo que as 5 não escolhidas foram muito elogiadas pela FIFA. Foi também anunciado que o índice na ICCA deve-se ao concurso de 42 cidades. Tudo isso demonstra que o Brasil atingiu a maturidade, é muito bonito e merece ser comemorado, mas também significa que nossa responsabilidade aumentou. Ao nos situarmos no topo do mundo, passamos a ser mais cobiçados, mas também, mais visados.

O novo status atingido pelo Brasil não mais permite o trato dos eventos de forma amadora. Não mais nos é permitido prometer e não cumprir, como aconteceu nos Jogos Pan-americanos. Não se admitem erros como o ocorrido na WTTC, cuja excelência dos primeiros dias, foi prejudicada pelo desastroso show de encerramento.

Estar entre os grandes exige a inserção do Brasil nos sistemas de relacionamentos institucionais internacionais, representados pelas principais entidades e fóruns de discussão, trabalho que vem sendo realizado com vigor pela Embratur e pelas principais entidades representativas da cadeia produtiva. Ainda este mês, com a constituição da IAP/mice, em Montevidéu; em agosto, com a realização do II Seminário Latino-americano de CVBs; em setembro, do I Seminário Latino-americano de Centros de Convenções; em outubro, do II Encontro Latino-americano de Marketing Promocional e, permanentemente, com a participação de nossas lideranças nos trabalhos da Associación Internacional de Férias de América (AFIDA), Organização Mundial do Turismo (OMT), da International Congress & Convention Association (ICCA) e do Conselho Mundial do Turismo (WTTC).

Porém, a manutenção do Brasil no topo do mundo exige um trabalho em equipe. “Não confie em ninguém com mais de trinta anos” cantava Marcos Valle, mas são os que têm mais de 30 que se lembram, e como lembram!, da Copa de 90, quando o Brasil tinha a melhor seleção dentre as concorrentes, mas todos jogavam de salto alto, o fogueira das vaidades era determinante e o jogo de interesses pessoais era a baliza moral da equipe. A melhor seleção do mundo foi eliminada nas oitavas-de-final. Aquele gol do Caniggia ainda está encravado na memória de quantos assistiram a Copa da Itália. Ninguém acreditava na possibilidade daquela seleção de craques ser derrotada nas oitavas-de-final, o pior resultado do Brasil em toda história das Copas do Mundo.

Ora, quem pariu Mateus...o que tem tudo isso haver com as recentes vitórias conquistadas pelo Brasil? Tudo. Basta ter olhos para ver, ouvidos para ouvir. Apesar de se acharem comparáveis à seleção de 70, os seletos representantes da cadeia produtiva do turismo e dos eventos em tudo se parecem com a seleção de Lazaroni. E esta história nós já conhecemos. E não gostamos.

Sergio Junqueira Arantes